PORTUGAL:  ALTO MINHO - DISTRITO DE  VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE VALENÇA - FREGUESIA DE GANDRA


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 RESENHA HISTÓRICA

 

Informação Sumária

ASPECTOS GEOGRÁFICOS

RESENHA HISTÓRICA

 

 

Capela do Sr. do Bonfim                                 


 

Informação Sumária

 

 

Padroeiro: Divino Salvador. 

Habitantes:  1.188 habitantes (I.N.E. 2001) e 1.258 eleitores em 31-12-2003.

Sectores laborais: Construção civil e transportes.

Tradições festivas: Santo António, Senhora de Fátima, Senhora dos Milagres (Maio), S. João (Junho), Santa Ana e S. Paio (Julho), Santo Amaro e Senhora da Boa Morte (Setembro).

Valores Patrimoniais e aspectos turísticos: Igreja paroquial, capelas de Santo Amaro, da Senhora da Boa Morte, do Senhor do Bonfim, da Senhora dos Milagre, Santa Ana, S. Paio, S. Sebastião, Forte do Tuído, Quinta de Real, Alto dos Pedrosos, Couto de Santa Ana e pinturas rupestres de Ouzão.

Gastronomia:  Cabrito assado.

Artesanato: Trabalhos em linho.

Colectividades: Associação Cultural e Recreativa de São Salvador de Gandra.

 

 

ASPECTOS GEOGRÁFICOS

 

A Freguesia de Gandra está situada a cerca cinco quilómetros da sede do concelho, a vila de Valença, ao qual pertence. Desfruta de uma área de aproximadamente 1064 ha, os seus limites estão estabelecidos da seguinte forma:  A Norte, a Freguesia de Ganfei. A Sul, a Freguesia Taião e a Freguesia de Cerdal. A Nascente a Freguesia de Sanfins. A Poente a Freguesia de Cristelo Covo e a Freguesia de Arão.

 Os seus habitantes, cerca de 1300, dividem-se pelos seguintes lugares: Ouzão, Pinheiro, Paço, Vale do Rei, Real, Picões, Aguilhão, Bouço, Pedreira, Mondim de Cima, Tardinhas, Conguedo, Balagota, Forte, Mondim de Baixo, Pedrosa, Torre e Jardim, Tuído, Formigosa e Esqueireira.  

 

RESENHA HISTÓRICA 

 

A freguesia de Gandra tem um rico passado histórico. No lugar de Ouzão, por exemplo, existe numa pequena tapada, em terreno abrigado por pinheiros, carvalhos e eucaliptos, um bloco granítico com algumas gravuras rupestres que datam, provavelmente, da Idade do Bronze. O que se repete na lájea de Escaravelhão.

 Em Picões foram encontrados, há poucos anos, restos de antigos crastos.

 Pode, por isso, definir-se como de uma fase muito antiga a ocupação deste sítio.

 O lugar de Mondim sugere uma ocupação pelo tempo da Reconquista — alturas dos séculos IX-X —, pois, etimologicamente, o seu nome tem origem no antropónimo de raiz germânica Mondinus.

 Já Prudêncio Sandoval, no século XVII, se refere a Gandra aludindo que, em 1125, D. Afonso Henriques doou a igreja e o seu couto à Sé de Tui e ao seu bispo D. Afonso.

Foi, mais tarde, ao tempo das guerras da Restauração, um ponto de defesa: o forte existente no lugar de Tuído, edificado pelas tropas galegas, em 1661, na sua estratégia de assalto à praça de Valença, e hoje completamente tomado pela vegetação (embora se salientem os seus fossos e amuralhados), reflecte a importância desempenhada por este ponto.

 Num outro lugar — a Balagota —, em monte também hoje revestido de alto e espesso mato, viria a ser levantado um outro forte abaluartado de torreão, por ordem de D. Francisco de Sousa, conde de Paço, sob desenho e orientação do engenheiro militar francês Michel de Lescolle, como testemunha o conde de Cantanhede, D. Luís de Meneses, na sua crónica de “Portugal Restaurado”: “Deu ordem a Michel Lescolle que o desenhasse, e feita a relação do sítio se começou a trabalhar em um forte de quatro baluartes entre Valença e o quartel que os Galegos haviam ocupado. Teve princípios a 23 de Agosto; a 3 de Setembro estava posto em defesa.”

 Por aqui passam dois importantes caminhos medievais, de peregrinação a Santiago. Um deles é coincidente com a estrada romana que ia de Braga a Astorga (Via IV do XIX Itinerário de Antonino); o outro atravessava a freguesia no sentido este-oeste, por onde vinham os peregrinos dos Arcos de Valdevez, que desciam o monte do Faro, passavam por Gandra no lugar da Portela e iam passar o rio no porto de Sagatanes, em Cristelo Covo.

 Entre os seus naturais maiores, destacam-se Alfredo Magalhães, eminente cientista, médico e político (foi ministro da Educação e governador das tropas de Moçambique), e colaborador em vários jornais e revistas, o marechal António Vicente Queirós, ilustre oficial do Exército português que combateu valorosamente as tropas francesas do general Soult e os absolutistas de D. Miguel, tendo sido ferido cinco vezes em combate (sepultado em Lisboa, o seu funeral teve honras nacionais).

 Ainda, acerca da história desta freguesia, no livro “Inventário Colectivo dos Registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo “  tem-se o seguinte texto « As primeiras referências conhecidas a esta igreja remontam a 1125. "Ecclesia Sancti Salvatoris de Gandera integra  cum suo cauto'" e a 1156, "Sancti Salvatoris de Gandera integra ".

Em 1258, na lista das igrejas situadas no território de Entre Lima e Minho, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, São Salvador de Gandra é citada como uma das igrejas pertencentes ao bispado de Tui. Denominava-se então igreja de Gandera.

Em 1444, D. João I conseguiu do papa que este território fosse desmembrado do bispado de Tui, passando a pertencer ao de Ceuta, onde se manteve ate 1512. Neste ano, o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sonsa, deu a D. Henrique, bispo de Ceuta, a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo em troca a de Valença do Minho.

Em 1513, o papa Leão X aprovou a permuta. No registo da avaliação, efectuada em 1546, no tempo do arcebispo D. Manuel de Sousa, São Salvador de Gandra era vigairaria perpétua, e câmara arcebispal, rendendo 18 mil réis.

Na cópia de 1580 do Censual de D. Frei Baltasar Limpo, Gandra figura nas terras de Valença, intituladas da colação do arcebispo.

Segundo Américo Costa, esta igreja foi abadia da apresentação da Mitra. Em termos administrativos, Gandra pertenceu, em 1839, à comarca de Monção e, em 1852  à de Valença.»

 

Inventário do Património Arquitectónico

Em http://www.monumentos.pt

 

Informações detalhadas acerca de:

 

Gravuras Rupestres da Tapada de Ozão e do Monte da Laje

Forte de Tuído

Forte de São Francisco

 

Fonte consultada: Inventário Colectivo dos Registos Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo, Dicionário Enciclopédico das Freguesias e Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.