PORTUGAL:  ALTO MINHO - DISTRITO DE  VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE VIANA DO CASTELO - FREGUESIA DE  MAZAREFES


TOPONÍMIA

 

INTRODUÇÃO

 

Mazarefes é uma das quarenta freguesias do concelho de Viana do Castelo, cidade que é simultaneamente capital do distrito do Alto Minho. Esta freguesia dista da sede do concelho cerca de seis quilómetros e tem uma  área aproximada de 3,69 Km2 [1]. Situa-se na margem esquerda do rio Lima, a sul de Viana do Castelo. Confrontam: a norte o rio Lima; a sul a freguesia de Vila Fria e Vila Nova de Anha; a este a freguesia de Vila Franca e a oeste a Vila de Darque.

Sabe-se que Mazarefes data de tempos remotíssimos, não se podendo, contudo, precisar a data. Já  existia muito antes da fundação da nacionalidade, mas não no local que hoje ocupa, nem mesmo com o actual nome.

Em tempos chamava-se S. Simão da Junqueira de Mazarefes e ficava situada à margem do curso do Rio Lima, no espaço que hoje forma a Veiga de S. Simão. A escolha de S. Simão para padroeiro tem a sua lógica, ao darmos fé de uma povoação ribeirinha. Já  nesse tempo havia muito junco no local, principalmente nas partes baixas e húmidas, daí o nome Junqueira. “Ittem freguezia de Sam Simon de Junqueira Mazarefes he provado que he couto de antaltares, per marcos e per divisões” [2].

A origem do topónimo Mazarefes, segundo algumas opiniões, parece residir no vocábulo  árabe “ZARAFA” [3] que significa: lindo, gracioso, belo. Retirando a nossa expressão bairrista, sendo assim, a justificação é evidente, pois trata-se realmente de uma  área de rara beleza.

Segundo o professor Batalha Gouveia: “Mazarefes é uma graciosa freguesia do concelho de Viana do Castelo, estando situada na margem esquerda do rio Lima.

O topónimo Mazarefes aparenta ser a prosódia moçárabe dos temas alatinados masa e ripa que irão ser objecto de investigação.

O nosso remoto ancestral, imbuído já  de um forte espírito religioso, transportou para a Terra o “habitat” dos deuses, escolhendo para tal fim o cimo de altos montes como é o caso do Olimpo grego. Nas  áreas mais ou menos planas desses elevados cumes construiu aquilo que passaria a designar por “Templo” (latim Templum), um metaplasmo do ligúrico - latino tabulu significativo de “mesa” (tab) do “monte” (ulu).

Sabe-se que a palavra latina Templum era originariamente um termo da linguagem augural, denominando um espaço no interior do qual o sacerdote recolhia e interpretava os presságios. Por extensão, o termo “Templum” envolveu a acepção de lugar consagrado na Terra dos deuses, ou seja, o primitivo santuário.

O templo latino dispunha de uma abóbada interior que prefigurava o céu. Essa abóbada tinha o nome de etrusco de munthu de que se originou o latim mundus, matriz do português mundo. Além de mundus, o termo etrusco de munthu fonetizou-se ainda em Manthu de que derivam os vocábulos ibéricos manto e manta. Em latim, a dicção manthu designava também um adorno feminino como que a imitar o “manto cósmico” que com os astros adornam o céu. Manthu passou assim a estar conotado com a “casa divina”, advindo dela o latim mansioonis, representando no picardo mason, no normando maison, no provençal mazo, no espanhol mesón e no português mansão. Em português arcaico o provençal mazo passou à variante maza enquanto que o espanhol mesón passou a soar mesão entre nós. O sentido primitivo de mesão está  ainda presente no velho adágio: “Lá  vais ao Mesão (casão) onde te querem a mulher e o varão não.”

O segundo tema aglutinado no Topónimo MAZAREFES - ripa -, significa em latim “margem do rio”. De ripa, “riba”, originou-se a palavra riparia matriz do português ribeira. Por sua vez, o latim ripa entrou nas falas arábicas sob a prosódia ar-rif e com o mesmo sentido.

No importante livro do distinto arabista David Lopes - NOMES ÁRABES DE TERRAS PORTUGUESAS -, lê-se o seguinte no que respeita à palavra rif: “Arrife (de ar-rif): A orla marítima, à beira do mar ou do rio. Do arrife da Península nos fala assim Ibne Adari: No ano de 245 vieram os Normandos piratear na costa do ocidente (Espanha) em 62 navios, mas encontraram-no vigiado por navios de muçulmanos, desde as costas de França até às da Galiza. Os muçulmanos perseguiram e tomaram dois destes navios, e os restantes navios dos Normandos fugiram pelo arrife até chegarem à foz do Guadalquivir.”

Donde procederá  o  árabe rif? Tudo leva a crer tratar-se de uma importação  árabe do latim Ripa, “na margem do rio”. Esta dedução concorda com a do outro arabista brasileiro, Miguel Nimer (Influências Orientais na Língua Portuguesa, I vol. N.º 159), o qual citando o GRANDE DICIONARIO BUSTANI - KITABU MUHITI IMUHIT (Oceano dos Oceanos), é de opinião que o  árabe rif seja arabização do latim ripa.

De tudo quanto precede extrai-se a natural conclusão de que o Topónimo MAZAREFES significava, aquando da sua formação lexical, “Mansão da beira rio” [4].

Por seu lado A Almeida Fernandes afirma que o topónimo Mazarefes é nitidamente arábico: pela terminação –es, um plural significativo de família aqui estabelecida (moçárabes ou muladis), sentindo que na mesma localidade, se repete em Safrões (Çafarões). E este arabismo corrobora-se com vários outros depoimentos toponímicos neste extremo do Lima, tal como havia indicado em Darque. Além disso, os topónimos arábicos, não são poucos no concelho de Viana do Castelo – sendo Mazarefes o mais representativo agora apenas pelo seu destino de designação paroquial, ou hoje de freguesia[5] . 

A testemunhar esta povoação ribeirinha de S. Simão da Junqueira de Mazarefes confirma-se através do aparecimento de tijolos, pedras, fragmentos de cerâmica, uma canoa, etc. e ainda pela capela de S. Simão aí existente. Esta, não é a primitiva, tendo a actual sido reconstruída sobre os escombros.

Apesar de um dia termos escrito que a origem de Mazarefes e a data da sua fundação estavam perdidas no tempo, fica-nos, porém, a certeza de que estas terras, no século X, pertenciam ao reino de Leão: “... A maior noticia, que achamos da sua antiguidade, he a seguinte. Reynando em Leao o gotoso Bermudo o Segundo no anno do Senhor 985. fez doação ao Conde Dom Tello, & a sua mulher Dona Munia da familia dos Eliotins, (apellido illustre entre os Godos de Espanha) dos Coutos de Mazarefes, pouco acima de Viana, Comarca de Barcelos, & dos de Paradella, Castro, & casaes de Freyris, & Santiago da Gimieira, terrmo de Ponte de Lima; o que devia ser pelos muitos serviços, que lhe faria nas guerras, que teve com Dom Ramiro o Terceiro, em cuja opposiçao já  se appellidava Rey em sua vida, & nas dos Mouros, a quem por esta terra venceo com felices batalhas. Vendo-se os Condes sem successao, que lhes herdasse os muitos bens que tinhao, doarao estes Coutos, & Padroados desta Igreja, & da de Mazarefes com todos seus emolumentos (como fazenda propria) ao Mosteiro de S.Payo de Antealtares da Ordem de Sao Bento de Compostella em Galliza...” [6]

Através de dois documentos inéditos, anteriores à nacionalidade [7], poder-se-á  afirmar que no ano de 985, era de 1023, o rei de Leão, D. Bermudo II (982-999), achando-se reunido na sua corte, aos três dias do mês de Junho, com os bispos Oiliulfo, Hermenegildo, Pelágio, Armentário, Adreito Pelágio, bispo de Coimbra, Mendo Mendes, dux, Soeiro Rodrigues, dux, e outros mais dignitários, testemunharam a doação que o Conde D.Telo e sua mulher Condessa D. Muma, faziam à ordem de S.Bento, mosteiro de S. Paio de Ante-Altares, dos Coutos de Mazarefes e Paradela, em S. João da Ribeira (?) , metade das terras de Castro e dos Casais de Freiris, em Santiago de Gemieira. Não tendo este fidalgo geração que viesse a herdar estas terras, resolveram doar os coutos e as herdades, com os padroados das respectivas Igrejas à referida Congregação de S. Paio de Ante-Altares, constituída pelos monges beneditinos de S. Tiago de Compostela. Por isso se chama a ordem de S. Bento.

“Numa evocação histórica não nos custa imaginar o Conde Dom Telo, velho, talvez, - preparava a sua entrada no céu... -, ao lado de Dona Muma, de cabelos brancos, e arranhando o grande pergaminho estatelado sobre a mesa, o hoje incógnito notário escrevendo” tão notável e inédito documento. Em letra gótica, no seu “bárbaro latim”, começa assim o documento: "In nomine patris et filii et spiritus sancti qui est in trinitate unus et verus deus...”. Na tradução presente, prossegue: “... eu, Telo, da antiga família Alolte, juntamente com minha esposa Dona Muma, a vós Deus poderoso e redentor, aos santos triunfadores, aos gloriosíssimos mártires de Deus, e ao seu Apóstolo S.Tiago, a Pedro, abade, e a toda a sua congregação, chamada mosteiro de Ante-Altares, e que residem junto ao túmulo do Apóstolo de Deus em milícia regular e comunidade, enquanto permanecerem na mesma monástica vida, e àqueles que nela venham a viver, concedo as vilas que tenho por herança de meus pais e avós...”. A terminar o extenso documento, onde ficariam descritos todos os bens e rendimentos, D. Bermudo II confirmou aquela doação por estes termos: “Em nome do Senhor, eu, Bermudo, por graça divina Rei, confirmo o voto e holocausto de meu Dux”.

Com a legalidade deste documento, os monges de Ante-Altares, entraram na posse destas terras.

Em Março de 1063, rogaram ao rei D.Fernando de Leão que lhes privilegiasse as possessões da Ribeira Lima, a fim de constituírem um cenóbio no Couto de Mazarefes. Esta posição dos monges vem na sequência do referido monarca se ter lembrado de doar estas terras a um João Meyra. Pensava o rei, que fácil seria aprazar tais bens, face à pouca força dos frades bentos. Mas a realidade era bem outra!

Persistentes nos seus direitos resolveram um dia, em Compostela, cercar D. Fernando. O monarca viu-se rodeado da comunidade beneditina, com o abade, Sangilo, à frente, tudo sob o comando do bispo de Santiago, D. Crescónio, a pedir-lhe que lhes coutasse as terras que lhes legara o Conde D. Telo. “Em sérios apuros se viu o magno rei, e ele, que diante de uma chusma de mouros não recuara, hesitou, não soube dizer que não; mas, achando uma porta falsa que lhe desse saída da embaraçosa situação, solenemente prometeu que se lhe fizessem este pedido na vila dos Arcos, de boa vontade anuiria ao seu pedido”, o que veio a acontecer precisamente no ano de 1063 (era de César de 1101), quando D. Fernando se encontrava em terras portucalenses. Mal souberam da presença do rei, enviaram Hermenegildo e Jorge, entre outros, para o lembrarem da promessa.

“El-Rei não tardou em restituir aos religiosos as terras que lhes roubara...”.

Porque palavra de rei não poderia voltar atrás, naquela segunda-feira, três de Março, lavrou-se o auto da instituição em coutos das “vilas” doadas por D. Telo. Este diploma foi assinado por D.Fernando, a rainha D. Sancha, os infantes D. Sancho Fernandes e D. Afonso, os bispos de Leão e Santiago, D. Payo e D. Crescónio, e por último Nuno Soares, Fernão Joanes, Nuno Vasques, entre outros grandes da corte.

A Ordem Beneditina conservou tranquilamente as suas possessões em terras da Ribeira Lima, sem embargos, por longos anos. Senhores destas terras, em breve, começaram os monges a exercer aqui o seu domínio, edificando um cenóbio de que apenas restam alguns vestígios. O Pe. Artur Coutinho escreveu um dia “que apenas restam vestígios, como uma extensa muralha, um paredão que formava um dos lados do referido convento, vários tijolos, pedras lavradas e algumas das inscrições que hoje se encontram no Paço, devem ser dessa época”. O que é certo é que o povo de Mazarefes assistiu apático à destruição do citado paredão, caindo por terra a defesa do património artístico e cultural da freguesia. Apesar da autarquia ter sido alertada para tal atentado, nada fez, remetendo responsabilidades para o direito à propriedade, como desculpa para sua inércia.

 ******

 

Do interessante levantamento toponímico efectuado pelo Pe. Artur Rodrigues Coutinho, transcrevemos na íntegra o seu trabalho publicado no rodapé do jornal “Notícias de Viana” – Serão n.º 225, dirigido por José Rosa Araújo, como forma de, amanhã, facilitar eventuais atribuições toponímicas a artérias da freguesia, já que estão a surgir novos loteamentos e consequentes vias. Alguns topónimos já estão atribuídos.

 Campos, bouças e caminhos: Senras, Souto d’Abade, Chouso, Sousos, Muros, Fornos, Infesta, Bispa, Salôa, Casal, Vermoim de Baixo e de Cima, Campo Novo, Carvalhais, Testados, Fontela de Cima e Fontela de Baixo, Termo, Moradas, Casinha, Cabaninha, Agrinhas, Lamas, João Velho, Lavradio, Redondo, Funtão, Eirado, Campo do Miguel, Milhão, Limoeiro, Souto, Capotas, Boas-Novas, Fonte Branca, Sapagal, Olival, Quinta do Bicho, Prezas, Quinta da Boavista, Quinta da Borralheira, Carriça, Cabreiras, Bouça do Malhado, Regada, Aterro, Broeira, Campo de Baixo, Monte do Ribeiro, Fonte dos Anjinhos, Preza da Fonte Branca, Salgueiral, Betoca, Bouça da Castela, Alferes, Lombada, Calvário, Tapada, Altozinho, Gabriel, Bate-Estacas, Campo das Oliveiras, Alto do Cerqueira, Fritosa, Tomon, Bouça da Forneira, Montezelo, Bouça dos Baetas, Bouça do Cetra, Bouça do Cabaço, Bouça da Terra, Bouça da Formiga, Caminho das Travessas, Bouça da Renda, Caminho do Conde, Ribeiro, Alto, Campo da Marta, Outeiro, Outeirinho, Bouça da Marta, Varziela, Campo do Franco, Deveza, Fojos, Carneçaria, Paço, Quinta do Paço, Caminho Novo, Caminho Velho, Campo da Teima, S. Bento, Horta, Campo do Paço, Cortinhas, Moleca, Cortinhais, Arjão, Campinho, Vinha d’Arga, Fojos, Testados, Mata, Breias, Agras, Cebe, Coibinos, Regada, Lavandeiras, Amadorna, Bouça das Borras, Serrobada, Passal (Paçal), Corgas, Roncal, Estacada, Retorta, Queimada, Testados das Amieiras, Lavradio, Espinhal, Junqueira, Junqueirinha, Sítio da Perua, Pedrinha, Calvete, Carrilo, Gregórias, Torre, Porta da Couta, Veiga de Santa Marta, Campo da Veiga, Peres, Deveza das Cabreiras, Quinta do Mariano, S. Joane, Pomar, Laranjal, Chastre, Novas, Congosta, Codeçal, Campo do Tio, Quinta do Sol, Cabacinha, Caminho do Limoeiro, Donana (D. Ana), Carreja, Prezas, Codeceda, Água de Lima, Amial (Ameal), Boldrões, Caramuja, Cachada, Espadanais, Estacadinha, Fontinhas, Funtões, Lagoa, Melo, Raindos, Safrões, Ponta da Veiga, Préguinho, Caminho do Comendador, Areia Cega, Pinhais, Serrobada, Milhão, Entre Bouças, Milheiras, Bois, Portos, Beltrão, Lisboa, Pascoal, Roncal, Rio Covo, Bouça de Domingos Vaz, Riba, Campo da Morta, Mouro, Raposeira, Cachadinha, Janeiro, Boucinha, Quinta do Magalhães, Quinta de Baixo e Quinta de Cima.

Lugares: Monte, Conchada, Regadia, Ferrais, Veiga de S. Simão, Ermígio, Namorada, Eira, Redondelo, Repeidade, Lugar de Baixo, Moradas, Souto, Senhora, Penas, Boas-Novas, S. Bento. 

 

Porfírio Pereira da Silva

http://porfirio.home.sapo.pt

 

 mapa da freguesia

 

N.º

Nome de Rua, Calçada, Beco ou Largo

Dados biográficos

ou toponímicos

Lugar

1

Avenida da Conchada

 

Topónimo local. Um dos topónimos mais antigos da freguesia, atribuído, agora, ao troço da E.N. n.º 308 que vai do quilómetro 0,2 (perto do cruzamento da E.N.n.º 13) ao quilómetro 1,2 (no cruzamento com a E.M. – hoje Rua Nossa Senhora das Boas Novas).

Norberto Gonzaga, em artigo publicado no “Arquivo do Alto Minho”, Vol. I, com o título “Os três Santos de Mazarefes” faz referência a tal facto, quando escreve: “Dos lugares que constituem é o do Monte um dos mais recentes e o mais antigo o da Conchada. Aqui se elevou, entre o finar do século X e os primórdios do seguinte, a capelinha a S. Bento, algum tempo antes, portanto, da fundação do mosteiro...” – antecedendo com uma interessante revelação: “Já  em 985 o nome de Mazarefes nos aparece escrito, sendo provavelmente a mais remota das freguesias, a par da Senhora das Areias”.

É evidente que o lugar da Conchada a que se refere é o que hoje é denominado de Ferrais, enquanto o do Monte tomou (erradamente) o topónimo de Conchada – do latim, o feminino de conchado, em forma de concha: Conchatus. Limite: Início – Avenida do Monte / Fim – Largo do Armazém do Sal (Darque).

Conchada

 

2

Rua Extremo da Ola

 

Topónimo atribuído face à confinação com o Monte da Ola, freguesias de Vila Nova de Anha e Vila Fria (<lat. Olla, formado de aula, a oficina desse artefacto – panela de barro ou vaso similar). Contudo, A. Almeida Fernandes (Cadernos Vianenses, Tomo IV, pp. 296-297) diz-nos que para se averiguar o sentido, parece-nos indispensável de facto, atender ao topónimo Olo (fig. do c. Amarante), 1258 Orlo IS 1157 e 1377 – um século, ou menos, depois, já Ollo SS 368 e 369 (com coalescência da proposição «de», Dollo, indubitavelmente). Cp. O topónimo Melo, 1258 Merloo IS 765 e 808> Mello. A origem de Olo parece, assim, estar num masculino de «olla» <orla <lat. Orula (com «orla» restaurada por via erudita). O primeiro daqueles documentos pareceria, à primeira vista, ser topográfico, embora se não defina bem em que aspecto, mas talvez no sentido de beira ou cerca. Ora, neste caso, é o melhor levá-lo para a fortificação castreja – uma orla, digamos, de muro. Isto concorda mesmo com as expressões complexas Outeiro da Ola e Monte da Ola, aliás aplicadas às vizinhanças do antigo Castro Mou, sobre S. Romão e Anha, etc.: expressões relativas, pois, a elevações, como o é também a de 1212 «et inde à cabeza de Olelas (Ollellas) LC 257. Cp., enfim, o fr. Orle, o it. Orlo, significativo de borda, beira, precipício.

E termina Almeida Fernandes: Na verdade, parece-me menos de entender uma designação devida a fabrico de olas ou de cerâmica vária, ou um local onde aparecia tal cerâmica, arqueológica. Limite: Início – Rua do Junqueiro (Vila Fria) / Fim – Rua Extremo da Ola (Vila Nova de Anha).

Conchada

 

3

Rua Projectada à Rua do Olival

Topónimo local. Proximidade à Rua do Olival. Permite, de futuro, a atribuição de um outro topónimo. Limite: Início – Rua Extremo da Ola / Fim – Rua do Olival.

Conchada

4

Rua do Olival

Topónimo local, já que aí existiu um grande olival. Ainda se podem ver algumas oliveiras a facear com a rua – do latim Olivetum. Limite: Início – Avenida da Conchada / Fim – Rua do Limão.

Conchada

5

Rua do Limão

 

Para perpetuar o topónimo do antigo Lugar do Limão (Darque), confinante com o Lugar da Conchada – ao tempo do Monte (Mazarefes). Esta rua é metade de cada freguesia, tendo sido as obras de beneficiação feitas de parceria e a atribuição toponímica, de comum acordo. Apesar da tradição popular apontar para a existência de uma Quinta (do Limão, da Ló e agora do Vale do Monte – Turismo Rural) com grande plantação de limoeiros, não será de descorar a tese de A. Almeida Fernandes, quando a propósito do topónimo «Limão» para a freguesia de S. Lourenço da Montaria escreve: De maneira que me parece de encarar em Limão um antigo Limião (Limiano, derivado de Limia, a forma antiga de Lima): prédio de um Limiano ou de gente proveniente de Limia (assim chamada a região do Lima superior, na Galiza): cp. Limões <ant. Limianos, c.Ribeira de Pena. (Cadernos Vianenses, Tomo V, p. 203). Exemplos de designação individual são 1258 Pedro Limiano IS 300 e 1258 Domingos Limiano IS 480, isto é, «Limão» (Limião). O topónimo tem, pois, poucas probabilidades de ir além de familial – citamos A. Almeida Fernandes. Limite: Início – Rua do Limão (Darque) / Fim – Rua Extremo da Ola.

Conchada

 

6

Beco das Pinheiras

Topónimo atribuído ao local por inerência da alcunha de uma das mais antigas famílias do Lugar da Conchada. Negociantes de pinhas bravas, delas extraiam os pinhões para as sementeiras e vendiam as pinhas para aquecimento dos fornos das padarias – daí, o apelido das “Pinheiras”. É aí, nesse local, que os descendentes das «Pinheiras» construíram as suas habitações e o troço que dá acesso às referidas habitações sempre foi conhecido pelo “Caminho das Pinheiras”. A atribuição de «Beco» é por não ter saída. Limite: Início – Rua do Olival / Fim – Sem saída.

Conchada

7

Beco dos Lavandeiras

 

 

Um dos topónimos mais antigos neste local, tendo origem em apelido familiar. A referência ao “Sítio dos Lavandeiras” encontra-se em escrituras antigas e é um dos topónimos que faz parte da relação feita pelo Pe. Artur Coutinho (ver Introdução). Este troço dá acesso a duas habitações que foram construídas num dos topos de uma bouça que sempre foi conhecida pela “Bouça dos Lavandeiras”. Este apelido familiar ainda hoje continua, existindo a “casa-mãe” na Rua do Limão, hoje propriedade de José Barbosa Lavandeira e de sua esposa Deolinda Salgado da Silva Lavandeira, casa essa em cujo quintal estão colocados dois marcos de divisão com as freguesias de Darque e Vila Nova de Anha. Um dos marcos ostenta na parte superior a coroa, formando o conjunto de coroa e escudo, em alto relevo, a bandeira nacional que vigorou de 1830 a 1910. Limite: Início – Rua do Olival / Fim – Sem saída.

Conchada

8

Rua do Sol

 

Topónimo antigo. Do latim sol, sõlis. Pela excelente exposição ao Sol, antiga bouça na encosta do Monte do Calvário, aí seria construído um bairro e que os moradores baptizariam de “Bairro do Sol”. Daí, Rua do Sol, para perpetuar o topónimo e a vontade das gentes que aí construíram os seus lares. Limite: Início – Avenida da Conchada / Fim – Rua Extremo da Ola.

Conchada

 

9

Beco José Alves Ferreira

 

Filho de Manuel Alves Ferreira e de Emília Gonçalves Duro, nasceu na freguesia de Vila de Punhe, a 16 de Abril de 1910. Foi um dos mais famosos mestres canteiros do Templo de Santa Luzia, conhecido pelo “Zé da Emília”. Sempre considerou esta a obra da sua vida. Nunca se cansava de dizer que talvez tivesse subido o escadório aí umas catorze mil vezes.

Quando tinha 13 anos de idade, e porque os tempos eram difíceis, começou por trabalhar como pedreiro, passando mais tarde a canteiro quando atingiu os 18 anos de idade. Foi para Santa Luzia por três semanas e acabou por ficar 46 anos, até à data da sua aposentação.

Como a vida e os tempos eram difíceis, começou por dormir em Santa Luzia, acabando mais tarde por comprar uma bicicleta. Mas por pouco tempo gozou as delícias da pedalada, pois como estávamos no período da guerra, os materiais para consertar a referida bicicleta tornavam-se cada vez mais caros, o que o levou a andar de novo a pé, Durante quinze anos fez o percurso a pé de Mazarefes para Santa Luzia e vice-versa. Fazia-o em cerca de uma hora até à Igreja do Carmo, e depois mais meia-hora até ao Santuário, utilizando sempre o escadório, que dizia em tom irónico ter lá degraus gastos por si.

José Alves Ferreira estabeleceu-se em Mazarefes em 6 de Fevereiro de 1934, altura em que contrairia matrimónio com Rosa Ferreira Torres, filha de Manuel Ferreira Torres (Ver Rua com seu nome), natural desta freguesia, falecida a 25 de Dezembro de 1991.

Este ilustre canteiro sempre trazia à memória o fontenário existente no Carmo, que a Câmara Municipal para abrir a estrada havia de o desmantelar para o montar em Santa Luzia e que está colocado mesmo junto ao Hotel da mesma estância; a mudança do coreto de Santa Luzia para o Jardim D. Fernando e corte das austrálias que estavam junto ao referido coreto; a destruição de um lago com peixes que, na mudança, haviam de morrer, etc.

Quando foi trabalhar para Santa Luzia procediam-se às fundações da torre do elevador até à torre de trás.

Reformou-se em 1975 e dizia-se amargurado pela desenfreada e constante demolição de prédios em cantaria, precisamente quando se apelava à preservação do património.

Para além da vida passada no Templo – qual pedra não teria sido cinzelada por si –, destacamos algumas das suas obras, que ia fazendo nas horas vagas: Orientação da última remodelação do escadório de Santa Luzia; primeira restauração da Igreja Paroquial de Alvarães (frontaria, torre, etc.); pia de baptismo da Igreja de Dem; pia de baptismo da Igreja de Mazarefes, além de várias pirâmides, cruzes e peanhas; imagem de Nossa Senhora da Assunção (em mármore) em Riba d’Âncora; imagem do Coração de Jesus – S. Estevão da Facha (Ponte de Lima); Nicho de S. Bento, na Quinta do Paço de Mazarefes; Nicho de Nossa Senhora dos Caminhos, em Mazarefes; arranjo do fontenário junto à Igreja Paroquial de Mazarefes; 6 peanhas para os altares da Igreja de Poiares, no concelho de Ponte de Lima, etc.

Faleceu a 18 de Agosto de 2001 e está sepultado no cemitério de Mazarefes. Limite: Início – Rua do Sol / Fim – Sem saída.

Conchada

10

Rua do Bate-Estacas

Topónimo Local. Inicialmente denominada de “Projectada à Avenida da Conchada. Esta artéria era conhecida, antigamente, pelo “Caminho do Bate-Estacas” em virtude de dar acesso a um ribeiro com o mesmo nome e onde havia um lavadouro público, extinto no princípio dos anos oitenta, aquando do aparecimento da rede pública de abas-tecimento de água e, consequentemente, das máquinas de lavar. Este ribeiro e lavadouro (presentemente cobertos de silvas) ficam situados junto à linha dos caminhos de ferro, bem próximo dos limites com a freguesia de Darque. Há várias versões para este topónimo, mas as mais plausíveis são as duas que apontam no sentido de a linha do caminho de ferro, naquela zona, ter sido construída em cima de estacas, face à abundância de água o que torna o terreno pantanoso e à estacaria para criar o leito da nascente e conduzir a água ao lavadouro passando por baixo da linha do caminho de ferro através de um túnel para o outro lado em direcção à Quinta, junto à Estrada Velha e às Breias. Limite: Início – Avenida da Conchada / Fim – Rua Manuel Vaz Coutinho.

Conchada

11

Rua Manuel Ferreira Torres (Mira)

Topónimo de homenagem aos imigrantes da diáspora da Galiza e à profissão de fogueteiro. Filho de José Gonçalves da Torre (fogueteiro) e de Teresa Alves Ferreira (costureira) – casaram-se a 29 de Setembro de 1875, ambos com 30 anos de idade –, nasceu na freguesia de Mazarefes a 9 de Setembro de 1882 e foi baptizado a 14 desse mesmo mês e ano. Foram padrinhos Pe. José de Araújo Coutinho e Maria Pinta. Era neto paterno de António Gonçalves da Torre e de Rosa Maria Lopes, natural de Deocriste, e materno de Teresa Alves Ferreira, mãe solteira. Descendente de uma das famílias vindas da Galiza para fugir à guerra – daí a alcunha dos “Miras” –, foram dos primeiros habitantes deste local ermo da freguesia, já que este lugar, antes da alteração feita pelos anos sessenta do século XX, era conhecido pelo “Lugar do Monte”. Descendente de gente humilde e pobre, cedo recorreu ao fabrico artesanal de fósforos, sabão e foguetes, que vendia para sustento da numerosa família. Ainda hoje, os descendentes deste ilustre cidadão são apelidados pela alcunha de “Miras” (Ver Beco do Fogueteiro). Limite: Início – Avenida da Conchada / Fim – Sem saída.

Conchada

12

Beco do Fogueteiro

Topónimo local – Casinha do Fogueteiro. Estradão que dá acesso à única e pequena casa, hoje restaurada e habitada, e que foi uma pequena oficina do fogueteiro Manuel Ferreira Torres (Mira), de cuja rua, com o mesmo nome, parte o referido estradão. Limite: Início – Rua Manuel Ferreira Torres (Mira) / Fim – Sem saída.

Conchada

13

Beco das Castelas

Toponímia local que advém da Bouça da Castela (ou das Castelas – ainda hoje os que foram ou que ainda são proprietários destas bouças, são apelidados dos das «Castelas»). A propósito escreveu A. Almeida Fernandes, nos Cadernos Vianenses, Tomo VI, p. 326: Deve ter sido Bouça de Castela (sem artigo: ver Bouça do Gomes); e, quanto à antiguidade, ver Cortinha da Castela. Entendo pouco de crer antroponímico o elemento Castela; mais naturalmente arqueológico. Outra versão advém da mãe do Abade Matos, Antónia da Piedade de Passos Pereira Maciel, proprietária que foi duma das maiores áreas de bouça e terrenos existentes neste lugar, ser natural da freguesia de Castelo do Neiva e ter casado com Francisco António de Matos, natural desta freguesia de Mazarefes e, por inerência desse mesmo casamento, passou a ser a “Castela” – as “Castelas” por descendência (Ver Rua Abade Matos). Limite: Início – Rua Manuel Ferreira Torres (Mira) / Fim – Sem saída.

Conchada

14

Rua Projectada de Bonsuínhos

Topónimo local (Ver Rua de Bonsuínhos). Denominada de Projectada para que, de futuro, se possa atribuir outro topónimo. Limite: Início – Rua das Travessas / Fim – Rua Manuel Ferreira Torres (Mira).

Conchada

15

Beco das Travessas

Topónimo atribuído a uma reentrância viária num loteamento que faceia com a Rua das Travessas. Limite: Início – Rua das Travessas / Fim – Sem saída.

Conchada

16

Rua das Travessas

 

Topónimo antigo. Do nome comum «travessa», mas não em qualquer das acepções actuais. Aparecem «leiras travessas» (1068, Lid. Fid. 247; PMH–Inq. 370º); «casa travessa» (1070 PHM–Dip. 492) e «paço travesso» (1132, DMP–Rég. 346), «rego travesso» (1258, PHM–Inq. 370); e ainda «travessa donega» (1068, L. Fid. 243) e «travessa» como propriedade individual: 1061 «fore in longo in ilas travessas de Donon Eriguiz (PHM –Dip. 430), e no sentido de passagem por montes: 1258, «am a guardar as travessas do monte» (PHM–Inq. 375) –  A Almeida Fernandes, Roteiro de Viana, 1975.

Antigo “Caminho das Travessas”, caminho transversal que faz fronteira com a freguesia de Vila Fria. Do latim «2. Rua ou caminho transversal: via transversa, Liv.; transversus trames, Liv. (cf. Viela) 3. V. travessia». Na actual delimitação da freguesia, esta rua funciona como limite com a freguesia de Vila Fria, apesar de os marcos obliquarem aqui e acolá. Limite: Início – Rua Extremo da Ola / Fim – Rua de Bonsuínhos e Rua Agostinho Paulino.

Conchada

 

17

Rua de Bonsuínhos

 

Topónimo antigo. Este topónimo é um fenómeno degenerativo na linguagem popular proveniente de Boucinhas ou Bouçoinhas, pequenas bouças. Segundo A. Almeida Fernandes (Toponímia de Ponte de Lima, Volume II, pág. 41) Boucinha, Boucinhas, outro diminutivo, com –inha, (< “ia” < -ina); Bouçoinhas, equivalente, mas de “bouçola” (bauzolina no lat. tabeliónico), derivado de “bouça” + ola, a comparar com “lairona” 1086 LF 121 (“leiroinha”), Casainho, Candainho, etc. (sincope do –l-); Bouço, derivado impróprio de “bouça” + ola (> -ao >-ó), ou de forma anterior; Boução e Bouções, aumentativo de “bouço”. Limite: Início – Avenida do Monte / Fim – Rua das Travessas e Rua Agostinho Paulino.

Conchada

 

18

Rua Agostinho Paulino

 

Agostinho Manuel Paulino nasceu em Arronches, Portalegre, Alentejo, a 16 de Fevereiro de 1912 e faleceu no Hospital de S. João, Porto, a 18 de Setembro de 1976, estando sepultado no Cemitério de Mazarefes.

Frequentou a Escola Industrial e Comercial de Portalegre, tendo vindo para Norte para ingressar nos Caminhos de Ferro e onde começou por ser chefe do Apeadeiro de Alvarães. Mais tarde é transferido para a área de cobranças (revisor), acabando a sua carreira nos Serviços Centrais da CP, na cidade do Porto, onde permaneceu durante oito anos, até à sua aposentação, com 63 anos de idade.

Foi um dos maiores impulsionadores do desporto, da cultura e do lazer em Mazarefes, estando, também, inteiramente ligado à construção do novo edifício da Casa do Povo, onde foi Presidente, quase até há data da sua morte. Limite: Início – Avenida do Monte / Fim – Rua das Travessas e Rua de Bonsuínhos.

Conchada

19

Rua Manuel Vaz Coutinho

 

Filho de Alexandre Rodrigues de Araújo Coutinho e de Maria Rodrigues da Torre, neto paterno de José Rodrigues de Araújo Coutinho e de Maria Rodrigues do Rego, e materno de José Rodrigues Vaz e de Maria Rodrigues da Torre, nasceu na freguesia de Mazarefes a 11 de Novembro de 1888 e foi baptizado no dia 14 do mesmo mês e ano, sendo padrinhos os avós maternos. Faleceu a 22 de Outubro de 1978, estando sepultado no Cemitério de Mazarefes. Muito novo foi para o Brasil onde viveu (Recife) cerca de meio século, tendo casado com uma alemã, que no Brasil se havia refugiado para fugir à guerra, não deixando, contudo, descendentes.

Foi um dos grandes beneméritos da freguesia. Para além de ter dado o terreno para ampliação da Escola Primária do Monte, ampliação essa que, infelizmente, não se viria a efectuar, pagou também, em 1973, 1200 (mil e duzentos) contos para o douramento da tribuna da Igreja Paroquial de Mazarefes, contribuindo assim para a defesa do património artístico da freguesia.

Segundo o Presidente da Junta de Freguesia da altura, Miguel Gonçalves Forte, era intenção de sua esposa Elisabete, de construir e subsidiar o funcionamento de uma cantina para fornecimento de uma refeição diária as crianças. Isto não veio se veio a concretizar porque a ampliação da Escola não foi necessária. Limite: Início – Avenida da Conchada / Fim – Rua Avelino Sousa e Avenida da Igreja.

Conchada

 

20

Calçada do Calvário

 

Topónimo local. Trata-se de uma devoção pós-medieva, tardia (séc. XVIII), em certos aspectos, – os cortejos ululantes e atridos, implorativos da misericórdia divina contra as pragas e calamidades naturais e humanas (clamores> «chamores», e «ladaeiros» <lat. Litanarios), com paralelismo total na Idade Média (esses mesmos clamores e litanarios, que originaram os topónimos Chamor, ou a sua variante, e Ladário, ou a sua variante popular mais perfeita). Os «calvários», sem alheamento dessa finalidade piedosa, tinham-na sobretudo de comemorar ou participar  nas cerimônias quaresmais, que culminavam na comemoração e «participação» na Paixão de Cristo, sobretudo a Via Sacra e, já antes desta devoção, a Procissão dos Passos.

É o ponto mais alto da freguesia, onde existem apenas dois cruzeiros e bases de outros. Foi aí que foi colocado o depósito de abastecimento de água. Limite: Início – Avenida da Conchada / Fim – Sem saída.

Conchada

 

21

Rua José Alves Pereira

 

José Alves Pereira, terceiro filho legítimo de António Pereira e de Clara Alves de Amorim, nasceu na freguesia de Mazarefes a 26 de Abril de 1921 e faleceu no Hospital de S. João, na cidade do Porto, a 10 de Maio de 1984, vítima de um acidente de trabalho, já que ele se dedicava à agricultura, fazendo de tudo um pouco nessa área: podava videiras, sulfatava (recordamos o célebre sulfato de cobre com cal), fazia enxertos, construía latadas de vinhas, participava no amanho das terras (sementeiras, tratamento e colheitas), etc. A sua morte deveu-se a uma queda, quando trabalhava em cima de um escadote.

José Alves Pereira era uma pessoa extrema-mente dedicada à freguesia, colaborando, a título gratuito, em tudo que fosse para o engrandecimento da terra. Era um dedicado e incansável devoto da Nossa Senhora das Boas Novas. Fez parte de várias instituições ligadas à paróquia. Limite: Início – Avenida da Conchada / Fim – Rua Manuel Vaz Coutinho.

Conchada

22

Rua Manuel da Silva Liquito

 

Filho de José Fernandes Liquito (deu nome ao «Beco José Liquito») e de Rosa Gonçalves da Silva, nasceu na freguesia de Mazarefes a 24 de Março de 1937. Foi o sétimo de oito irmãos (José, Maria, António, Albina, Manuel, Rosa, Manuel e Joaquim) que encontraram raiz no antigo Lugar das Penas.

Feita a instrução primária, e porque era normal na época, nada mais lhe restava que empreender um rumo à sua vida. Perante as dificuldades da época, não seria de estranhar o percurso imediato até chegar a aprendiz de carpinteiro, face à proximidade da matéria com que seu pai negociava. Foi também uma época de grandes necessidades nesta área laboral, movidas pela fonte de atracção da emigração para fora da Europa, nomea-damente África e Brasil. E o jovem Manuel da Silva Liquito não fugiu à regra.

Depois de uma curta passagem pela Empresa de Pesca de Viana, embarca para Moçambique em 1956. Era o primeiro passo na luta pela sobrevivência. Cumpre o serviço militar de 1958 a 1959, até que em 1960 parte para a África do Sul. Regressa a Portugal em 1964 e acaba por comprar o conhecido estabele-cimento da “Moagem Boa Nova”, misto de mercearia, moagem e materiais de construção.

A 24 de Abril de 1966 contrai matrimónio com a D. Zélia Peixoto da Costa, oriunda de uma das famílias mais conceituadas de Neiva (S. Romão). Face às exigências das suas novas responsabilidades como chefe de família, em 1973, faz uma reestruturação completa no seu negócio edificando os “Materiais de Cons-trução de Manuel da Silva Liquito”.

O infortúnio dos outros estabeleceria um novo desafio para Manuel da Silva Liquito, quando a 1 de Abril de 1981 estabelece sociedade com os “Pinheiro & Rocha e Reis, Lda.” Para tomar conta da Cerâmica de Barcelos de “Castro & Filhos, Lda.”. Como sócio maio-ritário é nomeado gerente e passa a fazer a penosa caminhada diária para Barcelos. E assim nasce a Fábrica Cerâmicas “Modelar” de Barcelos!

Atingidos os elevados níveis de produção pela sua perspicaz gestão, os outros sócios colocam nas suas mãos todos os destinos da fábrica, até que surgem os conflitos, movidos pela população vizinha, dada a alegada perturbação pública aquando da laboração da mesma fábrica. Foram períodos conturbados na vida de Manuel da Silva Liquito que, perante a agudeza dos populares vê-se forçado a aban-donar  temporariamente a gestão e a refugiar-se na terra que o viu nascer, junto da família. A 4 de Julho de 1987 é-lhe colocada e explode uma bomba de fraca potência na própria residência, enquanto o posto da GNR de Barcelos era alvejado por duas rajadas de metralhadora e pouco tempo depois sofre um atentado a tiros de pistola. Estes factos levá-lo-ão, anos mais tarde, a depor no tribunal de Monsanto, aquando do processo das FP-25 de Abril.

No campo desportivo foi dirigente do S. C. Vianense e sócio-fundador do Centro de Atletismo de Mazarefes (CAM), tendo sido seu presidente. No plano social, fez parte da Comissão Central de Angariação de Fundos para a construção do Seminário Diocesano de Viana do Castelo.

No campo político, logo após o 25 de Abril, é uma das pessoas escolhidas para fazer parte da Comissão Administrativa da freguesia de Mazarefes, que tomaria posse no dia 19 de Dezembro de 1974.  Foi presidente da Junta de Freguesia durante vários mandatos, inter-calando com José Vaz Coutinho. A ele se deve algumas obras de grande vulto, das quais salientamos a Sede da Junta, a Avenida da Igreja e implantação do Jardim de Infância, para além da nova Escola Primária.

Faleceu – ocupando, na altura, o lugar de Presidente da Junta de Freguesia de Mazarefes – a 12 de Junho de 1994, vítima de doença prolongada. Limite: Início – Rua Senhora das Boas Novas / Fim – Rua Avelino Sousa, Rua Maria Júlia Bourbon e Rua José Gonçalves Rato.  

Conchada

 

23

Rua Avelino Martins de Sousa

 

Filho de João Martins Vieira Júnior e de Ma-ria José Ribeiro Lima, nasceu na freguesia de Mazarefes a 10 de Agosto de 1892. Foi baptizado a 18 desse mesmo mês e ano, tendo sido padrinhos Pe. José António Ribeiro Lima e Maria Ribeiro Monteiro. Era neto paterno de Manuel José Vieira e Maria Ribeiro Monteiro e materno de António Alves de Brito e Maria José Meira Torres.

Durante vários anos foi membro da Comissão Fabriqueira, mas o facto mais relevante da sua vida liga-o à construção do edifício da Casa do Povo. Segundo vários testemunhos foi, sem dúvida, o maior impulsionador para que tal obra se realizasse. Foi ainda tesoureiro da Junta de Freguesia de Mazarefes de 1938 a 1942 e intercalando com José de Oliveira da Silva Reis, presidiu a esta mesma Junta de 1951 a 1955 e de 1964 a 1965, perfazendo três mandatos.

Homem benevolente deixou também marcas em donativos à paróquia, sendo de realçar nos períodos dos anos sessenta uma avultada verba de 100.000$00 (cem mil escudos) para restauro de Igreja Paroquial, entre outros de menor importância, mas que todos juntos fazem deles um dos maiores beneméritos da freguesia.

Faleceu solteiro, às 16 horas do dia 23 de Julho de 1972, sendo sepultado em Jazigo que havia mandado construir. Limite: Início – Avenida da Igreja / Fim – Rua Maria Júlia Bourbon, Rua Manuel da Silva Liquito e Rua José Gonçalves Rato.

Conchada

 

24

Rua da Estrada Velha

 

Antiga Estrada Real (Ver também Rua das Breias). Escreveu José Rosa Araújo no seu livro “Caminhos Velhos e Pontes de Viana e Ponte de Lima”: Se quiséssemos seguir para o Porto, logo defrontaríamos a fachada da fábrica de louça, ao pé do rio, aonde vinham as barcaças com barro de Lisboa – barracão ainda hoje visível, de onde saíram essas peças de encanto para os olhos, enlevo dos coleccionadores, fundada em 1774 e que veio a fechar as portas em 1885. Seguia a estrada por chão de areia até ao cruzeiro do cemitério de Darque e dali cortava para S. E. cortando a actual estrada pública. Ia passar em frente ao portal da Quinta da Estrela e obliquava para o rio, devendo sobre o seu leito estar construída a estação dos Caminhos de Ferro de Darque. Dali para a frente, no meio de bouças, ainda se distingue o largo caminho, vedado num e noutro pontos.

É fácil, segui-lo até uma fábrica de moagens já na freguesia de Mazarefes e dali em diante, até à Ponte Seca, na freguesia de Vila Fria deparava-se-nos uma bifurcação: o caminho que virava para o sul ia para o Porto e o outro, que rompia através de pinheirais, ia para Braga. [...]. Limite: Início – Avenida da Igreja / Fim – Rua da Malafaia (Darque) e Rua das Breias.

Ferrais

 

25

Rua das Breias

 

Topónimo local. Nitidamente a toponímia do nome comum arcaico «verea» <lat. Vereda que designava uma via de qualquer tipo (isto é, não tinha o restrito sentido do nosso vocábulo actual «vereda», de origem erudita): 906 «usque in estrada de vereda» DC 13, e 911 «via quam dicunt de vereda» LF 19 são exemplos em que «vereda», se não é já topónimo, começa a funcionar como tal (visto que com aquele nome ocorre a menção da via ou da estrada que originou essa mesma designação Vereda). Esta toponímia define nitidamente duas ou três vias. Uma atravessava a planície do sul do Lima (vindo de Braga ou de Portucale), pelos pontos Breia de Capareiros, Mujães, Vila Fria e Mazarefes, atravessava o «porto» de Darque-Viana e continuava, agora ao longo do litoral, entre o mar e a costa hercínica paralela, pelos pontos Sobreia («sô Verea, com «sô» <lat. Sub), na Areosa, e Breia em Carreço e Afife, em direcção à foz do Minho [...] A Almeida Fernandes. Cadernos Vianenses, Tomo IV, pp. 267-268. Esta rua cruza com a antiga Estrada Real – subentendesse Lugar das Breias, precisamente pela <lat. Vereda(s) que designava via(s) de qualquer tipo (Breias), como nos afirma Almeida Fernandes. Limite: Início – Avenida S. Nicolau / Fim – Rua da Estrada Velha e Rua da Malafaia (Darque).

Ferrais

 

26

Avenida de S. Nicolau

 

Actual padroeiro (patrono) da freguesia: Bispo de Mira (Dembre, na actual Turquia), celebrizou-se pelo zelo pastoral e pela sincera bondade que o levaram a obter milagres tanto em vida como depois da morte. Em 1087 as suas relíquias foram transferidas para Bari, na Itália. É dos santos mais populares da cristandade, mas não estão criticamente documentados quer o relato da sua vida quer o elenco dos seus milagres. S. Nicolau é um dos temas mais fecundos, sendo representado com as insígnias episcopais e com um livro (símbolo da sabedoria, de que teria dado provas no Concílio de Niceia) ou três jovens numa tina (por ele ressuscitados) ou com três bolsas (em memória do dote que deu a três donzelas para as livrar da desonra). Em Mazarefes, S. Nicolau aparece-nos com as insígnias episcopais e com o livro, tanto na imagem do altar como na de pedra, no nicho, a encimar a porta principal da igreja paroquial, com o seu nome.

Num documento de 1551, o paralelismo dos padroeiros e bem notório. Com o asso-reamento das partes baixas – a zona ribeirinha de S. Simão – e a consequente procura da então capela do Paço pode-se ler: S. Simão da Junqueira que às vezes também se chama de S. Nicolau de Mazarefes (Ver, também, Rua de S. Simão). Limite: Início – Estrada Nacional (Vila Franca) / Fim – Avenida da Estação (Darque).

Ferrais e Regadia

 

27

Beco do Paço

 

Toponímia local. A. Almeida Fernandes relaciona o topónimo «Paço» de facto, com fraca margem de erro, devem ser os casos de Capareiros (Couto arquiepiscopal por doação de nobres, 1126 LF 460, e 1258 IS 319), MAZAREFES (domínio condal no séc. X doado a um mosteiro galego pelo conde seu dono, 985 AP 150 e 1220 IS 229 e 1258 IS 315) [...] – Cadernos Vianenses, Tomo IV, p. 298. Limite: Início – Avenida de S. Nicolau/ Fim – Sem saída.

Ferrais

 

28

Rua da Escola Primária

 

 

 

Implantado o loteamento inicialmente deno-minado da “Celnorte” e mais tarde da “Portu-cel”, já que foi essa empresa de celulose que mandou construir o referido bairro para aí alojar os seus trabalhadores, impôs-se a construção de uma nova escola primária, que viria a ser inaugurada em 1989, para fazer face às necessidades estruturais. A partir de 2003 passa a funcionar, também, o Jardim de Infância, até então instalado nos baixos da Sede da Junta de Freguesia. Esta é a rua que dá acesso à referida Escola. Limite: Início – Rua Artur Pedro Silva Domingues e Beco do Mourão / Fim – Rua Artur Pedro Silva Domingues.

 

Ferrais

B. Portucel

29

Rua Artur Pedro da Silva Domingues

 

Nasceu na cidade de Lisboa a 13 de Abril de 1902 e faleceu na freguesia de Mazarefes, onde está sepultado, a 3 de Julho de 1979. Sendo um dos quadros de chefia da Secção de Mecânica dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, S.A.R.L., foi um dos inúmeros técnicos vindos de Lisboa para impulsionar a construção naval em Viana do Castelo. Embora não tenha deixado descendentes, é em Mazarefes que estabelece residência.

Foi presidente da Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Mazarefes até a realização de eleições livres para a Assembleia de Freguesia. Apesar do curto espaço de tempo que permaneceu à frente dos destinos de Mazarefes, procedeu a algumas obras de alargamento e limpeza de caminhos e solicitou um espaço – uma sala (onde hoje está instalado um consultório médico) – na Casa do Povo para funcionar como Sede da Junta de Freguesia, estrutura administrativa que, até então, funcionava na residência dos presidentes da Junta. Foi também presidente da Casa do Povo por várias vezes, tendo sido – num dos seus mandatos como presidente – lançada a primeira pedra, que daria lugar à construção do actual edifício, hoje sede da Associação local..

Além disso, foi um grande fomentador cultural e desportivo. Os primeiros passos do teatro em Mazarefes conheceram a sua mestria: Recuando no tempo e olhando o teatro que se fez, tenho de evocar aquele que não chegou a mostrar-se ao público depois de tantas noites perdidas pelos rapazes e raparigas de então. Refiro-me às duas peças encenadas pelo falecido Artur DominguesJosé Viana, in Boletim do GACDM, n.º 1, Julho de 1980. Limite: Início – Rua de Ferrais / Fim – Rua de Ferrais.

Ferrais

B. Portucel

 

30

Rua Francisco Rodrigues de Carvalho

 

Filho de João Rodrigues de Carvalho e de Ana Rodrigues de Matos, nasceu na freguesia de Mazarefes a 29 de Outubro de 1864 e faleceu na mesma freguesia a 15 de Março de 1943. Era neto paterno de Manuel Rodrigues de Carvalho e Maria Ribeiro da Silva e materno de Francisco de Araújo Coutinho e de Teresa Rodrigues de Matos. Seria baptizado na Igreja Paroquial de S. Nicolau de Mazarefes a 5 de Novembro de 1864, tendo sido padrinhos Francisco de Araújo Coutinho (avô materno) e Maria Ribeiro da Silva (avó paterna).

Foi Presidente da Junta de Freguesia de 1914 a 1918, precisamente no período da I Guerra Mundial. É durante o mandato deste ilustre mazarefense que, por sua proposta (em 16 de Agosto de 1914), se chama à atenção para o facto do actual cemitério público desta freguesia, sendo reduzido e acanhado, não podendo obedecer às exigências actuais desta freguesia, teria que ser ampliado; e para conservar e aproveitar a sua disposição interior, essa ampliação devia ser feita pelo lado do Norte Nascente e poente, adquirindo, ou expropriando-se se tanto for preciso, uma facha de terreno que déia ao cemitério a capacidade suficiente por aqueles três lados: pois que era a única forma de o tornar adequado às exigências da freguesia com o menor dispêndio – e se construíram os dois imponentes jazigos de granito. É, ainda, no seu mandato que se empedraram diversos caminhos, nomeadamente na Regadia e no antigo Lugar das Penas. Era um homem com uma visão futurista a ponto de ter lutado, até pela segurança dos cidadãos. Por proposta sua lutou pela passagem de nível com guarda: Que havendo nesta freguesia uma passagem de nível na via férrea sem ter guarda, e a fim de não termos, eventualmente a lamentar uma grande desgraça e que por isso tem estado prestes a dar-se; em virtude da referida passagem ser péssima [...] –   conforme se pode constatar pelas actas. Limite: Início – Rua de Ferrais / Fim – Rua Artur Pedro Silva Domingues.

Ferrais

B. Portucel

 

31

Rua José Rodrigues de Araújo Coutinho

 

Filho de José Rodrigues de Araújo Coutinho e de Maria Rodrigues do Rego – moradores no Lugar das Boas Novas, neto paterno de José Araújo Coutinho e de Maria Rodrigues de Carvalho, e materno de Francisco Rodrigues do Rego e de Maria Gonçalves Deira (da freguesia de S. Tiago de Anha), nasceu na freguesia de Mazarefes, a 20 de Novembro de 1858, tendo sido baptizado a 24 do mesmo mês e ano. Foram padrinhos de baptismo José da Silva Meira, casado com Ana Rodrigues de Carvalho da freguesia de S. Miguel de Vila Franca, e Maria Gonçalves Deira da freguesia de Anha, avó materna. Casou com Maria das Dores, de 23 anos de idade, filha de João Francisco dos Reis e de Maria das Dores de Araújo, a 30 de Outubro de 1880. Foram testemunhas deste casamento, que decorreu na igreja paroquial de S. Nicolau de Mazarefes, António Gonçalves Pitta e Manuel José Vieira.

Para além de ter sido presidente da Junta de Freguesia de 1932 a 1938, exerceu as profissões de Escrivão, Louvado e Juiz de Paz.

Faleceu a 14 de Março de 1946 e está sepultado no Cemitério Público de Mazarefes. Limite: Início – Rua de Ferrais / Fim – Rua Artur Pedro Silva Domingues.

Ferrais

B. Portucel

 

32

Rua José de Araújo Vaz Coutinho

  

Filho de Alexandre de Araújo Rodrigues Coutinho e de Maria da Torre, nasceu na freguesia de Mazarefes a 11 de Abril de 1886 e foi baptizado no dia 14 desse mesmo mês e ano, tendo sido padrinhos José Rodrigues Vaz (avô materno) e Maria Rodrigues do Rego (avó paterna). Eram avós paternos José Rodrigues de Araújo Coutinho e Maria Rodrigues do Rego e maternos José Rodrigues Vaz e Maria Rodrigues da Torre. Depois de completar o ensino primário em Mazarefes, ingressou no Liceu de Viana do Castelo, onde hoje está instalado o Governo Civil, para aí estudar até ao 5.º ano, acabando por desistir. Para isso contribuíram algumas questiúnculas com um professor da época, Pe. Fontinha, que o chegou a reprovar por três vezes. Até à sua entrada para cumprir o serviço militar no Regimento de Artilharia 5 de Viana do Castelo, onde concorreu e ficou apurado para o curso de sargentos, dedicou-se à lavoura, pois, na altura seu pai era um dos lavradores mais abastados da freguesia. Mesmo contrariando a sua vontade, a mãe acaba por o livrar do serviço militar... De novo para a lavoura, da lavoura para madeireiro e carpinteiro, assim começaram os primeiros passos deste vulto da freguesia. Para além de ter sido Presidente da Junta da Freguesia de Mazarefes por períodos intercalares entre 1942 e 1950, foi também Presidente da Casa do Povo, estando inteiramente ligado à cons-trução do novo edifício da Casa do Povo, precisamente quando outras freguesias como Darque e Vila Fria, procuravam chamar a si a sede desta instituição.

Faleceu a 10 de Outubro de 1955. Limite: Início – Rua de Ferrais / Fim – Rua Artur Pedro Silva Domingues.

Ferrais

B. Portucel

33

Rua Domingos Araújo Coutinho

Domingos Rodrigues de Araújo Coutinho, filho Manuel Rodrigues de Araújo Coutinho e de Rosa Ribeiro nasceu na freguesia de Mazarefes a 29 de Janeiro de 1882 e foi baptizado na igreja paroquial de S. Nicolau de Mazarefes a 2 de Fevereiro desse mesmo ano, tendo sido padrinhos Domingos Pereira Pinto e Maria Ribeiro da Silva, por isso chamavam-lhe o “Domingos do Pinto”, numa alusão clara ao seu padrinho de baptismo. Era neto paterno de José Pereira Pinto e Teresa Ribeiro, e materno de Jerónimo António de Matos e Maria Ribeiro da Silva. Foi feitor do Paço de Mazarefes. Foi presidente da Junta de Freguesia de Mazarefes por três vezes: em 1918; de 1923 a 1932; e de 1938 a 1942.

Faleceu às doze horas do dia 26 de Julho de 1958, no Lugar de Ferrais desta paróquia de Mazarefes, arciprestado de Viana do Castelo, arquidiocese de Braga [...], tendo recebido os sacramentos da santa igreja que lhe foram administrados por mim, pároco...  Segundo o Assento de Óbito (n.º 9 de 1958) Domingos Rodrigues de Araújo Coutinho, tinha 76 anos, era lavrador e viúvo. Limite: Início – Rua de Ferrais / Fim – Rua Artur Pedro Silva Domingues.

Ferrais

B. Portucel

34

Rua de Ferrais

 

Toponímia de «ferro» (< lat. ferru-). Alguns casos são profissionais (por alcunha e daí apelidos depois), como Ferrador, Ferrão, Ferrazes, Ferreiros e Ferreiras e até Ferros. Ferradores (ainda hoje existem famílias que são conhecidas e referenciadas como sendo dos “ferradores”, pelos seus antepassados terem sido ferreiros) de Mazarefes – Ferrais, como Lugar. Limite: Início – Avenida de S. Nicolau / Fim – Avenida da Igreja.   

Ferrais

B. Portucel

 

35

Avenida da Igreja

 

Topónimo comum a quase todas as freguesias. Esta toponímia é, em geral, recente, apesar de haver localidades com essa designação remota (sobretudo se se tratava de um pequeno templo, «egrejó» <ecclesiola, e daí Grijó e, nesta toponímia, Cajó).

Avenida com duas faixas, passeios laterais e um separador central. O topónimo serve para perpetuar a Igreja Paroquial de S. Nicolau de Mazarefes, estando no outro extremo da Avenida o antigo cruzeiro, dessa mesma igreja. Esta Igreja, nos primeiros tempos da sua edificação, constituía o mosteiro do cenóbio, aqui fundado pelos monges beneditinos de Santiago de Compostela, depois da doação de D. Telo, vassalo do rei de Leão. Toda a extensão da avenida sempre existiu e remonta à fundação da “casa-mãe” do Couto de Mazarefes, ligando a igreja à antiga estrada real, local de passagem obrigatória dos peregrinos para Santiago de Compostela e por onde passou a rainha D. Maria II, vinda de Barcelos em direcção a Viana do Castelo, em 1852 (Ver Rua da Estrada Velha e Rua das Breias).

A avenida foi construída em 1989, sendo inaugurada em 2 de Dezembro desse mesmo ano pelo Governador Civil de Viana do Castelo Roleira Marinho, pelo Bispo da diocese D. Armindo Coelho e pelo Presidente da Câmara Carlos Baptista. Limite: Início – Rua Abade Matos / Fim – Rua Avelino Sousa e Rua da Estrada Velha.

Ferrais

 

36

Rua Maria Júlia Bourbon

Maria Júlia de Azevedo Meneses Pinheiro Pereira de Bourbon (Caiola) – por ter casado em 2ªs núpcias com Tomás Caiola, de Santa Marta de Portuzelo – filha de Francisco Manuel de Meneses Pinheiro de Azevedo e de Mariana de Jesus Barbosa Pereira de Sotomaior de Azevedo de Bourbon,  nasceu a 18 de Maio de 1901 e faleceu a 20 de Julho de 1992, estando sepultada no Cemitério de Santa Marta de Portuzelo, por sua expressa vontade. Proprietária que foi da lendária “Casa dos Pereiras” (Paço) de Mazarefes, a ela se deve algumas dádivas à paróquia e à freguesia, sendo de realçar os dois lotes de terreno onde foi construída a  Sede da Junta de Freguesia, sediada hoje na rua com o seu nome, a que reportamos nesta explanação. Limite: Início – Avenida da Igreja / Fim – Rua Avelino Sousa, Rua Manuel da Silva Liquito e Rua José Gonçalves Rato.  

Ferrais

37

Rua da Carniçaria

 

 

 

Este topónimo está eventualmente ligado à célebre contenda entre Rui Pereira, senhor do Paço de Mazarefes, e Isabel da Silva, do Paço de Vila Fria, junto ao castro de Sabariz. Rui Pereira foi um homem de temperamento destemido e prepotente: acoberto pelo favor da Corte e dos bens paternais, deixou episódios para recordar aos vindouros quase lendários. E o caso com Isabel da Silva, atesta bem esse seu temperamento: Rui Pereira roia-se de amores por Isabel. Porque a sua apaixonada não correspondesse ao ímpeto da cegueira dos seus amores, Rui Pereira resolveu raptá-la pela calada da noite de 5 de Agosto de 1590.

Capitaneou um grupo de oito ou dez homens, parentes, amigos e seus servidores, todos bem armados com espingardas, arcabuzes e espadas, com cascos na cabeça. Dirigiram-se ao Paço de Vila Fria, do falecido Jerónimo de Alpuim, onde se encontravam a viúva D. Belisenda da Silva, a sua filha Isabel (na altura com vinte anos) e um filho de treze anos. Cercaram o Paço, bateram à porta fazendo-se passar por oficiais de justiça. Franqueada a entrada, arrombaram as portas interiores, espancando os criados. Ao barulho e aos gritos da criadagem acudiram outros. Saltaram da cama D. Belisenda e sua filha, pretenderam arrastá-la para fora, mas porque ela gritasse e se defendesse corajosamente, Rui Pereira, já desalentado do seu intento e da  resistência oferecida por sua amada, para se vingar dos seus amores contrariados, cortou-lhe o nariz. Perante tal arrepiante cenário deu-se a fuga precipitada, assistindo-se aos disparos em vão das espingardas e arcabuzes dos raptores.

Deste escandaloso atentado chegou a notícia à Corte, baixando logo ordem para que o Doutor Luís Galvão, desembargador dos Agravos na Relação do Porto, fosse tirar devassa a Vila Fria, ficando os principais culpados Rui Pereira e seu primo Jácome Pereira, Francisco Rocha Cardoso, o galego Bobeta, os criados e o escravo de Rui Pereira, António Martins, seu filho Paulo e o escravo António por alcunha «O Cerveira» Pedro Álvares, sua mulher Inês Antunes e o criado de Nuno Álvares Pereira. A sentença foi proferida em Barcelos a 12 de Dezembro de 1590, e a justiça não se deixou enternecer com a qualidade dos fidalgos acusados. A fuga para a Índia valeu a Rui Pereira e ao seu primo Jácome Pereira não subirem ao patíbulo. Apesar das crónicas da época afirmarem que os restantes réus, depois de andarem condenados pelas ruas de Barcelos, com baraça ao pescoço, sendo açoitados e condenados às galés, é da tradição popular na freguesia que os mesmos foram executados numa bouça contígua ao portal da Quinta do Paço de Mazarefes, onde hoje existe o loteamento da Sede da Junta de Freguesia, passando esse local a ser conhecido pelo sítio da “carniçaria”. Limite: Início – Avenida da Igreja / Fim – Rua José Gonçalves Rato.

Ferrais

38

Rua José Gonçalves Rato

José Gonçalves Rato era filho de José Gonçalves Rato e Inácia Alves Franco, que faleceu com 84 anos de idade (na altura, viúva) a 8 de Setembro de 1876. Foi casado com Ana da Silva. Foi o primeiro presidente da Junta de Paróquia de que há memória, entre 1880 e 1887. Como empreiteiro de obras, foi o responsável e o grande impulsionador da construção do Cemitério de Mazarefes, construção essa que viria a terminar em 1888, conforme consta da inscrição a encimar o portal de entrada do referido cemitério, e que faz com que Mazarefes venha a ser das primeiras freguesias a possuí-lo. Em sessão de 19 de Agosto de 1883, José Gonçalves Rato propõe a necessidade de se mandar construir duas grades de ferro para fecharem o adro da igreja paroquial, visto que em virtude de ordens superiores, se tinha de enterrar os defuntos nele, até fazer-se o cemitério; e que naquele estado se não poderem enterrar por que entravam pelas duas portadas abertas, porcos e outros animais, que podiam fazer escavações, e serem desta forma prejudiciais quer à moral, quer à saúde pública dos habitantes da freguesia. E de facto, no dia 2 de Setembro de 1883, José Gonçalves Rato volta à falar sobre esta questão, alertando os restantes membros da Junta de Paróquia para a proibição, desde o dia 6 de Agosto do mesmo ano, do enterramento de cadáveres dentro das igrejas ou capelas. A 16 de Setembro decide-se pela venda do terreno baldio que a Junta de Paróquia possuía no “sítio do Monte do Calvário”, para depois expropriar o terreno junto à igreja paroquial, pertencente a Francisco Barbosa Couto Cunha Sotto-Maior, de Estarreja, e nele se edificar o cemitério. Limite: Início – Rua do Passal e Rua do Cruzeiro / Fim – Rua Avelino Sousa, Rua Maria Júlia Bourbon e Rua Manuel da Silva Liquito.

Ferrais

39

Rua do Cruzeiro

 

Topónimo local. [Kruzéjru]. s. m. (De cruz + suf. –eiro. Cruz grande de pedra, colocada em encruzilhadas, praças, nos adros de algumas igrejas, em caminhos... (Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa). 

Rua que liga a Rua Senhora das Boas Novas – onde existe um Cruzeiro, ao qual a tradicional procissão em honra da Senhora das Boas Novas dá a volta, para de novo regressar à capela – à Residência Paroquial. Junto à Residência partem depois as ruas do Passal e de José Gonçalves Rato. Ainda hoje há famílias que são conhecidas como sendo do “Cruzeiro”, face à proximidade das suas residências, com o mesmo. Limite: Início – Rua José Gonçalves Rato e Rua do Passal / Fim – Rua Senhora das Boas Novas..

Ferrais

 

40

Rua do Passal

Topónimo Local. Novo estradão, aberto para fazer ligação da Rua Abade Matos (que faz ligação da Igreja Paroquial de S. Nicolau à capela de Nossa Senhora das Boas Novas) à Residência Paroquial. Passal, s.m. Terra anexa e pertencente à casa do pároco ou prelado (Ver Rua Abade Matos). Limite: Início – Rua Abade Matos / Fim – Rua José Gonçalves Rato e Rua do Cruzeiro.

Ferrais

41

Rua Abade Matos

 

António Francisco de Matos, vulgo Abade Matos, filho de Francisco António de Matos e de Antónia da Piedade de Passos Pereira Maciel (casaram em Castelo do Neiva), nasceu na freguesia de Mazarefes a 9 de Junho de 1860 e foi baptizado a 13 do mesmo mês e ano, tendo sido padrinhos António Lourenço de Passos Pereira Maciel (avô materno) e Rosa de Jesus de Passos Pereira Maciel. Era neto paterno de José António de Matos e Maria Rodrigues e materno de António Lourenço de Passos Pereira Maciel e Maria Martins de Figueiredo.

Embora tivesse frequentado tardiamente os Seminários, veio a ordenar-se sacerdote no dia 20 de Novembro de 1887, dia de S. Félix de Valois, com 27 anos de idade. Recebeu ordens sacras de D. António José de Freitas Hono-rato, arcebispo de Braga.

Durante a sua vida de estudante em Braga, teve e passou por vários episódios, mas o que mais marcou a sua personalidade foi aquele que o levaria às colunas de um jornal da época e que o Pe. A Reis Lima faria referência em o “Serão” de José Rosa Araújo: Isto deve ter sucedido aí pelo ano de 1885. Freqüentava, então, o Seminário Conciliar, um estudante, natural desta freguesia, chamado António Francisco de Matos. Era um aluno distinto e dotado de espírito de muita iniciativa. Lembrou-se de construir uma bicicleta de pau, com duas rodas, sendo a da frente grande e a de trás pequena. E, se bem o pensou, bem o fez, como diz o nosso povo. Quando apareceu em público, a dar ao pedal, (fixado à roda da frente), os seus conterrâneos deliraram com a novidade, ficando todos de boca aberta, perante os malabarismos do António Matos. Como se tratava duma novidade sensacional, o nosso estudante levou para Braga a bicicleta da sua autoria. Pois não queiram saber, foi um acontecimento! Despovoou-se a cidade para ver equilibrado em cima de duas rodas um estudante, ficando os bracarenses verdadeiramente embasbacadas diante «da-quele mafarrico» que não caia de cima das duas rodas! Naquele tempo ainda devia ser desconhecido do público «que a força do movimento é superior à força da gravidade».

Concluídos os seus estudos, recebeu Ordens Sacras e paroquiou esta freguesia durante quarenta e cinco (45) anos, vindo a falecer a 7 de Maio de 1947, deixando uma memória abençoada. Deixou escrita uma pequena monografia de Mazarefes e diversos poemas, onde se revela um inspirado poeta.

Em testamento deixou à freguesia metade da sua casa para residencial paroquial – a freguesia, porém, veio a comprar a outra metade. Para além disso, doou também 20.000 m2 de terreno que faz parte do passal. É considerado o maior benemérito da freguesia. Limite: Início – Rua Senhora das Boas Novas / Fim – Avenida da Igreja.

Ferrais

 

42

Rua de São Bento

 

Topónimo local. 1077 «triumphatoribus sanctis sancti Benediti...» DC 542. Trata-se do grande patriarca de uma corrente monástica que se transformou numa das ordens regulares mais notáveis – se não a mais importante. Como não mártir, antes do séc. XI-XII, não devia S. Bento ter templos próprios; mas, como se vê do documento apresentado (1077), foi então que eles começaram, chegando ao ponto  de criar-se cedo o hagiotopónimo: 1258 «super Sancto Benedicto» IS 940, já não recente nesse ano. Séculos antes, porém, um caso como 911 «sub regula Sancti Benedicti» nada tem com templo, respeitando a um mosteiro que seguia a sua regra, mas de cuja a igreja não era titular.

Termina A. Almeida Fernandes (Cadernos Vianenses, Tomo VII, p. 200): Como Mazarefes foi Couto do mosteiro beneditino de Ante Alteres (Compostela) desde 985 AP 149, o facto leva-nos a concluir uma fundação local por esse mesmo mosteiro. Já encontramos o caso de Santoinho, que é análogo, etc. Limite: Início – Rua Senhora das Boas Novas / Fim – Rua Abade Matos.

Ferrais

 

43

Rua Senhora das Boas Novas

 

Topónimo local. Estrada Municipal que confina com a capela com o mesmo nome. Esta capela fica quase no centro da freguesia. Para quem não conhece a freguesia, tem-lhe atribuído o estatuto de Igreja Paroquial, pois trata-se de uma capela bastante ampla, cujas proporções se confundem, precisamente, com uma igreja. Segundo a tradição, nos primórdios, seria uma pequenina capela escondida entre olivais como acontecia naquele tempo com muitas outras, pois era das oliveiras que tiravam a azeitona e produziam o azeite para as lamparinas. Por outro lado é vulgar ouvir-se dizer por pessoas mais idôneas que, a princípio, era uma capela sob a invocação da Senhora dos Prazeres, a quem o povo designava apenas de «Senhora».

O nome actual de «Senhora das Boas Novas», foi inspirado pela devoção do povo, quando viu abandonar os lares os seus ente queridos à procura de melhor vida em Terras do Brasil. Dando testemunho desta hipótese escreveu um dia o Pe. Artur Coutinho: É evidente que a gente de Mazarefes mergulhada na saudade e na incerteza ia ajoelhar-se aos pés da «Senhora» a pedir as «boas-novas» e, como testemunho de gratidão ou inconscientemente através do tempo lhe teriam mudado o nome, vindo do novo título de glória – a Senhora das Boas Novas que ainda hoje vigora e vigorará.

Mas não eram só de Mazarefes os devotos da Senhora das Boas Novas, porque no seu número de romeiros contam também os da Ribeira de Viana do Castelo (talvez em maior número) e familiares de emigrantes doutras freguesias que a Ela recorriam, em horas de aflição ou se as notícias dos ausentes tardavam a chegar. «E não raramente, nas tardes de domingo, se ouve a toada de romeiros desfiando louvores: Senhora das Boas Novas, / Tem um manto de Ouro fino, / Que lhe deu um marinheiro, / Que se viu no mar sem tino – citamos Francisco Pitta. Saudação, in Roteiro das Festas, 1985.

Quanto à fundação da capela deve remontar a alguns séculos atrás, talvez do séc. XV ou XVI. A sua forma actual, segundo o Abade Matos na sua monografia manuscrita e inacabada, foi construída em 1805, com muita pedra aproveitada da antiga igreja paroquial em ruínas (S. Simão da Junqueira), trazida para ali em carros de bois. Foi ampliada e reconstruída a expensas do Pe. Manuel Martins de Carvalho, filho desta terra que, por essa ocasião, havia regressado do Brasil.

Depois, a expensas de um devoto, o lavrador Manuel Augusto Fernandes Barbosa (Casa das Marinheiras, desta freguesia), foi erecta a torre, em 1901, conforme se pode ler em letras cinzeladas em granito, na própria torre. Ao longo dos anos foram feitas grandes obras, sendo de destacar o recente arranjo do adro, de onde foram retirados os dois coretos em cimento e pavimentado em granito toda a área envolvente, sendo criadas algumas estruturas subterrâneas para apoio às necessidades da também recém criada Confraria. Limite: Início – Avenida de S. Nicolau / Fim – Avenida da Conchada e Avenida do Monte.

Ferrais

Regadia

 

44

Rua de S. Simão

 

Topónimo local. 1150 «de Sancto Simeon de Junqueira» CB 23; 1220 «de Sancto Simeone de Junqueira» IS 28; 1258 «Couto Sancti Simeonis de Mazarefes» IS 315; 1290 «freguesia de Sam Simhom de Junqueyra». 959 «prius in ecclesia positos sanctos apóstolos Simon» DC 76. A documentação em epígrafe pertence à actual freguesia de Mazarefes, onde ainda se tem o mero hagiotopónimo São Simão e uma recordação material da primitiva igreja da paróquia, que se dedicou a S. Simão (mudada, depois, para o lugar actual, com o título de S. Nicolau – ou uma igreja deste santo tomada como paroquial, depois de abandonada a de s. Simão no sítio de Junqueira, mais à beira do Lima). De acordo com essa primitiva localização, vigora ainda o topónimo complexo Veiga de S. Simão. Limite: Início – Avenida de S. Nicolau / Fim – Praia Fluvial.

S. Simão

Regadia

 

45

Rua das Fontinhas

Fontinhas ou Fontainhas. Do n. comum «fontainha» (< lat. fontanina), que tanto podia ser uma fonte como o arroio que dela se formava: «per illas fontaninas et inde par ipsum arrogium» (DMP–Part. 4); 1258, «poilo ribeiro das Fontainhas a fundo» (TT – Inq. De D. Dinis, L. 4 fl. 35 v.) – AAF. Antigo caminho que dava acesso a três pequenas fontes onde o gado bovino e caprino se saciava no regresso das pastagens na Veiga de S. Simão. Hoje, essas fontes estão subterradas. Limite: Início – Avenida de S. Nicolau / Fim – Caminho Florestal.

S. Simão

Regadia

46

Rua do Vermuim

Toponímia local. 862 Vermudus DC 9; 919 Veremudus DC 23; 1063 Veremundus DC 437; 1081 Vermuu DC 594. Vermuim, com a escrita «oficial» mal orientada Vermoim (como quase tudo o que é oficial, sobretudo na toponímia), é um topónimo bastante frequente no Norte, o que concorda com a própria frequência do uso do respectivo antropônimo.

Trata-se do genitivo Veremundi sc. «villa» de Veremundus (baira+munths), nada tendo com um diminutivo Vermudinus, como do acento se poderia julgar.

Notável que a documentação exposta, com inversão cronológica que demonstra a oscilação que a evolução sofria ainda entre os séc. IX e o XI (neste parece que concomi-tantemente com a própria evolução, já plenamente romance, Vermuu> Vermuo), nos assevera as fases da evolução fonética: Veremundi> Veremudi> Vermudi (> Vermui> Vermuim – A. Almeida Fernandes. Cadernos Vianenses, Tomo V, p. 196. Limite: Início – Avenida de S. Nicolau/ Fim – Caminho Florestal.

S. Simão

Regadia

47

Rua Maria Luiza de Carvalho

 

Maria Luiza de Mesquita Carvalho, filha legítima de Joaquim Rodrigues de Carvalho, serralheiro, e de Maria Soares de Mesquita, neta paterna de António Rodrigues de Carvalho e Maria Rodrigues de Carvalho, e materna de Manuel António Afonso e Maria Barreto Mesquita, nasceu na freguesia de Darque a 24 de Dezembro de 1917 e faleceu, na freguesia de Mazarefes, a 8 de Novembro de 1987. Segundo o assento de baptismo, sua mãe Maria morreu ao dar à luz, já que a Maria Luiza foi baptizada no mesmo dia, em casa por Rosa da Rocha, viúva, da freguesia de Darque, e que nasceu na freguesia de Darque [...] por onde foi registada. Foi baptizada na Igreja Paroquial de Mazarefes a 29 desse mesmo mês e ano, tendo sido padrinhos seus tios António Rodrigues de Carvalho e Ana Rodrigues de Carvalho, solteiros, lavradores, moradores na freguesia de Mazarefes. A juventude de Maria Luzia dedicou-a ao Grupo Coral, do qual era organista e ensaiadora. Além disso, foi ainda catequista. De família abastada, já que passou a viver com os tios, tinha uma predilecção muito especial pelos pobres e necessitados da freguesia. Limite: Início – Avenida de S. Nicolau / Fim – Largo da Regadia.

Regadia

48

Rua Souto do Abade

Topónimo antigo. Local onde se vislumbrava um frondoso e repleto Souto de carvalhos e sobreiros, pertença de um Abade residente nesta freguesia. Limite: Início – Rua Professora Isabel Ferreira de Sousa / Fim – Rua Maria Luiza de Carvalho. 

Regadia

49

Rua dos Moinhos

 

Antigo caminho que dava acesso ao ribeiro do Ermígio, cujo elevado caudal de água fazia funcionar os moinhos, ali existentes. Um dos moinhos pertence à Junta de Freguesia e prevê-se o seu restauro, com a finalidade de servir de peça “museológica”, de forma a proporcionar às crianças das escolas um contacto presencial dos aspectos etnográficos daquele local. Ao contrário dos moinhos de água «azenhas» – do termo árabe acenia, ou azenha – de roda vertical (como é o caso da Azenha do Artur de Matos, junto à Fonte Branca), estes moinhos de água – derivado do étimo latino molinas – são de roda horizontal, de rodízio, com penas. Limite: Início – Rua Senhora das Boas Novas / Fim – Rua Souto d’Abade.

Regadia

 

50

Rua Professora Isabel Ferreira de Sousa

 

Filha de João José de Sousa e de Narcisa Ferreira nasceu na freguesia de Palmeira, concelho de Braga, a 21 de Março de 1909. Depois de concluir o ensino primário na sua Terra Natal, entra para a Escola Primária Superior de Braga, onde concluiu o antigo 5.º ano, hoje equivalente ao 9.º ano de escolari-dade. Como ainda era muito nova teve que interromper os seus estudos por um ano, e só conseguiu entrar para a Escola Normal Primária de Braga (mais tarde Magistério) no ano seguinte, através de uma certidão de nascimento falsa, que um político da época conseguiu. Veio a diplomar-se a 23 de Julho de 1927, com a excelente classificação de 17 valores, conforme consta do diploma passado pelo Dr. José Leão Ferreira da Silva, director dessa mesma escola, a 8 de Abril de 1928.

De 1928 a 1930, depois de um ano lectivo em Miro, passa por Segude, concelho de Monção; Vitorino de Piães, no concelho de Ponte de Lima; e Lindoso no concelho de Ponte da Barca, até se estabelecer em Cendufe, freguesia de Arcos de Valdevez, onde conhece e estabelece relações de amizade com o Pe. Himalaia.

Em 1934 vem para Mazarefes, e aqui, começou por ser professora das raparigas até 1945, altura em que tomou conta das classes masculinas até à data da sua aposentação, que ocorreria em 1974. Casou em Mazarefes com José Rodrigues Pinto dos Santos Lima, a 17 de Setembro de 1938. Faleceu e está sepultada no Cemitério de Mazarefes a 6 de Janeiro de 1993. Limite: Início – Rua Senhora das Boas Novas / Fim – Rua Maria Luiza de Carvalho.

Regadia

 

51

Rua do Souto

Antigo caminho ladeado por um Souto. É também um dos topónimos mais antigos. Aliás, vulgar em muitas freguesias de Viana do Castelo e por esse país fora. Seguimento do antigo “Caminho do Souto do Abade”. Limite: Início – Rua da Regadia / Fim – Rua Professora Isabel Ferreira de Sousa.

Regadia

52

Rua da Regadia

Lugar de maior abundância de água – existem escrituras antigas de partilhas de água –, o que facilitava o regadio dos campos (ver Rua das Presas). Limite: Início – Rua Senhora das Boas Novas / Fim – Caminho das Muradas (Vila Franca).

Regadia

53

Rua da Fontela

Topónimo antigo. Caminho ladeado por algumas pequenas fontes, provenientes da água excedente da “fonte-mãe” junto à Quinta do Dr. Francisco Pitta (Ver Rua, com o mesmo nome). Estas fontes secavam, quando o caudal diminuía na “fonte-mãe”. Limite: Início – Rua da Regadia / Fim – Sem saída.

Regadia

54

Beco de José Liquito

 

Antigo Lugar das Penas. Carpinteiro e madeireiro de profissão tornar-se-ia mais tarde cantoneiro das estradas, um dos poucos empregos que vincularia ao Estado. Todo o percurso deste homem assentava no princípio basilar da família, por isso, foi um pai extremoso de oito filhos (ver Rua Manuel da Silva Liquito). Nasceu na freguesia de Mazarefes a 5 de Dezembro de 1893 e faleceu, na mesma freguesia, a 10 de Fevereiro de 1968. O topónimo atribuído a este local, para além de perpetuar a origem desta secular família (“Liquitos”) de Mazarefes, justifica-se também pela homenagem às profissões de carpinteiros, madeireiros e cantoneiros. Na altura a emigração para França ajudou muitas pessoas que hoje estão bem na vida. Alguns nunca lhe chegaram a pagar o empréstimo para a viagem. Mesmo assim, José Liquito nunca se cansou de ajudar os outros. Limite: Início – Rua da Regadia / Fim – Sem saída. 

Regadia

 

55

Largo da Regadia

Topónimo local. É o largo central ao antigo Lugar da Regadia, e onde se concentravam e concentram pessoas ao Domingo para conviverem. Nesse mesmo largo, a ladear os portais das casas, ainda hoje existem bancos maçadouros. Limite: Início – Rua José Gomes da Cunha / Fim – Rua José Gomes da Cunha.

Regadia

56

Rua José Gomes da Cunha

 

 

Filho de José Rodrigues Barbosa da Cunha e de Teresa Rodrigues Gomes, nasceu na freguesia de Mazarefes, mais concretamente no Lugar da Regadia, a 6 de Janeiro de 1891. Casou a 9 de Agosto de 1915 com Maria Gonçalves Forte.

Participante na I Grande Guerra (1914-18) fez parte do Regimento de Infantaria 3, detentor de três condecorações: Medalha Comemorativa da França de 1917-18 OB. 56-1-1919; Medalha Vitória O.B. 172-4-12; tendo direito ainda a usar o distintivo correspondente à condecoração da Torre de Espada, concedida ao Batalhão OE. N.º 10 (7.ª série) de 10/07/1920. Durante quase cinquenta anos esteve ligado à Junta de Freguesia.

Quando tinha 28 anos de idade é nomeado Vice-Presidente e Secretário da então Junta de Paróquia, cargo que manteve até 17 de Junho de 1922. A 15 de Janeiro de 1953, assume o cargo de secretário da Junta de Freguesia, mantendo-se até 3 de Janeiro de 1960. A 1 de Janeiro de 1964, volta a ocupar o cargo de secretário da Junta de Freguesia, cargo que viria a abandonar a 5 de Outubro de 1970, por sofrer de baixa visão bilateral, não podendo continuar a exercer funções na Junta de Freguesia – conforme consta do atestado passado pelo médico oftalmologista Abeldizinho Pinto da Cunha. A propósito deste vulto da freguesia disse o presidente da Junta de Freguesia da altura, Miguel Gonçalves Forte: Foi uma honra para mim a oportunidade de privar bem de perto com um homem que tratava com fidalguia e acolhia as pessoas com muito entusiasmo. Dotado de bons valores, muita dignidade e desejo de servir os outros com altruísmo, cumpriu uma maravilhosa tarefa – servir os outros e não ser servido.

Faleceu a 13 de Janeiro de 1976. Limite: Início – Largo da Regadia / Fim – Rua das Presas e Rua Prof. Carvalho (Banda do Carvalho). 

Regadia

57

Rua Professor Carvalho (Banda do Carvalho)

Para perpetuar a memória da “Banda do Carvalho” e o seu fundador, o professor pri-mário “António Alves de Carvalho”, nascido a 2 de Janeiro de 1849, em Alvarães, formou-se na escola normal de Lisboa e contraiu matrimónio, pelos 23 anos, com Teresa Alves Pereira, natural de Mazarefes. Faleceu em 1930. A “Banda do Carvalho” extinguiu-se na década de quarenta, depois do seu filho Luciano Alves de Carvalho, aquele que o seguiu na regência da mesma, ter falecido também. O neto do Professor Carvalho, Casimiro Alves de Carvalho levou esta mesma Banda para Anha – onde havia casado –acabando a mesma por se extinguir em 1961, com o nome de “Banda da Casa do Povo de Anha”. A propósito desta distinta família e da “Banda do Carvalho” escreveu um dia o Pe. Artur Coutinho: Além de professor primário, exerceu o magistério musical. A sua casa era a escola da música, era a casa da banda. Lá se davam os ensaios com rigor e disciplina e ensinavam-se os adolescentes a tocar as escalas. «Filho de peixe sabe nadar» – Poderíamos aplicar este ditado à família do Sr. Carvalho. Todos os seus filhos sabiam música. Muitas vezes foi substituído pelo seu filho Casimiro, ex-seminarista, que, dizimado por uma doença que não perdoa, faleceu aos 27 anos. O primeiro sucessor na regência foi o Luciano, que nasceu em 1890.

Alguns músicos, devido à sua preparação e ao saber, vieram a ingressar noutras bandas de maior nível. Quando o Sr. Carvalho deixou a regência, o seu filho, Eugénio Alves de Carvalho, também veio a alistar-se na dos B. V. de Viana. [...] O fundador era severo mas muito delicado. Daí a muita estima e consideração que lhe dispensavam os elementos da banda e grande aceitação e influência no povo de Mazarefes. [...] Dizem-nos que era uma boa banda. É certo que actuou em diversos meios como: Monção, Maia, Santo Tirso, Ponte da Barca, Arcos, Ribeira de Pena, Alijo do Douro, Vila Nova de Cerveira, Barcelos, Famalicão, Fão, Ponte de Lima, Esposende, Vila do Conde, Azurara, Apúlia, Viana, e, durante 15 anos consecutivos, actuaram em Âncora, na festa da Bonança. Andava pelos 12$50 (12.500 réis) por cada dia de actuação. Fazia as deslocações no carro de cavalos do falecido Cura, quando ia para longe. Era constituída de 27 a 35 figuras, cuja farda característica parecida muitas vezes contrastar com os tons estridentes dos seus instrumentos que, a princípio, eram de metal amarelo. De dois em dois anos havia farda nova, com certa modificação no feitio ou na cor. Dizem-nos, todavia, que se manteve sempre no seu tom característico em que havia nascido.

O Professor António Alves de Carvalho veio a falecer em Viana do Castelo. Em 1918, quando actuavam na festa de S. Silvestre – Cardielos – receberam a notícia de que a casa do Sr. Carvalho tinha ardido. Desgostoso com o que aconteceu, veio a vender a casa e a quinta, ao Sr. António Coelho, de Viana, por 1. 900 réis. Comprou com esta soma duas casas em Viana: uma, na rua dos Manjovos e, outra, na rua da Gramática, onde faleceu. Limite: Início – Rua de Ferrais / Fim – Rua Artur Pedro Silva Domingues. Limite: Início – Rua das Presas e Rua José Gomes da Cunha / Fim – Caminho de Fontão (Vila Franca).

Regadia

58

Rua do Redondelo

 

Topónimo local. [...] Como há em Mazarefes Redondelo e Redondo, aquele que deve ser aí um diminutivo toponímico, ou seja, um topónimo determinado por Redondo e não pelo elemento ou factor que criou este. Tal ilação, todavia, não é definitiva.

Existem vários topónimos com o elemento qualificativo «redondo» (Campo Redondo, Lama Redonda, Souto Redondo, etc.), pode tratar-se de casos de elisão de substantivo (como Cavaleira, Pedrinha, Serrubada, etc.).

Todavia, pode tratar-se também da elisão toponímica de uma expressão tópica como «marco redondo», embora pouco crível – sendo a expressão de 1258 relativa a Anha «in Redondelo de lo marco a suso» (também em Mazarefes, esta rua tem um marco – limite com Vila Franca do Lima) uma simples coincidência, isto é, sem significar qualquer relação entre Redondelo e «marco». Em todo o caso, é de admitir aquela possibilidade arqueológica.

Tal como em Mazarefes, houve em Santa Marta os topónimos Redondo e Redondelo, mas este (certamente diminutivo toponímico daquele) desaparecido ou, melhor, substituído por Comprondelo, que é quando a mim, e muito claramente, uma aglutinação de Campo Redondelo (ou Campo de Redondelo A. Almeida Fernandes. Cadernos Vianenses, Tomo IV, p. 307. Contudo, o mesmo A Almeida Fernandes, em artigo publicado no Roteiro de Viana, 1975, escreve que Redondelo não deve significar «padrão», porque os padrões limitavam os coutos [...] Em Mazarefes, neste local existe um «padrão» do secular Couto de Mazarefes, o que justifica, de certa forma, a atribuição de tal topónimo. Limite: Início – Rua Prof. Carvalho (Banda do Carvalho) / Fim – Caminho Florestal.

Regadia

 

59

Rua das Azenhas

Antigo caminho que dava acesso às diversas azenhas, então existentes ao longo do curso do rio do Ermígio até ao Ribeiro, sendo a mais conhecida a “Azenha do Artur Matos” (Ver Rua do Ermígio). Limite: Início – Rua Prof. Carvalho (Banda do Carvalho) / Fim – Caminho Florestal (Vila Fria).

Regadia

60

Rua das Presas

 

 

Topónimo Local. Esta artéria da freguesia sempre foi conhecida por “Caminho das Presas”. Ainda hoje existe o açude e as respectivas comportas para encaminhamento das águas para rega (ver Rua da Regadia). Limite: Início – Rua Senhora das Boas Novas / Fim – Rua José Gomes da Cunha e Rua Prof. Carvalho (Banda do Carvalho).

Regadia

 

61

Rua Rio do Ferreiro

Topónimo de homenagem. Aqui existiu antigamente uma pequena oficina de Ferreiro. O percurso da actual rua era leito do ribeiro do Ermígio, com andaime lateral. Este pequeno percurso era conhecido pelo Rio do Ferreiro. Limite: Início – Rua das Presas / Fim – Rua da Regadia.

Regadia

62

Largo das Boas Novas

Toponímia muito antiga. Enorme largo mes-mo em frente à Capela de Nossa Senhora das Boas Novas, o qual engloba um pequeno troço da Estada Municipal (Ver Rua da Senhora das Boas Novas). Limite: Início – Rua Senhora das Boas Novas / Fim – Rua Senhora das Boas Novas.

Regadia

Ferrais

63

Rua do Ermígio

 

Topónimo local. Ermígio, Ermijo. 915 Ermoigio LF 14; 1076, Ermigius LF 100. O próprio n. pessoal de origem germânica, usadíssimo até ao séc. XII-XIII, Ermoigius (airmans+weig). Nome atribuído ao ribeiro a partir da Fonte Branca. Limite: Início – Largo do Bicho / Fim – Rua das Presas.

Regadia

 

64

Rua do Cirurgião Matos

 

Muito pouco se sabe a propósito deste ilustre cidadão de Mazarefes. Sabe-se que se chamava Francisco António de Matos, era filho de José António de Matos e de Maria Barbosa de Almeida, neto paterno de José António de Matos e de Maria Rodrigues do Lugar de Ermígio, e materno de Simão António Barbosa de Almeida e de Rosa Teresa de Miranda, e que nasceu na freguesia de Mazarefes a 7 de Abril de 1838. Foi baptizado no dia 14 desse mesmo mês e ano, sendo padrinhos Francisco António de Matos e Maria Rodrigues, viúva, avó paterna. Formou-se em cirurgia na Escola do Porto e, já com mais de 30 anos, casou em 1877 com Rosa do Espírito Santo Moreira. Faleceu em 1922. Limite: Início – Rua do Ermígio / Fim – Rua do Ermígio.

Regadia

 

65

Largo do Bicho

 

A atribuição deste topónimo está inteiramente ligada à existência de uma casa – pertença que foi do Sr. Artur de Matos – que confina com o referido largo e que se diz ter pertencido a um homem com esse apelido (alcunha) de “Bicho”, muito rico e, por isso, tinha um criado. Por motivos que se desconhecem este deixou o patrão e afastou-se para lugar incerto. A propósito desta tradição – quem sabe se em jeito de lenda –, escreveu o Pe. Artur Coutinho (in “Serão” de José Rosa Araújo): Numa noite de Verão, arrombaram a porta da casa, para roubarem as libras do «Bicho». Quando este acordou, sobressaltado, já não teve tempo nem meios de defesa e os ladrões trouxeram-no para a cozinha e prenderam-no, em cima de um banco, de pés e mãos. A mulher estava entrevada.

Obrigaram-no a dizer onde tinha as libras, ameaçando-o de faca em punho. O pobre «Bicho» disse onde estava a ceira das libras: num buraco da parede, por cima do forno. Depois de se apoderarem da ceira, percorreram a casa e foram roubar-lhe o porco da salgadeira, o milho das caixas, o centeio e os feijões.

No dia seguinte, já perto do meio-dia, o Tio Santa Marinha, que vivia numa casa relativamente perto – conhecida hoje pela Casa do Cirurgião... (Ver Rua do Cirurgião Matos)mais tarde veio-se a saber que este Santa Marinha era provavelmente o tenente José António de Matos, que casaria com Maria Rodrigues Viana. E a descrição do Pe. Artur Coutinho prossegue: ... admirou-se por não ter visto ainda o «Bicho», pois era costume encontrá-lo todos os dias, pela manhã.

Como a mulher estava entrevada e o homem era já pessoa de velhas cãs, lembrou-se que até estivesse doente. Ao aproximar-se, ouve gemidos e, entrando na cozinha, com espanto, vê o homenzinho no estado em que o deixaram os malvados gatunos: preso de pés e mãos, alguidar, sal, cebola e faca à beira. Claro, o homem estava já sem forças e muito morto.

- O que foi? Perguntou o Santa Marinha.

- Foi tudo. Roubaram-me esta noite. Levaram-me uma ceira de libras e andaram-me pela loja. Era uma quadrilha de ladrões.

Depois de desprender o homem do banco, andaram a ver os delitos cometidos e seguiram os rastos até ao Rio Lima, junto a S. Simão.

Os ladrões tinham passado o rio para o lado de Santa Marta.

Mais tarde, vieram a descobrir que o roubo tinha sido cometido por uma quadrilha de gatunos espanhóis, chefiados pelo antigo criado, que tinha emigrado para Espanha.

Quem conta a história só fala no Tio Bicho e não sabe o nome dele nem da mulher. Era o BICHO e pronto.

O nome vulgarizou-se de tal forma que o largo circundante passou a ser sempre conhecido pelo «Largo do Bicho», mesmo antes da actual atribuição toponímica. Outra versão diz que o «Bicho» era um grande ladrão e chefiava uma quadrilha, e que tal episódio seria o culminar de um ajuste de contas. Limite: Início – Rua do Bairro Novo / Fim – Rua do Bairro Novo.

Regadia

 

66

Rua da Fonte Branca

 

Topónimo local. Confluência do rio do Ribeiro, do Ermígio e duma nascente – Fonte Branca – que vem encadutada desde bem perto do castro de Sabariz. Uma das fontes mais frequentadas pelas gentes de Mazarefes, já que aí lavavam e coravam as roupas para além de servir de bebedouro aos animais. A fonte que vem do castro de Sabariz encontra-se hoje seca pelo facto do aqueduto e mina se encontrarem obstruídos com entulho e terra trazida com as cheias, perdendo-se a água da nascente no seu percurso. No local, ainda hoje existe a pedra de colocar o cântaro. De resto todo o cenário envolvente é um matagal de silvas e ervas daninhas. O centro nevrálgico desta fonte e ribeiros está dentro dos limites de Vila Fria. É conhecida neste mesmo local, já dentro dos limites de Mazarefes, a “Azenha do Artur Matos”, sendo a água conduzida através de um “aqueduto de águas-livres” de granito, desde a nascente da “Fonte Branca”. Limite: Início – Largo do Bicho / Fim – Caminho Florestal e Fonte Branca (Vila Fria).

Regadia

 

67

Rua José Pequeno

 

José Gonçalves Pequeno, filho mais velho de José Gonçalves Pequeno e de Maria da Silva Meira – lavradores naturais de Mazarefes e moradores no Lugar do Monte – nasceu na freguesia de Mazarefes a 6 de Março de 1902, sendo baptizado na Igreja Paroquial de S. Nicolau de Mazarefes a 9 do mesmo mês e ano, sendo padrinhos José Fernandes Pitta e Ana Ribeiro da Silva. Era neto paterno de João Gonçalves e Teresa Rodrigues, e materno de Caetano Fernandes Pitta e Teresa da Silva. Casado com Jovita Taveira da Fonseca Gonçalves Pequeno, foi comerciante e industrial, tendo sido fundador e proprietário da Auto-Vianense, uma das mais prestigiadas empresas do ramo automóvel, em Viana do Castelo, e do Armazém de Mercearia “José Gonçalves Pequeno & C.ª Lda.”, também em Viana do Castelo.

Foi juiz da Festa de Nossa Senhora das Boas Novas, em 1943. Nos anos seguintes, e até à data da sua morte, que ocorreria em 4 de Julho de 1957 (na sua residência à Avenida Camões, em Viana do Castelo), trouxe muitas pessoas importantes do meio político e empresarial de todo o país à sua casa de Mazarefes, dando a conhecer as potenci-alidades paisagísticas e as próprias carências da freguesia, o que em muito beneficiou a mesma. Estes convívios por ele propor-cionados ocorriam por altura das Festas em honra de Nossa Senhora das Boas Novas, vindimas e matança do porco.

Sepultado em Mazarefes, foi posteriormente transladado, em 1979, para o cemitério da Ordem Terceira, em Viana do Castelo. Limite: Início – Largo do Bicho / Fim – Rua do Ribeiro.

Regadia

 

68

Rua José Oliveira da Silva Reis

 

Filho de José António de Oliveira Reis e de Teresa da Silva Barbosa, nasceu na freguesia de Mazarefes a 24 de Abril de 1915. Casou com Albina da Silva Carvalho – da Casa das Marinheiras – a 7 de Dezembro de 1939. Ilustre benfeitor da freguesia, teve o princípio da sua vida como comerciante para os lados de Vila Franca do Lima, quando por lá alugou uma moagem, e que mais tarde a haveria de passar para Mazarefes, dando-lhe o nome de Moagem “Boa-Nova”, em homenagem da Casa  das Marinheiras à “Senhora”, da qual eram devotos, pois a torre da Capela da Senhora das Boas Novas foi oferecida pelos ascendentes da família, Manuel Augusto Fernandes Barbosa e espôsa.

Presidente da Junta de Freguesia durante dois mandatos seguidos (1955-1964), em prejuízo da própria família, chegava a desviar o pessoal (jornaleiros) da Quinta para trabalharem para a freguesia, acabando por lhes pagar do seu próprio bolso. A ele se devem – de parceria com José de Araújo Vaz Coutinho e Avelino Martins de Sousa – os projectos dos caminhos municipais 1196 e 1197, que haveriam de ser executados no mandato de Miguel Gonçalves Forte. Mas as obras de maior vulto, durante o seu mandato, foram a abertura da estrada para S. Simão e o ter conseguido que Mazarefes fosse contemplada com a luz eléctrica, apesar de alguns, erradamente,  atribuírem ao pároco da freguesia, face ao contencioso que ambos mantinham na altura. A luz eléctrica foi inaugurada a 7 de Dezembro de 1958.

Disponibilizou, por troca, o terreno onde seria construída a actual Casa do Povo. Foi também um grande benemérito da Igreja Paroquial de S. Nicolau.

Faleceu a 17 de Junho de 1975, num acidente de viação, onde pereceu também a sua filha, a professora primária Maria Eugénia da Silva Reis Lima. Limite: Início – Rua Senhora das Boas Novas/ Fim – Largo do Bicho.   

Regadia

 

69

Rua do Bairro Novo

 

Rua que dá acesso ao projectado bairro social – com projecto aprovado e a construir –, para o qual a Junta de Freguesia já adquiriu o respectivo terreno, propriedade que foi da CP (hoje REFER) onde se pensou, em tempos, construir um apeadeiro dos caminhos de ferro, para servir as populações de Mazarefes e Vila Fria. Esta rua que tem início junto ao “Largo do Bicho” faz ligação à Rua do Ribeiro, na freguesia de Vila Fria e a uma outra rua que dá acesso ao Bairro de Sabariz, também da freguesia de Vila Fria. Limite: Início – Largo do Bicho / Fim – Rua do Moinho e Rua do Montinho (ambas na freguesia de Vila Fria)..

Regadia

 

70

Rua do Ribeiro

Antigo topónimo de Lugar (do Ribeiro), antes de se atribuir o Lugar do Monte. Proximidade ao rio do Ribeiro que vai confluir com o do Ermígio de da Fonte Branca. Limite: Início – Largo do Montinho / Fim – Largo do Montinho.

Monte

71

Beco dos Carvalhos

Toponímia de homenagem. Loteamento familiar. Este pequeno troço viário apenas dá acesso às casas dos da família “Carvalho”. Com saída para a Rua do Ribeiro. Limite: Início – Rua do Ribeiro / Fim – Sem saída.

Monte

72

Beco do Dias

Toponímia de Homenagem. Loteamento familiar. Este pequeno troço viário apenas dá acesso às casas dos da família “Dias”. Com saída para a Rua do Ribeiro. Limite: Início – Rua do Ribeiro / Fim – Sem saída.

Monte

73

Largo do Montinho

 

Largo assim conhecido desde tempos imemoriais. Segundo escrituras antigas aqui existia um Souto. Confina com a freguesia de Vila Fria, havendo para o local um projecto de requalificação, que passa pelo arranjo urbanístico – tendo para isso sido adquirida uma casa em granito (já demolida) por 40 mil euros e solicitada à EN (Electricidade do Norte) a deslocação do PT existente no meio do Largo. Esta obra será executada de parceria com a Junta de Freguesia de Vila Fria. Limite: Início – Avenida do Monte / Fim – Largo do Montinho.

Monte

 

74

Avenida do Monte

Para perpetuar o topónimo do antigo “Lugar do Monte”. Esta avenida compreende o resto do troço da E.N. n.º 308 que vai do quilómetro 1,2 (junto ao cruzamento com a Rua da Senhora das Boas Novas) até ao limites com a freguesia de Vila Fria, junto ao Largo do Montinho. Limite: Início – Rua da Estrada Nova (Vila Fria) / Fim – Avenida da Conchada e Rua Senhora das Boas Novas.

 

 

 

 

Monte

75

Rua do Conde

Topónimo local. Antigo caminho do Conde. Por certo que se trata de uma alusão toponímica ao conde Telo Alvites, da segunda metade do séc. IX, o qual foi senhor de Mazarefes: doc. 985 AP 149-151 - «villa» que ele doou a um mosteiro galego (1063 «comitê domno Tello testavi... Mazarefes» AP 152). Limite: Início – Avenida do Monte / Fim – Rua Mário Cunha.

Monte

76

Rua Dr. Francisco Pitta

 

Inicialmente denominada de “Projectada à Rua do Conde”. Francisco Félix Fernandes Pitta nasceu na freguesia de Mazarefes a 20 de Fevereiro de 1917, tendo completado o ensino primário na sua Terra Natal. Entrou para o Seminário de Braga no ano de 1932, tendo completado os cursos de Humanidades e Filosófico. Oficializou os seus estudos com os exames liceais dos terceiro, sexto e sétimo anos, ingressando na Universidade de Coimbra no ano de 1943, tendo seguido o Curso de Filologia Românica como aluno voluntário, visto ser funcionário da Repartição de Finanças (Aspirante em Ponte da Barca, Ponte de Lima e Viana do Castelo).

Licenciou-se em 1952, ano em que entrou no ensino secundário oficial. Foi professor de Português e Francês na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, durante o ano lectivo de 1952/53. No ano seguinte, de regresso a Viana do Castelo, leccionou na Escola Industrial e Comercial, hoje Escola Secundária de Monserrate, onde se manteve até ao ingresso no estágio para professores efectivos, que iria decorrer entre os anos de 1956 e 1957. Efectivou-se na Escola Industrial e Comercial de Gouveia, onde se manteve durante dois anos. Em 1959, requereu transferência para a Escola Industrial e Comercial de Santo Tirso. Em 1966 regressou de novo a Viana do Castelo para exercer o cargo de director do Ciclo Preparatório e da Escola Frei Bartolomeu dos Mártires, instalada na altura na Casa dos “Rego Barretos”, junto ao Jardim D. Fernando, onde actualmente funciona a Sede dos Serviços Administrativos do Instituto Politécnico (IPVC). Decorriam os anos de 1968 a 1974.

Concorreu para o Magistério Primário, onde leccionou de 1976 a 1983, altura em que se aposentaria. Mas a vida de Francisco Félix Fernandes Pitta está, sobretudo, ligada à actividade literária. Publicou o seu primeiro livro, romance, editado pela “Livraria Civilização”, em 1948, com o título “Transviados”. “Gente da Beira-Lima” seria o seu segundo livro, publicado em 1983, por altura da sua aposentação. Trata-se de um livro de contos onde o autor canta as belezas do mitológico “Lethes”, ligadas aos bons momentos passados na sua juventude, junto às margens do mesmo.

Em 1984, é publicado o seu primeiro livro de poesia “Verde Minho”, editado pela “Editora Pax”. Em 1985 surge o segundo com o expressivo título “Memorial de Amor”. Em 1987 surge nos escaparates da “Princesa do Lima” uma das suas grandes obras, a que deu o título de “Lendas e Tradições do Alto Minho”, obra essa que se viria a esgotar no espaço de dois meses. Finalmente, em 1989, é lançado o sexto livro, em cerimónia pública realizada na Sede da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Alto Minho, sita na Casa de João Velho (Junto à Sé Catedral), com o título “Sonho Realizado”. Mais uma vez, neste livro, o autor realça o amor à terra que o viu nascer. A Câmara Municipal de Viana do Castelo atribuiu-lhe a medalha de cidadão de mérito, a título póstumo.

Tem colaboração dispersa pelos jornais “Povo da Barca”, “Notícias de Viana”, “Jornal do Turismo”, “A Aurora do Lima”, “Notícias dos Arcos”, “Falcão do Minho” e foi director-adjunto do “Foz do Lima”, até à data da sua morte, que ocorreria em 1997. Limite: Início – Rua do Ribeiro / Fim – Rua do Conde.

Monte

 

77

Rua Mário Cunha

 

Mário Pereira da Cunha, oriundo de uma família de 9 irmãos, filho de Joaquim José António da Cunha e de Teresa Rodrigues Pereira Viana, neto paterno José António da Cunha e de Rosa Alves Pereira, e materno de José Rodrigues Alves Viana e de Maria Rita de Lemos Pereira Seixas, nasceu na freguesia de Mazarefes a 15 de Outubro de 1905 e foi baptizado no dia 17 do mesmo mês e ano, sendo padrinhos Pe. Manuel António da Cunha e Ana Pereira da Cunha.

Com 14 anos de idade foi para França onde trabalhou no jornal “Le Matin” e onde permaneceu cerca de quatro anos. Com 18 anos parte para Luanda (Angola) onde se faz empresário e por lá desenvolve a sua actividade durante quarenta e cinco anos. A 4 de Outubro de 1948 casa com Olinda Amaral de Miranda Coutinho (Cunha), da qual tem um filho, Vasco Amaral Cunha, de 53 anos de idade, arquitecto de profissão, actual proprietário da casa e quinta de Mazarefes, que confinam com a rua com o seu nome.

 Mário Cunha foi um grande benfeitor da freguesia. Pessoa dotada de um altruísmo sem par, sempre pronto a colaborar no que dizia respeito à freguesia sem esperar qualquer tipo de recompensa ou homenagem. Também em Vila de Punhe, soubemo-lo benemérito, tendo sido um dos grandes obreiros do restauro e obras na torre da Igreja Paroquial de Santa Eulália. Faleceu a 16 de Agosto de 1968, estando sepultado no Cemitério de Vila de Punhe. Limite: Início – Largo Projectado à Rua Senhora das Boas Novas / Fim – Rua José Pequeno.

Monte

 

78

 Largo Projectado à Rua de Nossa Senhora das Boas Novas

Conhecido pelo Largo do “Zinão”. Confina com a Rua de Nossa Senhora das Boas Novas. A atribuir outro topónimo, logo que se efectuem obras de grande vulto nesse espaço. Este Largo serve de tampão entre as ruas da Senhora das Boas Novas e do Mário Cunha onde, neste momento, foram feitas obras de ampliação e construção de muros em granito, como forma de preservar o património. Limite: Início – Rua Mário Cunha / Fim – Rua Mário Cunha.

Monte

 Algumas obras consultadas:

 

-         Arquivo Distrital de Viana do Castelo: Assentos de baptismo, casamento e óbito da freguesia de Mazarefes.

-         Arquivo Paroquial de Mazarefes: Extractos de Assentos de Baptismo, Casamentos e Óbito (1860-1910)

-         Arquivo Pessoal do autor e apontamentos manuscritos para futura Monografia de Mazarefes.

-         “Cadernos Vianenses”, Tomos IV, V, VI e VII.

-         “Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea” da Academia das Ciências de Lisboa.

-         “Dicionário Português Latino” por Francisco Torrinha.

-         Livros de Actas da Junta de Paróquia e Freguesia de Mazarefes.

-         Monografia de Mazarefes (Manuscritos do Abade Matos, existentes no Cartório Paroquial de S. Nicolau de Mazarefes).

-         Roteiro de Viana, 1975.

-         “Serão” de José Rosa Araújo, Volumes I, II e III (Com apontamentos do Pe. Artur Rodrigues Coutinho).

-         Sistemas de Moagem, de Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira.

 

Agradecimentos:

 

António José Barroso (Dr.)

Artur Rodrigues Coutinho (Pe.)

Manuel Parente Pereira (Pe.)

Miguel Gonçalves Forte

Vasco Amaral Cunha (Arq.)


[1] “Poder Local”, Revista de Administração Democrática, n.º 8, p. 58, Julho/Agosto 1978. Segundo a Câmara Municipal de Viana do Castelo, através de uma Agenda publicada em 1993, aponta uma  área de 4,26 Km2 para Mazarefes.

[2] Livro I das Honras e Devassas de alem Douro, fl.93.

[3] Opinião defendida pelo P.e António Francisco de Matos (Abade Matos), numa monografia (manuscrita) de Mazarefes, existente no Cartório Paroquial.

[4] Jornal “Incrível”, n.º 281.

[5]  FERNANDES, A. Almeida – Cadernos Vianenses, Tomo VI, pp. 306-307.

[6] COSTA, P.e António Carvalho da - Corografia Portugueza (2.ª edição), Tomo Primeiro, p. 176, Braga, 1868.

[7] SAO PAYO, Conde de (D. António) - Dois Documentos Inéditos/Anteriores à Nacionalidade (Separata de “O Archeologo Português”, vol. XXVII), Lisboa, 1930.  

 

                 LISTA DOS CÓDIGOS POSTAIS DE MAZAREFES

Avenida do Monte

Rua de Bonsuinhos

Rua Agostinho Paulino

Rua Mário Cunha

Rua do Ribeiro

Rua Dr. Francisco Pitta

Rua do Conde

Largo do Montinho

Largo Proj. à rua N.ª Sra das Boas Novas

Beco dos Carvalhos

Beco dos Dias

4935-471

4935-437

4935-430

4935-468

4935-485

4935-478

4935-444

4935-472

4935-480

4935-485

4935-485

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

Lugar da Conchada

Avenida da Conchada

Rua Extremo da Ola

Rua das Travessas

Rua Manuel Ferreira Torres (Mira)

Rua Proj. de Bonsuínhos

Rua do Sol

Rua do Olival

Rua Proj. à rua do Olival

Rua do Limão

Rua do Bate-Estacas 

Rua Manuel Vaz Coutinho

Rua José Alves Pereira

Rua Manuel da Silva Liquito

Calçada do Calvário

Beco José Alves Ferreira

Beco do Fogueteiro

Beco das Castelas

Beco das Travessas

Beco das Lavandeiras

Beco das Pinheiras

4935-443

4935-449

4935-494

4935-464

4935-481

4935-491

4935-473

4935-479

4935-462

4935-477

4935-465

4935-456

4935-463

4935-439

4935-491

4935-464

4935-464

4935-494

4935-473

4935-473

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

Lugar da Regadia

Avenida S. Nicolau

Rua Sra das Boas Novas

Rua da Regadia

Rua Maria Luíza de Carvalho

Rua José Oliveira Reis

Rua José Pequeno

Rua da Fonte Branca

Rua do Bairro Novo

Rua do Ermígio

Rua Cirurgião Matos

Rua das Presas

Rua das Azenhas

Rua Prof. Carvalho (Banda do Carvalho)

Rua do Redondelo

Rua José Gomes da Cunha

Rua Rio do Ferreiro

Rua do Souto

Rua Prof. Isabel Ferreira de Sousa

Rua Souto do Abade

Rua dos Moinhos

Rua da Fontela

Rua de S. Simão

Rua do Vermuim

Largo das Boas Novas

Largo da regadia

Largo do Bicho

Beco José Liquito

4935-488

4935-490

4935-484

4935-467

4935-460

4935-461

4935-452

4935-434

4935-446

4935-442

4935-476

4935-432

4935-441

4935-482

4935-457

4935-486

4935-492

4935-455

4935-493

4935-470

4935-453

4935-489

4935-495

4935-436

4935-483

4935-435

4935-459

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

Lugar de Ferrais

Av. de S. Nicolau

Av. da Igreja

Rua do Cruzeiro

Rua Abade Matos

Rua José Gonçalves Rato

Rua Avelino Martins de Sousa

Rua Maria Julia Bourbon

Rua da Carniçaria

Rua do Passal

Rua de S. Bento

Rua da Estrada Velha

Rua das Breias

Rua das Fontinhas

Rua de Ferrais

Rua da Escola Primária

Rua Francisco Rodrigues de Carvalho

Rua José de Araújo Vaz Coutinho

Rua José Rodrigues de Araújo Coutinho

Rua Artur Pedro da Silva Domingues

Rua Domingos Rodrigues de Araújo Coutinho

Beco do Paço

 

4935-488

4935-454

4935-445

4935-469

4935-458

4935-431

4935-466

4935-440

4935-475

4935-487

4935-448

4935-438

4935-451

4935-450

4935-447

4935-433

4935-433

4935-433

4935-433

4935-433

4935-474

 

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES

MAZAREFES