|
PORTUGAL: ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO
- CONCELHO DE VIANA DO CASTELO - FREGUESIA DE PERRE
|
PERRE
|
|
Informação Sumária

 |
Padroeiro:
S. Miguel.
Habitantes:
3.038 habitantes ( I.N.E. 2001) e 2.458
eleitores em 31-12-2003.
Sectores laborais: Agricultura,
passa manarias, papel, pequeno
comércio, oficinas de carpintaria e auto, padarias, carros de aluguer, oficinas
de tubagem, latoaria e estores.
Tradições festivas: S. Miguel, S. José, Nossa Senhora das Dores,
(último domingo de Julho) e Senhor dos Passos (15 dias antes da Páscoa).
Valores Patrimoniais e aspectos turísticos:
Igreja paroquial, Ponte do Arco, Capela de N. Senhora das Dores, Capela de N.
Senhora do Olival, Capela de 5. Francisco, Capela de N. Senhora da Conceição,
escolas primárias do Calvário e S. Gil, castros, moinhos,
Alto do Calvário e margens do
Rio Moçambique.
Gastronomia: Rojões à moda de Perre, arroz doce, cozido à portuguesa,
sarrabulho à moda de Perre e enchidos diversos.
Artesanato: Bordados e tecelagem em Linho e artigos em ferro.
Colectividades: Associação Desportiva e Cultural de Perre, Grupo de
Danças e Cantares de Perre, Sociedade Columbófila de Perre, Grupo Ciclo
turístico
e Confrarias.
|
 |
Informação dos Órgãos Autárquicos
da Freguesia de Perre
500 anos antes de Cristo nascer
viveram em Perre, no local que hoje conhecemos como Alto do Muro, "povos
guerreiros e de compridos cabelos", que foram mais tarde dominados e pacificados
pêlos Romanos. Esses povos deixaram entre nós inúmeros vestígios, desde
habitações a objectos de uso doméstico, telhas, estatuetas, ânforas e outros. O
conjunto de elementos encontrado leva, aliás, alguns arqueólogos a supor que a
ocupação do Alto do Muro possa remontar a 4.000 anos antes da nossa geração
existir. O Castro do Vieito ou do Alto do Muro -pois é desse Castro que estamos
a falar -, encontra-se identificado e referenciado pelo 1PA (Instituto Português
de Arqueologia), aí sendo descrito como um povoado fortificado da Idade do
Ferro e do Período Romano. O Castro engloba a chamada "Gruta dos Mouros", local
onde brincamos na nossa infância e sobre o qual ouvimos contar inúmeras lendas
nas noites de serão de antigamente. Este povoado tem um elevado valor
patrimonial, não só pela substancial área que ocupa mas sobretudo porque não
sofreu as agressões que retiraram aos restantes a maior parte dos seus
vestígios, sendo considerado um dos poucos, e único nesta área, que dispunha de
solo agrícola de boa qualidade - referimo-nos à imensa veiga de Perre -, que
lhe concedia importância considerável. Ainda, segundo vários arqueólogos de
renome, é considerado, pelas suas características gerais, de valor superior à
Citânia de Santa Luzia. Esta imensa riqueza patrimonial e cultural, não é só de
Perre, pertence ao Concelho e ao País. Por isso, cabendo-nos a responsabilidade
de o ter entre nós, cabe-nos também a responsabilidade de o defender até aos
limites do possível. Nisso se têm empenhado os Órgãos Autárquicos da Freguesia
(que sustentarão essa luta até ao fim), ao saberem que se encontra em vias de
ser destruído pelas obras do 1C 1 /A28.
Temos neste momento preparado
um processo para dar entrada nos Tribunais e estamos firmemente decididos a
denunciar às instâncias europeias este atentado, se alguma solução não for
encontrada. Felizmente, a Comunicação Social tem dado eco das nossas
preocupações, desde as várias estações televisivas, rádios locais, agências de
informação, jornais locais e nacionais, periódicos e semanários.
Também Deputados
da Assembleia da República, Arqueólogos e outros interessados, nos têm dado o
seu valioso contributo a todos recorremos e muitos corresponderam, o que nos
concede o alento de não nos sentirmos sós.
Das
entidades oficiais, não temos respostas formais. Registamos com apreço a
preocupação e o interesse do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Viana, que já
se deslocou inúmeras vezes ao local e tem encetado diligências convergentes com
as nossas. Recentemente, deslocou-se a Lisboa acompanhado por técnicos e por um
elemento da nossa autarquia, para levar a efeito um contacto com responsáveis do
lPE (Instituto Português de Estradas). Deste contacto, quando se vislumbrava já
o recurso imediato aos Tribunais, ficou estabelecido o compromisso de que os
seus técnicos se deslocariam a Perre para estudar uma solução que salvasse, pelo
menos, a maior parte do Castro, que promovesse a instalação de um núcleo
museológico no local e que desse solução ao lamentável problema originado com
a introdução das incompreensíveis curvas criadas na estrada do lugar da Costa.
Em
contactos estabelecidos com os órgãos autárquicos de Outeiro (Assembleia e
junta de Freguesia), tivemos a satisfação de saber que podemos contar com o seu
apoio incondicional, em moldes combinados na passada Terça-Feira, dia 30 de
Novembro, uma vez que estão também altamente interessados nos problemas da
estrada que serve as duas freguesias e que escoa os excedentes de trânsito,
principalmente no Verão, de Vila Praia de Âncora e de Ponte de Lima. Sendo
altura de mostrar que não gostamos de ser ignorados nas coisas que nos dizem
directamente respeito, vemos com satisfação a convergência de opiniões e a
vontade de colaborar por parte dos nossos vizinhos mais próximos. Sabendo ainda
que se paga a particulares rios de dinheiro por via de expropriações, entendemos
que os interesses colectivos estão acima de tudo, mormente quando envolvem o
nosso património, a nossa cultura e a segurança das populações. Por isso
esperamos o contributo de toda a população de Perre se, em última instância, a
convocarmos para connosco enfrentar estes problemas.
Quanto a
nós, pensamos serem suficientes as notícias que têm vindo a público nos órgãos
de comunicação social para garantir que não estamos inactivos e que, sobretudo,
também contamos convosco!
Até breve!
01/12/2004
Assembleia de Freguesia de Perre
Junta de Freguesia de Perre
|