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PORTUGAL:  ALTO MINHO - DISTRITO DE  VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE VIANA DO CASTELO - FREGUESIA DE NOGUEIRA


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 RESENHA HISTÓRICA

Informação Sumária

ASPECTOS GEOGRÁFICOS

RESENHA HISTÓRICA

IGREJA ROMÂNICA DE S. CLÁUDIO

Igreja de S. Cláudio                Cruzeiro              Ponte da Vinha Grande


 

Informação Sumária

 

Padroeiro: S. João Baptista.

Habitantes: 894 habitantes (I.N.E 2001) e 776 eleitores em 31-12-2003.

Sectores laborais: Agricultura, comércio e construção civil.

Tradições festivas: Festa de Nossa Senhora da Conceição da Rocha, Festa de Nossa Senhora do Rosário de S. Cláudio, e Festa de São João Batista.

Valores Patrimoniais e aspectos turísticos: Igreja Românica de S. Cláudio e Igreja Paroquial, Túmulos romanos e Penedo da Moura.

Gastronomia: Cabrito.

Artesanato: Bordados Regionais e arte em cantaria.

Colectividades: Clube de Futebol de Nogueira, Associação Cultural e Desportiva Nogueirense e Grupo de Cantares "A voz de Lorente".

 

 

ASPECTOS GEOGRÁFICOS

 

Nogueira é uma freguesia do concelho e distrito de Viana do Castelo, algo extensa e tem por vizinhas as freguesias de Amonde e Vilar de Murteda, a norte; Meixedo a leste; Torre a sudeste; Cardielos a sul e Outeiro, Perre e Portuzelo a ocidente. Tem por orago São João Baptista e é uma freguesia essencialmente agrícola, apesar de grande parte da população se dedicar, desde há muito tempo, à construção civil, mais propriamente à construção de estradas.

 

 

RESENHA HISTÓRICA 

 

O seu topónimo deriva da árvore de fruto com o mesmo nome, talvez por, em tempos muito remotos, ser aquele um lugar de passagem no qual existia uma evidenciada nogueira marcando o caminho.

Nogueira é detentora de um riquíssimo valor do ponto de vista arqueológico. Na serra da Aguieira, encontra-se o Castro e Castelo de São Martinho, fortificação das épocas castreja, romana e medieval. Da Idade do Ferro e da época Romana restam vestígios de muralhas pétreas e de um fosso, assim como de algumas casas. Foram achados variados objectos durante as escavações e investigações, tais como: tégula, ímbrex, dois fragmentos de "sigillata hispânica" da romanização, assim como algum material castrejo composto por panelas com asa interior, púcaros e potes. Também da época romana, evidenciando a actividade mineira, foram encontradas pequenas picaretas e lâmpadas de barro que podem ser as tão características lucernas romanas, (ver: Proto-História e Romanização - Carlos A. Brochado de Almeida, Viana, 1990).

Na Idade Média, foi assente um Castelo, ali no cerro, pelas suas vantagens  geográficas do ponto de vista estratégico-militar.

Da época proto-histórica foram achadas, em meados deste século, pelo arqueólogo  Coronel Afonso do Paço, gravuras rupestres no Penedo da Moura.

A tradição popular faz alusão à existência de um antigo convento, desaparecido,  na chamada "Bouça das Freiras". Este assunto suscita tantas dúvidas quanto à sua  origem como à sua existência. No entanto, são ali visíveis restos de "construções  soterradas" assim como duas sepulturas cavadas na rocha, de cronologia alto-medieval.

Do ponto de vista eclesiástico, Nogueira integra desde 1836 a então exímia  freguesia de São Cláudio de Nogueira. A sua designação nos finais do século XIX era  de "Nogueira e São Cláudio". Situada no lugar do Outeiro, a igreja românica de São  Cláudio está classificada, desde 1910, como "Monumento Nacional", pois, apesar  das suas modestas dimensões, conserva preciosos testemunhos dos primórdios  arquitectónicos do românico beneditino, datável de meados do século XII. No lado  direito da porta principal, encontra-se uma inscrição datada de 1201, alusiva à  consagração da igreja pelo bispo de Tui, D. Pedro Mendes.

Ainda no que diz respeito à história da Freguesia, no Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, pode ler-se textualmente:

«Em 1258 a igreja de São João de Nogueira figurava entre as igrejas do bispado de Tui situadas no território de Entre Lima e Minho.

Em 1320 foi taxada em apenas 70 libras, como se encontra registado no Livro Branco da Sé de Coimbra (fls. 22v-25v). E, em 1546, no Memorial feito pelo vigário da comarca de Valença, Rui Fagundes, durante o arcebispado de D. Manuel de Sousa, foi avaliada em 23 réis.

No Censual de D. Frei Baltasar Limpo (1551-1581), elaborado para apuramento da situação canónica dos benefícios eclesiásticos da comarca de Valença, São João de Nogueira vem mencionada como sendo da apresentação de padroeiros.

Refere também este mesmo documento que o arcebispo D. Diogo de Sousa havia confirmado a doação do padroado desta igreja feita por várias pessoas a João Rodrigues Vieira, de Viana, a quem passara a competir a apresentação.»

 

 

IGREJA ROMÂNICA DE S. CLÁUDIO

 

Esta igreja de um antigo mosteiro beneditino, classificada como Monumento Nacional desde 16 de Junho de 1910, é um notável exemplar de arquitectura românica, salientando-se pela diversidade de soluções decorativas que apresenta, reflexo dos sucessivos restauros e ampliações que ao longo dos tempos foi sofrendo. Tendo uma planta bastante comum, com uma única nave ,encabeçada por uma capela-mor em forma de rectângulo alongado esta igreja apresenta soluções arquitectónica muito sóbrias, com três portais sem colunas e uma gramática decorativa que, à excepção dos cachorros, apresenta paralelismo com a região bracarense, concretamente com as igrejas de Bravães, Arões e Sé de Braga. Além da cachorrada, bastante expressiva e denotando influências galegas, destaca-se ainda o tímpano da porta principal, decorado com uma cruz vasada ladeada por dois zoomorfos, bem como uma epígrafe que refere o ano 1201 como a data em que o templo foi sagrado pelo Bispo de Tui, D. Pedro. Embora se desconheça o momento preciso da edificação do arco-cruzeiro, com arremedos de arte moçárabe, parecem querer dizer-nos que existiu outro edifício, anterior àquele que o Bispo de Tui sagrou nos alvores do séc. XII. Também a época gótica terá sido responsável por algumas das modificações que a igreja sofreu, nomeadamente ao nível da nave e da capela-mor e que se encontram documentadas por uma grande quantidade de siglas dessa época. A estas sucessivas transformações não terá sido alheio o enorme desenvolvimento que a Bacia do rio Lima sofreu na Idade Média e que foi responsável pelo aumento do poder económico dos mosteiros, permitindo-lhes a construção de novos templos ou a ampliação dos já existentes.

É sabido que a conservação deste templo compete ao Estado que o declarou "monumento nacional" em 16/10/1910, com zona de protecção. Fazendo-se porta-voz de chamadas de atenção de visitantes, o Pároco e os Festeiros iam avisando a D.R.M.N. da ruína iminente dos telhados, até que em 11/10/2000 essa Direcção do Porto participa que tinha já elaborado a lista das patologias verificadas. Quanto a uma intervenção, mais que urgente, nada diziam. Diante de um Inverno rigoroso, o Pároco alertou o IPPAR em 17/01/2001 e retirou as imagens (4) para a Igreja. Poucos dias depois aconteceu a mais previsível queda das estruturas da madeira dos telhados. Em 9 de Março de 2001 um técnico da D.G.M.N. vem verificar as consequências, sendo esperada no local pelo Presidente da Junta e pelo Pároco. E então, perante os factos, foi decidida uma intervenção há muito pedida, de tal modo que a 03/08/2001 a obra de reposição do telhado foi adjudicada a Alfredo Carvalhido, Lda, que em 07/05/2002 deu a empreitada como finda. Ficou assim sem celebração a passagem do 8° centenário da sagração pelo Bispo de Tui que seria em 1201, a acreditar no cronista Frei Leão de S. Tomás (Conf. Em Beneditina Lusitana, Trat.II, Parte II,Cap. XXX). Entretanto, para celebrar a entrada no 3° milénio, a Fundação Calouste Gulbenkian e uma congénere de Pontevedra promovem uma exposição e a publicação de um conjunto de estudos sobre o tema "Românico - Em Portugal e Galiza" onde Manuel Luís Leal, do Arquivo Histórico do Porto, propõe para data de edificação da capela-mor um ano perto de 1145 como se pode concluir pela observação da empena exterior dessa capela. Espera-se que não esqueça a continuação das benfeitorias prometidas, a começar pelas portas, estudo arqueológico do espaço que foi adro e cemitério, bem como a drenagem desse espaço e do interior da igreja.

 

Inventário do Património Arquitectónico

Em http://www.monumentos.pt

Informações detalhadas acerca de:


Capela de Nossa Senhora da Conceição da Rocha

Cruzeiro Paroquial de Nogueira
Igreja Paroquial de Nogueira / Igreja de São João Baptista

Igreja de São Cláudio
 

( Fonte consultada: Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, Boletim Informativo de Nogueira nº 1 e 2 e Direcção -Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)


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