PORTUGAL:  ALTO MINHO - DISTRITO DE  VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE VIANA DO CASTELO - FREGUESIA DE LANHESES


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 RESENHA HISTÓRICA

Pelourinho do Paço

Informação Sumária

ASPECTOS GEOGRÁFICOS

RESENHA HISTÓRICA

PELOURINHO

CASA DO PAÇO

LARGO DA FEIRA

PONTE

CAPELA DO SR. DO CRUZEIRO

Capela do Senhor do Cruzeiro e das Necessidades   Paço de Lanheses   Igreja Paroquial e Capela do Senhor do Cruzeiro e das Necessidades   Largo da feira



 Informação Sumária

 

Padroeira: Santa Eulália.

Habitantes: 1.744 habitantes  (I.N.E. 2001) e 1.563 eleitores em 31-12-2003.

Sectores laborais: Agricultura, pecuária de subsistência, pequena indústria e comércio.

Feiras: Quinzenal, aos sábados.

Tradições festivas: S. João, Senhor do Cruzeiro e das Necessidades e Santo Antão.

Valores Patrimoniais e aspectos turísticos: Pelourinho, Paço de Lanheses, Igreja Paroquial, capelas do Senhor do Cruzeiro e das Necessidades, S. João, Senhor dos Passos, Santo Antão e Senhora da Esperança, margens do rio Lima e largo da Feira.

Gastronomia: Cabrito à Serra D'Arga e cozido à portuguesa.

Colectividades: Casa do Povo de Lanheses, Associação dos Caçadores de Lanheses, União Desportiva de Lanheses, Associação Cultural e Humanitária de Lanheses, PROIDA XXI - Grupo de Intervenção e Informação para a Protecção do Ambiente e Desenvolvimento de Lanheses.

 


ASPECTOS GEOGRÁFICOS

 

Lanheses está localizada junto à margem direita do Rio Lima, e estende-se pelas vertentes elevadas da Serra de Arga, ocupando, no seu todo, uma área de cerca de 1004 ha. Os seus limites estão estabelecidos da seguinte forma: A Norte a Freguesia de Montaria , a Sul o rio Lima, tendo na outra margem, a Freguesia de Moreira do Geraz do Lima, a Nascente as Freguesia de Arcos e Fontão (ambas do Concelho de Ponte de Lima), e a Poente, as Freguesias de Vilar de Murteda, Meixedo e Vila Mou. Segundo dados do I.N.E., em  2001 viviam em Lanheses  1.744 habitantes.

Constituída pêlos seguintes lugares: Bacelo, Bajouca, Barreiro, Campêlo, Casal Maior, Corredoura, Cutarelos, Devesa, Feira, Forcada, Granja, Igreja, Lamas, Outeiro, Peitilha, Rocha, Romão, Roupeiras, Santo Antão, Seara, Seixo, Sobral e Taboneira. 

 


RESENHA HISTÓRICA 

 

 Acerca da história de Lanheses,  sabe-se, pelos vestígios castrejos,  que é uma terra  muito antiga, a "Cividade de Lanheses" apresenta dados de um séc. Antes de Cristo, e antes da nossa nacionalidade, já se referenciava Lanheses no Inventário dos bens pertencentes ao Mosteiro de Guimarães e depois, também do Mosteiro de São Salvador da Torre.

1059 -- Lanheses figura no inventário dos bens pertencentes ao Mosteiro de Mumadona, de Guimarães, passando no princípio da nacionalidade para o Convento Beneditino de S. Salvador da Torre.

1258 -- Pelas Inquirições de D. Afonso III, vê-se que Lanheses continua a pertencer ao dito mosteiro de S. Salvador da Torre.

1258 -- No foral de Viana os limites de Lanheses são também os limites do Concelho de Viana com o Concelho de Ponte de Lima.

1548 -- João Martins Ricalde, o Moço, adquire por compra ao convento de S. Salvador metade do Padroado de Lanheses. Mais tarde o abade João Martins da Rica, seu bisneto, terá comprado a outra metade.

1620 -- Construção do tomulo dos Ricaldes na Igreja Paroquial de Lanheses.

1674 -- Construção da Capela de S. João.

1737 -- Edificação da Capela de Nossa Senhora da Esperança, hoje conhecida por Capela da Barrosa.

1757-60 -- Construção da Capela do Senhor do Cruzeiro e das Necessidades.

1793 -- Sebastião de Abreu Pereira Cyrne Peixoto era senhor do Padroado de Santa Eulália bem como do vínculo da Casa do Paço.

1793 -- A Rainha D. Maria l permitiu a Sebastião de Abreu Pereira Cyrne Peixoto a troca do seu senhorio de Lindoso pelo de Lanheses em virtude de o dito senhor ter em Lanheses o seu solar e padroado e ao mesmo tempo concedeu-lhe o direito de nomear as justiças do pequeno Concelho. Nesta altura a Câmara de Viana opôs-se à formação do novo Concelho, com fundamento no seu foral, visto Lanheses pertencer a coroa e não poder passar a particulares. O Governo não atendeu e mandou um desembargador empossar o donatário. Foi assim que a freguesia de Lanheses foi elevada a categoria de Vila Concelhia pela rainha D. Maria l.

1794 -- A Vila de Lanheses fica isenta de toda a jurisdição que nela tinha a Câmara de Viana.

1794 -- Eleição dos primeiros Capitão de Ordenanças, Ajudante de Ordenanças e Alferes de Ordenanças da Vila. 1795 -- Foram agregados ao novo Concelho as freguesias de Fontão, Meixedo e Vila Mou.

1796 -- Foi criada por sentença do Desembargo do Paço a feira quinzena! que ainda hoje subsiste.

1816 -- Principiam as obras da nova igreja por a velha se encontrar em ruínas.

1836 -- Extinto o Concelho de Vila Nova de Lanheses. Isto aconteceu porque após a revolução de 1834 foram extintos todos os senhorios.

1836 -- Criado o Juízo do Distrito de Paz de Lanheses.

1870 -- Construção da Estrada Nacional 202.

1880 -- Já funcionava a Escola Masculina de Lanheses.

1883 -- Os enterramentos passaram a fazer-se no adro.

1888 -- Foi benzido o Cemitério.

1893 -- Construído o Fontenário do Paço.

1894 -- Já funcionava uma escola feminina, embora particular.

1895 -- Construção da torre da igreja.

1911 -- Criado o Posto de Registo Civil.

1922 -- Demolição do edifício da antiga Câmara da Vila.

1928 -- Construção da Avenida para o Rio Lima.

1928 -- Colocou-se o relógio na torre da Igreja.

1928 -- Criado o Posto das G.N.R. de Lanheses.

1931 -- Construção do 1.° fontanário da Feira.

1931 -- Electrificou-se a freguesia.

1932 -- Criado o Sport Clube de Lanheses.

1933 -- A Casa do Paço cede a Junta de Freguesia os seus direitos sobre o terreno do Largo da Feira, mas reserva para si o Pelourinho, que transfere para o jardim do Paço.

1933-40 -- Fazem-se as obras de alargamento do Largo da Feira.

1934 -- Inauguração do novo edifício da Escola.

1934 -- Construção do novo fontanário da Feira.

1936 -- Construído o 1.° edifício da Casa do Povo.

1946 -- Criado o Rancho Regional de Lanheses.

1951 -- Criação da Estação Regional dos C.T.T.

1953 -- Inauguração do Campo de futebol dos Cutarelos.

1958 -- Iniciou-se a publicação do Jornal "Voz da paróquia" depois "Voz de Lanheses".

1958 --Inauguração do posto de abastecimento de gasolina.

1965 -- Criado o Ciclo Preparatório T.V.

1968 -- Inaugurado o abastecimento de água ao domicílio.

1970 -- Criado o Externato Liceal de Lanheses.

1972 -- Iniciada a publicação do "Notícias de Lanheses".

1972-73 -- Restauro do edifício da Igreja.

1975 -- Conclusão das obras do 2.° edifico da Casa do Povo.

1980 -- Obras de saneamento do Largo da feira.

1980 -- Abertura da agência bancária Fonsecas e Burnay.

1981 -- Inauguração da ponte sobre o Rio Lima.

Também,  a respeito da história desta freguesia podemos ler na integra no livro "Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo" :«No catálogo das igrejas subordinadas ao bispado de Tui, ao norte do rio Lima, que o rei D. Dinis mandou elaborar, em 1320, Santa Eulália de Lanheses foi taxada em 100 libras. Pertencia à Terra de Vinha, gozando de razoável situação económica.

Igreja Paroquial e Capela do Senhor do Cruzeiro e das NecessidadesEm 1444, D. João I conseguiu do papa que aquele território de Entre Lima e Minho fosse desmembrado do bispado de Tui, passando a pertencer ao de Ceuta, onde se manteve até 1512. Neste ano, durante o arcebispado de D. Diogo de Sousa, Santa Eulália de Lanheses foi incorporada na diocese de Braga, em virtude da troca efectuada entre o arcebispo de Braga e o bispo de Ceuta, a quem aquele entregou a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo no seu lugar a de Valença do Minho.

Esta permuta foi aprovada, em 1513, pelo papa Leão X.

Em 1546, no registo da avaliação dos benefícios eclesiásticos incorporados na diocese de Braga, Santa Eulália de Lanheses foi avaliada em 60 mil réis. A esta importância acresciam ainda 10 cruzados da vigairaria perpétua da igreja, e 8 mil réis do campo, casas e pé de altar.

Na cópia de 1580 do Censual de D. Frei Baltasar Limpo, sobre a situação canónica daqueles benefícios eclesiásticos, diz-se que Santa Eulália de Lanheses era metade da apresentação do arcebispo e pela restante do mosteiro de São Salvador da Torre, sendo ambas da Mesa Arcebispal.

Segundo Américo Costa, Santa Eulália de Lanheses foi abadia da apresentação da Casa do Paço e dos Rochas, de Meixedo, alternadamente.

No foro administrativo, pertenceu, em 1839, à comarca de Ponte de Lima e, em 1852, à de Viana do Castelo».

 

Inventário do Património Arquitectónico

Em http://www.monumentos.pt

 

Capela do Senhor das Necessidades
 

Capela de Nossa Senhora da Esperança
 

A CASA DO PAÇO

 

Paço de LanhesesA Casa do Paço de Lanheses, notável pela sua fidalguia e beleza arquitectónica, tem-se mantido pelo menos a partir dos princípios do sec. XVI até hoje, sempre na posse da mesma família - os Ricas ou Ricaldes e seus descendentes. A Casa dos Ricaldes desde que acolheu D. António Prior do Crato, tomou, como outros solares minhotos, o nome de Paço. Com o casamento de D. Maria Francisca de Abreu Pereira Cyrne Peixoto com D. Antão José Maria Vaz de Almada, 2º Conde de Almada e 14º de Avranches, realizado em 1818 é que os Condes de Almada entraram na Casa do Paço de Lanheses. É proprietário do lindo Solar D. Luís Francisco Vaz de Almada. Lanheses muito deve a esta Casa, sendo de realçar a elevação da Freguesia a Vila Concelhia com Câmara, Cadeia e Pelourinho bem como a criação da feira quinzenal. Isto no passado, porque no presente, não há palavras que possam traduzir a disponibilidades desta nobre Família para com os Lanhesenses.

 

 

O PELOURINHO

 

Pelourinho do PaçoEm 1794 nasceu a Vila Concelhia de Lanheses. Como prova da sua autonomia foi mandado erigir o Pelourinho, verdadeiro símbolo Concelhio, pois era ali que o município exercia a sua justiça. Trata-se de um monumento feito em granito e assente numa plataforma de três degraus, também em granito, onde se exibiam as cenas penais. No meio da plataforma, a base, donde emergia a coluna com os seus três elementos constituintes (base, fuste e capitei) e remata por uma pirâmide encimada por uma esfera, peça decorativa onde eram expostos os réus. O Pelourinho foi colocado no Largo da Feira, próximo do local onde hoje fica o fontanário. Em 1933, a Casa do Paço, cedeu a Junta de Freguesia o direito de propriedade sobre o terreno e oliveiras do Largo da Feira e, quanto ao Pelourinho, foi retirado na mesma data, do referido locai, para os jardins frente ao Solar do Paço, onde ainda se encontra.

 

 

O LARGO DA FEIRA

 

Largo da feiraO Largo da Feira é a sala de visitas de Lanheses. Inicialmente situava-se próximo da Casa do Paço por onde passava a estrada velha.

Era ali a feira quinzenal desde que foi criada em 1756. Mais tarde, foi mudado para o actual lugar, onde funcionou a Casa da Câmara, demolida em 1922, a Cadeia e o Pelourinho. O terreno para o larguinho, em frente ao portal do Paço, foi cedido gratuitamente a Junta de Freguesia em 1866 pela senhora Condessa de Almada. No Largo, existiam então cerca de meia centena de oliveiras que eram propriedade da Casa do Paço. Em 1933, o senhor Conde D. Lourenço Vaz de Almada, desejando contribuir, de algum modo, para o progresso da freguesia, cedeu para sempre, o direito de propriedade do terreno da Feira a Junta de Freguesia, reservando para si, o direito sobre o Pelourinho, cuja história estava ligada a Casa do Paço, colocando-o a entrada da Carreira, onde ainda se encontra. No projecto de 1934, já o Largo estava quase com a configuração actual aparecendo nele projectado a construção da rua da Casa do Povo, bem como a construção do fontanário cilíndrico que depois abasteceu de água a Feira.

Só em 1940 é que foram dadas por concluídas as obras de alargamento do Largo.

Os bancos de granito foram colocados em 1946.

Em 1947 passou a chamar-se Largo Capitão Gaspar de Castro, homem de acção, que contribuiu para o progresso de Lanheses.

Em 1965, a Junta de Freguesia, presidida pelo Sr. José Martins Agra, encarregou o Arquitecto Carvalho Dias de estudar o projecto para o plano de urbanização de um novo Largo da Feira. O plano previa o prolongamento da rua da Casa do Povo até perto do Olho e depois a construção de duas avenidas transversais, paralelas entre si e também ao Largo da Feira, uma mais a Norte e outra mais a Sul, cada uma delas ligando a Avenida Rio Lima ao prolongamento da Casa do Povo.

O espaço limitado por estas quatro vias, seria então devidamente urbanizado para a zona residencial e para a implantação do novo largo da feira onde passaria a realizar-se o mercado quinzenal. Esta grande aspiração, perdida a oportunidade de concretização em 1965, não teve até hoje qualquer solução.

Em 1979 foram feitas obras de saneamento.

Em 1981 foi construído o Cruzeiro do Largo da Feira tendo em vista o percurso da procissão do Senhor dos Necessidades.

Largo da Feira de Lanheses é um Largo aprazível!

Envolvido por um conjunto arquitectónico, mais ou menos fiel ao seu património, ergue-se na beleza das suas árvores e jardins como que convidando os forasteiros a parar ou para apreciar a boa comida regional, o cabrito, o cozido a portuguesa, o arroz de frango, ou para repousar nas lindas e frescas esplanadas, saboreando os apetitosos bolos, também de fabrico local.

 

A PONTE

 

Ponte de LanhesesA ponte de Lanheses sobre o Rio Lima foi inaugurada em Agosto de 1981. O projecto é da autoria do Prof. Eng. Edgar Cardoso. Uma obra prima de arquitectura em que a solidez se associa a beleza e elegância da forma. Estende-se sobre o Rio Lima e as extensas veigas das suas margens, que no verão, se apresentam verdes e viçosas dos milheirais, e no Inverno, com as cheias, um grande lençol de água! Quem passa a ponte de Geraz do Lima para Lanheses pode admirar, bem ao fundo, a majestosa e sempre linda Serra d'Arga.

O tabuleiro assenta em 44 pegões em betão armado, tem uma extensão de 1.200m que somados aos aterros sobre a veiga perfaz uma recta de 2.700 m de comprimento por 11,5 m de largura. Foi engrandecida com um sistema de iluminação constituído por 44 postes ao longo do tabuleiro mais 39 nos respectivos acessos a ponte.

A ponte foi a concretização de um dos velhos e grandes sonhos do povo de Lanheses e da região da Ribeira Lima, sonho que já vinha de 1947. Foi uma luta travada durante muitos anos pelas respectivas Juntas de Freguesia e apoiada pelo senhor Capitão Gaspar de Castro.

Em 1954, foi enviada uma exposição ao senhor Ministro das Obras Públicas, solicitando a construção da ponte sobre o rio Lima entre Lanheses e Geraz do Lima. Essa exposição foi assinada pelas Juntas de Freguesia de Darque, Vila de Punhe, Capareiros, Portela, Subportela, Deocriste, Deão, Santa Maria de Geraz, Santa Leocádia de Geraz, Moreira de Geraz, Vitorino das Donas, Cardielos, Nogueira, S. Salvador da Torre, Vila Mou, Arcos, Fontão e Lanheses. A resposta veio negativa, por se tratar de uma obra de vulto e com custos muito elevados. Apesar da resposta, os ânimos nunca esmoreceram e, aqui, será muito justo deixar uma palavrinha de homenagem, embora a título póstumo, ao senhor José Martins Agra, que não desistiu. Insistiu constantemente junto da sua População e das Entidades Regionais, arranjou amigos no Ministério das Obras Públicas e outros Ministérios e, sempre que via uma pontinha de possibilidade, lá ia a caminho de Lisboa, fazer mais uma tentativa, não se poupando a esforços, nem sacrifícios, pois o que era importante para ele, era conseguir. E conseguiu. Tudo se iniciou de novo quando da visita do senhor Ministro das Obras Públicas, Eng. Arantes de Oliveira, ao Norte do País, com passagem por Lanheses.

Envolvido em grandiosa manifestação, cheia de calor humano, o povo de Lanheses renovou o pedido de construção da ponte. Aqui nasceu a promessa. O grande impulso foi dado mais tarde, com nova visita do senhor Ministro das Obras Públicas, de então, acompanhado do Sr. Dr. Evangelista que deu fim definitivo e para breve.

Posteriormente, foi mandado, pela repartição competente do Ministério um Engenheiro a fim de fazer o estudo sobre a possibilidade de construção e localização. Seguidamente, uma empresa de construção civil, foi encarregada de fazer as sondagens necessárias para o estudo final do projecto. Entretanto, deu-se o 25 de Abril, e com o Gonçalvismo tudo esmoreceu e o projecto, já concluído, foi metido na gaveta, condenado a não ser realizado, tanto mais que, além da falta de dinheiro, havia outras obras mais importantes a realizar como a própria ponte de Viana do Castelo.

Foi nessa altura, que todas as esperanças miram e, não foi dado nem mais um passo, apesar do desgosto e inconformismo daqueles que viveram o velho sonho. Sucedeu, porém, que sendo convidada para fazer parte da Comissão de Planeamento Regional do Norte, a Prof. Dra. D. Maria Laudomira Figueiredo Veiga, filha do senhor Inspector Gabriel Gonçalves, informou o Gabinete de Apoio Técnico do Vale do Lima da existência do referido projecto e, empenhou-se com interesse pela construção da ponte da sua Terra.

Interpelado pelo Governo, o senhor Presidente da Câmara de Viana do Castelo, Lucínio Pires de Araújo informou também sobre a necessidade da ponte para a região. E fez-se!...

 

A CAPELA DO SENHOR DO CRUZEIRO

 

Capela do Senhor do Cruzeiro e das NecessidadesJóia arquitectónica que data dos meados do séc. XVIII.

Por volta do ano de 1756 o Padre Manuel! da Silva, o Juiz e mais oficiais da freguesia de Lanheses fizeram um requerimento ao Senhor Arcebispo pedindo o erguer de uma capela para albergar a imagem do Senhor crucificado. "... que eles têm um cruzeiro com a imagem do Senhor crucificado, no adro da sua Igreja, e que tem feito muitos milagres, e com o produto das esmolas pretendiam cobrir a imagem do mesmo Senhor com um arco de cantaria lavrada e com um nicho fechado nas costas do mesmo cruzeiro para nele porem os milagres, tudo a imitação da obra que se fez na freguesia de Carreço".

Como se vê a imagem do Senhor Crucificado é muito anterior a capela. Deveria fazer parte do cruzeiro paroquial. O povo mantinha por Ele grande devoção.

O requerimento foi deferido.

Em 1759 a obra já estava pronta.

Em 1760 os mesmos, juiz e oficiais, requererem nova licença para nela se fazer o altar e poder dizer missa, tendo nessa altura o Abade Bernardo Barros Barbosa descrito assim a capela: "Tem de comprido vinte e dois côvados e de largura dezassete; é coberta de abóboda, serve-lhe de frontaria um arco de pedra toda lavrada; nos lados está a imagem de Nossa Senhora da Piedade e S. João; na parte superior a de Santa Helena abraçada com a cruz no meio dos profetas José e Nicodemos que estão com escadas, martelo e turquês; na parte interior do edifício está o cruzeiro antigo com Nosso Senhor Crucificado; continua uma parede que separa o restante deste lugar, e nela está a porta principal, entre duas janelas com grades de ferro envidraçadas, dentro se colocou uma perfeita imagem do Senhor das Necessidades com o seu altar decentemente ornado".

Como se vê, em vez de uma simples cobertura com um arco de cantaria lavrada, foi construída uma capela com altar próprio e imagem do Senhor das Necessidades.

Em 1825 o cruzeiro que se encontrava "dentro e debaixo da abóbada da capela foi removida para local onde se encontra actualmente", fora e do lado esquerdo da capela. No frontispício Senhor das Necessidades abriram um nicho para nele colocarem a cruz com a imagem de Cristo Crucificado que foi retirado do cruzeiro antigo e para que o frontispício ficasse a condizer artisticamente com o arco de cantaria lavrada foi ornamentado no remate com um escudo no qual estão figurados todos os instrumentos do suplício de Nosso Senhor: ao centro um coração rodeado pela coroa de espinhos e encimado pela cruz; lateralmente a escada, o martelo, a coluna onde prenderam Jesus, a lança e a esponja com que Lhe chegaram aos Sábios fel e vinagre e as cordas. Pendente do escudo, uma aba com as letras J.H.S.

Por baixo do nicho do Senhor do Cruzeiro colocaram outro escudo com as cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em 1767 fundou-se a Irmandade do Senhor do Cruzeiro com o respectivo livro de Estatutos e que ainda hoje vigora, pois nunca foram reformados. "...determinamos estabelecer e erigir de novo uma irmandade debaixo do patrocínio do Senhor do Cruzeiro e do Senhor das Necessidades, colocado também na mesma capela."

Depois da sua criação, a confraria teve uma época de grande prosperidade.

Aumentou muito os benefícios concedidos aos irmãos e criou uma nova festividade, a qual se realizaria, com grande pompa, no 4.° domingo de Julho, em honra do Senhor das Necessidades.

Esta festividade, ainda hoje se realiza na mesma altura com grande brilho. A procissão é uma manifestação de fé, rica, grandiosa, imponente!

... uma festa de devoção.

O Senhor das Necessidades está presente no dia a dia de todos os Lanhesenses, mesmo naqueles que se encontram espalhados pelo Mundo! Ninguém discute o preço destas festividades, testemunho de fé e gratidão!

 ..., o Senhor da Vida!

... o Senhor da Morte!

... o Senhor da Consolação e da Esperança!

 ... o Senhor de todos nós!

( Fonte consultada: Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, Lanheses na França e Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)