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PORTUGAL:
ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE
PONTE DE LIMA - FREGUESIA DE SEARA
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SEARA
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HISTÓRIA
Situada na margem esquerda do
rio Lima, sem contudo chegar até ao mesmo, donde dista menos de 1 km, Seara está
a cerca de quatro quilómetros da sede do concelho. Tem por freguesias limítrofes:
a norte, Correlhã; a sul, Facha; a nascente, Correlhã e Rebordões-Santa
Maria, e a poente, Vitorino das Donas. Compreende os seguintes lugares: Abelheira, Bouça, Bouças, Carvalheira, Cavo, Giesta, Guerra, Nabais, Outeiro e Seara.
Esta
freguesia já existia do século XII para o XIII, embora com denominação
diversa. De facto, pela localização limítrofe das de Vitorino das Donas e
Facha (com as quais compõe, de resto, um belo ninho geográfico), pelo orago
(S. Mamede) e até pela transcrição Padela, certamente errada (por Paradela),
nas Inquirições de 1258, deve seguir-se, com segurança, que esta freguesia
de Seara, também em tempos chamada Paradela da Seara, corresponde à paróquia
medieval de S. Mamede de "Padela" (Paradela), existente no pequeno
julgado mediévico de Santo Estêvão já em pleno século XII.
Sobre
o seu remoto povoamento existem argumentos definitivos, desde a arqueologia
local até à toponímia antiga e moderna. O próprio topónimo Seara, conquanto
pareça moderno, não o deve ser: no português antigo, significava não só
terra de pão e vinho, definição corrente nos documentos medievais, mas também
toda e qualquer propriedade, fazenda ou pertença de herdade.
Outros
atestados concretos de antiguidade a justificarem destaque serão a vizinhança
com a vila herdeira do Forum Limicorum sob
os Romanos (isto é, Ponte do Lima) e com a Correlhã (chamada Cornelhã,
de Corneliana, “vila” de Cornelius), nitidamente de origem
romana, e a cujo couto compostelano pertenceria algum tempo esta paróquia. A
vizinhança do monte da Nó (Nahor) e
do “castelo” da Facha, ou de Santo Estêvão, com suas estâncias castrejas,
tem igual significado.
A
toponímia de origem antroponímica dá igualmente informes seguros da antiguidade
do povoamento destas terras: em Stevaim (século
XIII) reflecte-se por certo uma Stephanini
“villa”, talvez romana como a vizinha e já referida Correlhã (por
outro lado, a perduração destes topónimos garante a persistência das
populações no lugar); em Escaeiro (século
XIII) deve talvez revelar-se um nome pessoal de origem germânica; em Maosendo (século XIII) tem-se, por certo, outro nome pessoal de
origem germânica.
Outros
altimedievais são Paradella (relacionado
talvez com o tributo senhorial ou episcopal da “parada”), Fontelo (Fontaello,
no século XIII), Sanguinhal e Pomedinho (de sentido vegetal).
Pelos
meados do século XIII, o estado desta paróquia quanto à Coroa era o seguinte:
existiam umas seis “herdades” (talvez casais), algumas conhecidas pelos
nomes dos sítios onde assentavam, outras pelos dos possuidores, pagando certos
foros de pão, “pela reguenga” (teigas e sexteiros), e direituras (frângãos,
ovos); havia ainda certos prédios, “vessadas” ou “leiras”, dando teigas
de pão “pela reguenga”; e existiu ainda reguengo, de que davam os
cultivadores, por ano, a sexta do “renovo que Deus y dá” (segundo as
inquirições de 1258), além das direituras referidas.
O
padroado da Igreja de S. Mamede era senhorial, como a maior parte da freguesia.
Existem
em Seara, testemunhando tempos passados de uma certa prosperidade senhorial ou
burguesa, algumas residências brasonadas, de algum aparato, como a Casa
Grande, a de Nabais e a Quinta do Bom Gosto. Esta última resultou da vontade de
um rico brasileiro local que a iniciou em 1891. Trata-se de um enorme casarão,
sem qualidade pitoresca amálgama de estilos, em que se descobrem estruturas e
ornatos de arte gótica e muçulmana, renascentista e barroca, etc..., mas que
não deixa de ser uma razoável manifestação do gosto revivalista do
tempo, mormente no seu portal principal.
Em
1999 taxa de actividade atribuída
a Seara, em 1991, foi de 41,6%, tendo sido a população empregada calculada em
256 trabalhadores. Destes, 24,2% eram absorvidos pelo sector primário, 49,2%
dedicavam-se a actividades industriais, e 26,6% detinham postos de trabalho
pertencentes ao sector terciário. Actualmente, segundo a autarquia, as práticas
agrícolas são sobretudo de auto-subsistência, não se tendo verificado
iniciativas de jovens agricultores que poderiam revitalizar este sector. Por
outro lado, também a preponderância do sector secundário na vida económica
local está ameaçada pela ausência de investimento industrial nos últimos
anos. Esta situação deve-se, de acordo com o parecer da Junta, à falta de
infra-estruturas adequadas. No respeitante ao sector terciário, Seara não está
dotada de serviços públicos ou outros, com a excepção de um gabinete de
contabilidade e de um posto de correios. Estes serviços estão concentrados em
Ponte de Lima. O parque comercial existente possui uma oferta diversificada no
âmbito alimentar, a retalho. A taxa de desemprego em 1991 era de 3,8%. A
autarquia indica que este problema continua a afectar a população,
principalmente nas camadas mais jovens.
As
acessibilidades que servem a freguesia, ao nível rodoviário, são compostas
pela proximidade um I.P., pela E.N. 202, pela E.N. 203 e por carreiras de
transportes públicos que se efectuam diariamente.
Boas
condições habitacionais são indispensáveis à qualidade de vida da população.
Neste capítulo Seara enfrenta algumas deficiências. A rede pública de
distribuição domiciliária de água cobre somente 10% da freguesia. A rede pública
de saneamento é inexistente. Por sua vez o sistema de recolha de lixo
realiza-se apenas duas vezes por semana. A autarquia teme pela saúde pública
da população.
Na
área do ensino, Seara dispõe de uma rede escolar constituída por uma escola pública
do ensino básico do 1.º ciclo e uma pré-primária. As estruturas referentes
à prestação de cuidados médicos mais próximas encontram-se na sede
concelhia, a 4 km de distância. Idêntico é o cenário que retrata a acção e
solidariedade social. Em quase tudo, a população depende da sede do concelho.
Promover
a freguesia como um espaço social dinâmico implica a existência de
equipamento colectivo, quer desportivo, quer apropriado à esfera cultural e
recreativa. Neste âmbito, Seara possui um polidesportivo, uma biblioteca aberta
ao público e um salão na sede da Junta onde se levam a cabo as mais diversas
actividades.
De
mencionar também a Associação Desportiva e Cultural de Seara, a qual tem
contribuído para a revitalização da freguesia, designadamente na área do
desporto.
Fontes consultadas: Dicionário
Enciclopédico das Freguesias, Freguesias- Autarcas do Séc. XXI, Inventário
Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do
Tombo.

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