
Santa Maria Maior é uma das duas freguesias urbanas tradicionais da remota
vila de Viana e cidade de Viana do Castelo, juntamente com a freguesia ocidental
de Monserrate. Meadela foi incluída no perímetro urbano só em 1988. Posteriormente
incluíram-se à cidade de Viana do Castelo, também, Areosa e Darque. Ocupa cerca
de 232 ha com uma população que se situava, em 1999, perto dos 13 000
habitantes. Em 1991 o I.N.E. apontava para 9145, donde se observa que o
crescimento tem sido acentuado. Não é de admirar que assim seja, se tivermos em
linha de conta ser esta a freguesia onde se encontra o centro nevrálgico do
concelho e , também, do distrito de Viana do Castelo. Assim é que vários
organismos têm aqui as suas instalações: Câmara Municipal, Governo Civil, PSP,
Bombeiros, Centro de Camionagem, Cadeia prisional, Administração Nacional de
Saúde , Direcção e Repartição de Finanças Segurança Social, tribunal Judicial,
Estação de Caminhos de Ferro, tribunal de Trabalho, Instituto da Juventude, 3
escolas primárias, 3 escolas secundárias, 1 escola Superior, Instituto de
Formação Profissional, 2 Paróquias ( N. Sra de Fátima e Santa Maria Maior),
vários prestadores de serviços e outros.
Com a romanização do noroeste peninsular (extensiva à citânia de Santa Luzia),
assistiu-se ao povoamento progressivo, mas disperso, das margens e da foz do
Lima. Pelos séculos IX e X pontificavam quatro “villas” na base do monte
sobranceiro a Viana: Vinha (pelo poente, na actual freguesia de Areosa);
Figueiredo (a mais ocidental da Viana actual, correspondendo em grande parte à
freguesia de Monserrate, às portas de Areosa); Foz, depois (século XIII) com o
topónimo de Adro ou Átrio (área central do chão de Viana, a sul do monte de
Santa Luzia); Crasto (parte oriental, que corresponde hoje à Bandeira e
Abelheira, contactando com o monte, o rio Lima e a freguesia de Meadela).
A freguesia actual de Santa Maria Maior corresponde, grosso modo, às antigas
“villas agro-piscatórias” de Adro e Crasto. Está delimitada de Monserrate, no
sentido norte-sul, pela Rua dos Rubins e Travessa do Salgueiro, incluindo, para
norte, a Estância de Santa Luzia, e, para sul, a moderna Avenida dos
Combatentes, assim como a velha Praça da República (o centro cívico, antigo
Campo do Forno, depois Praça da Rainha), o núcleo antigo medieval (vila
municipal com foral de 18 de Junho de 1258 outorgado por D. Afonso III, após a
instituição da Paróquia de S. Salvador do Adro), arruamentos quinhentistas e
seiscentistas da expansão extra-muros (Bandeira, Cândido dos Reis, Mateus
Barbosa, Gago Coutinho, etc.), que hoje definem quase toda a “Baixa vianense”.

É riquíssimo o património com valor histórico-artístico nesta freguesia. Desde a
Citânia de Santa Luzia (no mínimo do século III d.C., com vestígios de
romanização desde o século I a.C.) e templo-monumento de Santa Luzia (ao Sagrado
Coração de Jesus, projecto do arquitecto Ventura Terra, finais do século XIX),
ao burgo medieval amuralhado (D. Afonso III e posterior cintura de muralhas
fernandinas), em cujo núcleo despontam lavores de granito ao gosto do gótico, da
arte do manuelino, do renascimento e até do rócócó e da proto-modernista Art
Deco.
Saliente-se, no núcleo medieval, a Sé (igreja matriz de raíz gótica,
século XV e acrescentos manuelinos em pleno século XVI), a Casa dos Arcos (de
João Velho, gótica, junto da Sé), o Hospital Velho de S. Salvador, a Casa dos
Luna (manuelina e renascentista, no gaveto da Rua do Poço e Largo da Matriz), a
Casa da Janela Manuelina (dos Costa Barros, na Rua de S. Pedro), a Casa dos
Nichos (Rua de Viana, com representações góticas alusivas à Anunciação da
Virgem), etc., da expansão urbana “extra-muros”, graças à remodelação do sistema
defensivo das muralhas (ainda se admira pequeno pano na caleira dos antigos
Paços do Concelho) com implantação de fortim manuelino na foz do Lima, que
possibilitou o incremento do comércio marítimo e fluvial (trato do açúcar
brasileiro — século XVII e XVIII, ciclo dos vinhos, etc. e riqueza aurífera do
Brasil), Viana cresce e monumentaliza-se. Nesta freguesia ressalta o novo centro
cívico (Praça) com o seu tríptico monumental: chafariz quinhentista, Casa das
Varandas (da Santa Casa da Misericórdia) em estilo maneirista e Antigos Paços do
Concelho (gótico tardio).
Constroem-se inúmeros palácios e palacetes manuelinos (Condes da Carreira, Sá
Soutomayor— Praça, Melo Alvim, etc.); barrocos (Pimenta da Gama, Soutomayor—
Bandeira, etc.) e ainda templos e palacetes da segunda metade de Setecentos, de
grande interesse artístico (Família Malheiro Reymão— estilo rócócó), etc.O
antigo Convento de Santo António dos Capuchos e o das Carmelitas Descalças (N.
Sra. de Fátima) são exemplos vivos das artes seiscentista e setecentista. Antes,
os conventos de S. Bento e de Santa Ana (hoje, Caridade), haviam sido
edificados, preservando ainda apontamentos gótico-manuelinos (das primitivas
igrejas).
Na talha, no estuque, na azulejaria, nas pedras lavradas e em novos materiais,
Santa Maria Maior é um museu desde a pré-nacionalidade aos exemplares da
primeira metade do século XX com um toque Arte Nova e Arte Deco já modernista.
Inventário do Património Arquitectónico
Em
http://www.monumentos.pt
Informações
detalhadas acerca de:
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Antigo
Mosteiro de Santa Ana/Edifício da Congregação da Caridade
►
Capela da Sagrada
Família e Portal da Quinta dos Espregueira
►
Capela das Almas
►
Capela de
Nossa Senhora do Resgate
►
Casa chamada
de João Velho / Casa dos Arcos
►
Casa
da Praça / Casa da Capela das Malheiras
►
Casa de Miguel de Vasconcelos
/ Casa dos Medalhões/ Casa das Lunas
►
Casa dos Alpuim
►
Casa dos Sá Sotomaior
►
Casa dos Werneck
►
Chafariz da
Praça da Rainha
►
Chafariz de
São João Baptista
►
Chafariz de
Viana
►
Convento de
Santo António
►
Convento de
São Francisco do Monte
►
Coreto da
Beira Rio
►
Hospital
Velho
►
Igreja
da Ordem Terceira de São Francisco
►
Igreja de
São Bento
►
Igreja e
Convento de Nossa Senhora do Carmo
►
Igreja
Matriz de Viana do Castelo / Sé de Viana do Castelo
►
Misericórdia
de Viana do Castelo
►
Paços Municipais de Viana do Castelo
►
Palácio dos Viscondes
da Carreira / Palácio dos Távoras
►
Ponte
Metálica sobre o Rio Lima
►
Teatro Sá de
Miranda
( Fontes consultadas:
Dicionário Enciclopédico das Freguesias,
Inventário
Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do
Tombo e Freguesias Autarcas do Século XX)

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