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PORTUGAL: ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO
- CONCELHO DE VIANA DO CASTELO - FREGUESIA DE BARROSELAS


A Freguesia de
Barroselas, dista
cerca de 14 Km da cidade de Viana do Castelo, a sede do concelho e do distrito a
que pertence Ocupa
uma área de aproximadamente 790 ha, estendendo-se desde o rio Neiva até
aos pontos elevados da serra da Padela.
A
Sul, estabelece limites territoriais com o concelho de Barcelos. A Norte, com as freguesias vianenses de Mujães e
de Vila de Punhe. A Nascente, com a Freguesia de Carvoeiro e a Poente
com a freguesia de Alvarães.
Anteriormente, esta freguesia, se chamava Capareiros ou Couto de Capareiros.
Barroselas era um lugar da extinta Freguesia
de Capareiros. Foi em 3 de Março de
1971, que passou a designar-se Barroselas em função do lugar já existente.
Posteriormente, em 18 de Dezembro de 1987, foi elevada
à categoria de Vila.
O padroeiro desta freguesia é S. Pedro e as suas
festividades realizam-se a 29 de Junho de cada ano.
Capareiros,era couto dos
arcebispos de Braga. Houve em aqui um convento de frades beneditinos que
passou a abadia secular no século XVI. Era seu padroeiro Paio Peres, que deu o
padroado ao arcebispo D. Paio, pelos anos de 1125.
Juntamente com Mujães e Vila de Punhe,
à Freguesia de Barroselas está ligado o lugar das Neves,
onde, a 5 de Agosto, se realiza a segunda maior romaria do concelho de Viana do
Castelo, a
designada " Representação do Auto da Floripes".
Acerca
da história desta freguesia, no livro
"
Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais" encontra-se a seguinte resenha,
que aqui se transcreve na integra:
«A primeira referência
conhecida a Capareiros remonta ao ano de 1115, data em que Pascoal II confirmou
à Sé o couto de Capareiros. Existiu aqui um mosteiro antigo de frades bentos
que, em 1126, foi doado a D. Paio Mendes.
O couto de Capareiros foi criado por D. Afonso Henriques em 1134. Foi, desde os inícios da
nacionalidade, um dos notáveis coutos da Sé de Braga e, como se refere nas
Inquirições de D. Afonso III, em 1258, o prelado tinha aí paço.
Em 1320, Capareiros, então denominada “Sancti Petri de Capateiiros”, foi avaliada em 100
libras.
Em 1528,
tendo por padroeiro São Paio, a igreja de Capareiros, enquadrada na Terra de
Aguiar de Neiva, era câmara do arcebispo. As Inquirições de 1758, referem-na
como abadia da apresentação “in solidum” da mesa e câmara arcebispal da Mitra
de Braga. Por estar sujeita à Mitra de Braga, por cujos meirinhos eram julgadas
as suas causas, o conto de Capareiros gozava dos privilégios eclesiásticos.
Nesta conformidade, os delinquentes e presos capturados no conto eram
encarcerados no aljube dos eclesiásticos, em Braga.
No foro
administrativo, Capareiros era um pequeno concelho que tinha jurisdição
temporal com câmara, vereadores, juiz ordinário. escrivão e meirinhos, de
nomeação arquiepiscopal (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira,
apêndice. vol. XXXX.
No Cadastro da
Província do Minho, organizada pelo Engº Custódio José Gomes Vilas Boas Boas em
1799, parte desta freguesia pertencia ao termo de Barcelos, julgado de Neiva,
sendo a restante da Patriarcal de Braga.
Em 1852,
aparece na comarca Viana do Castelo e, em 1878, no julgado da Vila de Punhe. O
concelho de Capareiros foi extinto por Decreto de 6 de Novembro de 1836 e a sua
única freguesia, Capareiros, incorporada no concelho de Viana do Castelo (v.
Acta da sessão da Câmara de Viana, de 4 de Janeiro de 1837).
O lugar de Barroselas veio a designar oficialmente a freguesia, por força do Decreto do
Governo de Marcelo Caetano, de 20 de Fevereiro de 1971, publicado no Diário do
Governo de 5 de Março do mesmo ano.»
Nos tempos que
correm deste inicio do sec. XXI temos em Barroselas uma evolução demográfica que
tem sido pautada por um crescimento populacional gradual e paulatino.
A Vila de Barroselas dispõe de
inúmeros serviços, industrias e variado comércio. Possui, Bombeiros Voluntários, G.N.R.,
agências bancárias Estação de Correios. A Vila de Barroselas é servida pela E.N. 305 e pela E.N. 308, por carreiras da Rodoviária
Nacional, as quais fazem a ligação entre Braga e Viana do Castelo. Dispõe,
ainda, de uma rede escolar que abrange desde o Jardim de Infância ao ensino
secundário.
No que diz respeito à saúde e solidariedade social, os habitantes da freguesia
usufruem de um Centro de Saúde e de um Centro
de Dia. A vitalidade cultural da freguesia é incentivada pela existência de
vários serviços e estruturas adequadas. São eles: o serviço de biblioteca
itinerante, o auditório do centro social e cultural, o salão da Casa do Povo de Barroselas, imprensa local e algumas escolas de música, e outras artes.
A freguesia possui
um património
monumental, do qual se salientam: a Igreja Matriz, o Seminário dos Passionistas,
a Capela de S. Sebastião, a Ponte do Ribeiro dos Reis
Magos, no lugar das Alvas, que apresenta um traço românico, e está classificada desde 1990, como
“Valor Concelhio” . Também se encontra uma ponte, no lugar de Boticas, que
parece ser dos tempos medievais.
ROTEIRO - "CONHECER BARROSELAS"
Quem se situar no Largo de S. Sebastião, centro cívico da Vila
de Barroselas, cuja capela é a mais antiga da
terra, (1582), das oito nela existentes, poderá a partir daí fazer uma viagem
tendo como "Roteiro Cultural", estes apontamentos sobre esta terra, que teve a
sua Carta de Couto, em Fevereiro de 1134.

Voltado para a Casa do Povo, o visitante deve derivar um pouco
para traz, para visitar o edifico da Estação do Caminho-de-ferro (1874),
retrocedendo depois à estrada nº 308, segue no sentido norte, para Viana, e um
pouco adiante o visitante está na Lagarteira e tem à sua esquerda a Casa da
Estrada, a única casa brasonada da Vila. Seguindo em frente encontra a
ponte dos Reis Magos, que em 1702 era denominada Ponte
d'Arca, lançada sobre o regato de Teixe,
mas que na Carta de Couto se chamava "Vaiga",
aí, vira à esquerda ladeando o Campo da Vinha, e o regato,
para passada a via-férrea entrar no lugar de Fiopos,
com uma série de casas agrícolas do início do século XIX, razão porque o lugar
nos anos cinquenta deste século era considerado o celeiro de
Barroselas, casas, dizíamos, em cujos frontais
estão inseridos vários nichos de Alminhas.

Seguindo em frente está no lugar da Foz e por isso quase junto
ao rio Neiva, mas antes, ao lado da actual estrada nº 305, pode admirar a
ponte românica ou medieval das Alvas, que servia a velha estrada para
Esposende. O visitante deve abeirar-se do rio Neiva, para admirar vários
valores do património arquitectónico, ambiental e paisagístico: as velhas
azenhas, serrações e lagares de azeite, hoje em ruínas, a fonte das Alvas e as
praias fluviais.
Continuando a marcha pela velha estrada de Santiago, que
era simultaneamente ligação de Esposende, à estrada para Braga e à Feira de
Barroselas, o viandante passa no caminho de
má fama do Refujão, que ladeia o Monte da
Forca, no alto do qual existiu realmente a Forca do
Couto,
símbolo das justiças medievais, embora não existindo notícias de que
alguma vez tivesse exercido a sua função sinistra e aí chegado, entra na
estrada medieval Viana - Braga, virando à esquerda e passada a
Pontelha do Forno, seguindo em frente para Vale em
cuja fonte o viandante pode beber as sua frescas águas, para depois
chegar à Ponte de Vale, cuja construção anterior foi a ligação para
Tregosa, inaugurada em 1937, porque até aí,
a passagem era feita sobre poldras no vau, que hoje é uma aprazível praia
fluvial com a levada das duas azenhas em ruínas.
Seguindo
velho Caminho que o turista tem vindo a pisar, breve passa a via-férrea
e ao lado pode admirar a ponte metálica que a serve, sobre o rio Neiva,
cujo exemplar inicial era da autoria do célebre engenheiro Gustavo Eiffel.
À frente meio quilómetro, está no largo do Espírito Santo, que
rodeia a capela da invocação da terceira Pessoa da Santíssima Trindade, tendo
logo ao lado a famosa azenha de Berre e a fonte do Rio de cristalinas
águas, ladeada pela Estação Elevatória, do abastecimento das águas Municipais.
Seguindo em frente pela estrada medieval, menos de meio
quilómetro adiante, verá à esquerda, um velho e simples cruzeiro, que
em tempos foi o cruzeiro paroquial, com a data 1860, inscrita no sopé,
que foi aquela em que para ali foi
mudado
e à direita o caminho de entrada para a ponte de
Lourido, onde se situavam as Azenhas, do Padre Luís, em
cujo anexo funcionou até 1950, uma turbina accionada a água, para produzir luz
eléctrica, para quinta do referido sacerdote, hoje Seminário dos
Passionistas, continuando estamos nas
ruínas Ponte românica (ou medieval) das Boticas, que está lançada sobre
o regato da Fraga, e que uma cheia deste e do rio Neiva, em Fevereiro de 1909,
derrubou parcialmente. Junto a ela e no início do seu talude, do lado poente,
está o marco de divisão dos Coutos de Capareiros e
de Carvoeiro, cuja colocação deverá ter acontecido na demarcação de
1702, do lado oposto e perto da linha de água, está outro marco com a
mesma finalidade e este será o da demarcação de 1712. Há ainda junto a
este um mais recente com as armas da Casa de Bragança, que assinalava a
mesma demarcação.
Retrocedendo
ao Largo do Espírito Santo, segue-se a actual rua das Boticas em
direcção ao norte, para poucos metros adiante deparar com a Capela de S.
Caetano, também designada do Senhor da Cana Verde, da antiga
quinta dos Quesados, em cujos restos da
casa senhorial ainda se pode ver uma interessante escadaria e um poço em
cantaria, para mais adiante e à direita, encontrar a imponente obra
arquitectónica da Igreja e Seminário dos Missionários
Passionístas, em estilo gótico moderno (revivalista).
Continuando a jornada ladeando a Quinta do Mirante, depois de
atravessar a actual estrada nacional nº 308, seguirá em direcção ao Paço, para
ver e admirar a capela de Senhora da Conceição.
Virando
para o poente, segue pelo caminho do Pé-do-Monte,
passando pela Fonte, que deu o nome ao lugar, muito velhinha, mas
de águas abundantes, pouco mais adiante pode visitar a Capela de S.
Miguel, da Furoca e mais abaixo, a
da Senhora da Luz, do Bravio. Está no lugar do Souto, que há
quarenta anos era o lugar mais característico da freguesia, pela alegria dos
seus moradores, tocadores de bombos, caixa e gaitas de foles e hoje é o
mais gracioso, porque o novo casario fica recortado na concavidade do
Monte da Padela. Se o viandante se der ao
trabalho de subir a encosta até aos Depósitos das Águas Municipais, está num
miradouro de onde pode observar em toda a extensão o casario da Vila de
Barroselas. Mas se for mais afoito na jornada e
subir à Pena Ruiva, onde se encontram os limites de
Barroselas, Mujães e Carvoeiro, tem a seus
pés o soberbo panorama do vale do baixo Neiva, que se estende até ao mar.
Descendo,
segue antiga estrada de Viana, para o Convento de Carvoeiro, até à antiga
Lagoa de Medros, onde há um século eram
criadas as melhores "sanguessugas (medicinais) destes
sítios" para ali ao lado visitar o Complexo Desportivo da Rocha, que se
estiver em funcionamento, ali estarão mais de meia centena de jovens a
receber, formação desportiva.
Voltando à estrada nº 308 e seguindo no sentido do poente, à
entrada para a Feira encontra o "Casarão", o edifício com maior área
existente em Barroselas, onde em Agosto de 1929,
se representou a primeira peça de teatro na freguesia, o "Drama de Santo
Antônio", casa que hoje tem nela instalada, além
de vivendas, vários comércios. É ao lado dela, que se entra na Feira, onde às
quartas-feiras, há feira, que segundo se calcula foi fundada no reinado de D.
Manuel I, à entrada é o mercado do peixe, na antiga feira do suínos, passada a
via férrea, na parte inferior, era a antiga feira do gado, bovino e ovino e na
superior as "tendas", das retalheiras e louceiras
e restantes géneros. Em frente, temos o edifício
onde está instalado o Posto da GNR. No mesmo edifício, mas na parte mais
antiga, voltada ao poente ainda podemos admirar a sacada de onde em 6 de
Outubro de 1910, foi proclamada a República. Ainda na Feira e já no início da
estrada para o Forno, ainda resta uma característica "Casa de Feira", com a
sua varanda alpendrada que é a: "Casa dos Telheiros".
Voltando
à estrada nacional, estamos no troço final deste roteiro, porque depois de
passar a entrada para a Escola E.B. 2,3/S de Barroselas,
avista-se a torre da Igreja Matriz, mas antes de lá chegar tem à direita a
primeira Escola Ofícial de
Barroselas, cujo edifício foi oferecido pelo benemérito Padre Luís
Faria, em 1909. Entrando no largo da Matriz, pode-se admirar na sua capelinha
o rosto angustiado do Senhor dos Passos e a imagem
lacrimejante de Sua Mãe, a Senhora das Dores; o Cemitério Paroquial
inaugurado em 1888, e a seu lado o imponente Cruzeiro Paroquial, construído
por voltas de 1860, como penhor do perdão de uma tentativa de assassinato.
Junto à Matriz admiram-se as sóbrias linhas arquitectónicas da Capela da
Ressurreição e o visitante deve entrar na Igreja, para contemplar talha
barroca onde em várias peças temos esculpida concha de Santiago, símbolo dos
peregrinos ao seu santuário na Galiza e soberba imagem do Padroeiro desde
sempre: S. Pedro, imagem que se repete, mas agora em granito ao lado da
imponente escadaria que dá acesso ao templo.
( Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico
das Freguesias,
Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos
Nacionais/Torre do Tombo e Freguesias Autarcas do Século XXI , Pinho Leal -
Portugal Antigo e Moderno e
outros.
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