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PORTUGAL:
ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE
PONTE DE LIMA - FREGUESIA DE SANTA CRUZ DO LIMA
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SANTA
CRUZ DO LIMA
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HISTÓRIA
A
freguesia de Santa Cruz do Lima ocupa uma área de 251 ha na margem esquerda do
rio Lima. Por isso se chamava antigamente Santa Cruz de Riba de Lima, como é
referenciada no livro dos benefícios e comendas no ano de 1528. Dista cerca de
dez quilómetros da sede do concelho. Compreende os lugares de Argueda,
Barbudos, Brichal, Carreiro, Laje, Luou, Paço e Portela.
A
sua existência como paróquia é anterior ao século XIII (e talvez até ao XII),
em que já era uma das que constituíam o julgado ou terra de Penela, porém com
o nome de Santo André.
A
prova de que esta e a de Santa Cruz do Lima são a mesma é a comunidade de
lugares (entre muitos casos, o exemplo de Luou).
A
toponímia exprime a antiguidade do povoamento do seu território. Topónimos de
manifesta ancestralidade estão documentados nas Inquirições de 1258 em
expressões como "in val(e) de Ascarigo", "linar de Tryuo",
"cortinal de Luou", "casal de Arouca", "in Mondim",
"in Chaela", Bertoy, Pradaeiro, "fontão de Noste" ou Chouso.
O
topónimo Arouca é notável, especialmente se, como parece, não foi devido a
um caso de colonização interna, relativamente recente (embora anterior ao século
XIII), já que pode indicar a existência de uma povoação antiquíssima, que
se desfez com o tempo mas cujo nome perseverou com a conservação de habitantes
nas vizinhanças. A maioria dos outros topónimos é de origem germânica e
indica propriedades e possessores medievos: Ascarigo é o próprio nome pessoal;
Truío deve ser o próprio nome pessoal feminino Trudilo; Bertóí ou Bretói é
outro nome de possessor (análogo a muitos outros terminados em ói).
Noste
e Mondim são genitivos dos nomes pessoais Naustu(u) e Mundinu(s), de
possessores pré-nacionais daqueles nomes.
Talvez
de aplicação mais recuada sejam Pradadeiro e Chaela, um alusivo à vegetação
e o outro à topografia local. Chouso pode ser mais recente.
O
topónimo castelo (monte do Castelo
e Penedo do Castelo) lembram a possível
existencia de castelos
ou castros, em tempos idos.
Nos
meados do século XIII, os únicos haveres da Coroa eram uns reguengos avulsos
em sítios ou lugares daqueles nomes e em alguns outros ("vessadas",
"peças", campos ou "agros"), além do "monte de Bouças
novas, como parte pela pedra de Compra (ou Compara) a amprom e ende pela água
de Fontão de Noste com seus soutos, e ende pela presa de Paio Mouro, e ende à
de Loural". Deste monte, era do rei a metade, dando a quarta os que a
cultivassem.
A
Coroa recebia também um carneiro de cada uma de três searas - em Rio Maior,
Bertói e Chouso.
Os
cultivadores dos reguengos davam, cada um, um frango com dez ovos (seria um capão
"se passar o dia de S. Miguel" sem o pagamento), e deviam chamar o
mordomo de Penela para colher o pão, levando-o eles a Muçães.
Em
1991, a taxa de actividade era de 40,6% e o sector primário ocupava 43,1% dos
activos. Em 1999, a situação alterou-se também, e, se bem que importante, a
agricultura tem tendência a perder peso económico. Já só é trabalhada para
autoconsumo de algumas famílias.
Em
seu lugar, têm aparecido algumas oficinas de pirotecnia, cerâmica, carpintaria
e pequenas empresas de construção civil, as quais são os principais responsáveis
pela criação de emprego e, embora não tenha havido grande investimento, também
não há desemprego significativo na freguesia.
A
principal via de acesso à freguesia de Santa Cruz do Lima é a E.N. 203, que
liga directamente à sede do concelho e que os residentes utilizam nas suas
frequentes deslocações, uma vez que a dependência em relação à sede do
concelho é ainda bastante grande. É lá que se situam todos os serviços públicos
e privados e também os estabelecimentos comerciais que ultrapassam o nível de
primeira necessidade.
A
freguesia dispõe de uma rede pública de distribuição de água ao domicílio
que abastece toda a freguesia com água tratada de qualidade, mas não dispõe
de rede pública de saneamento e as águas residuais são tratadas através de
fossas sépticas. A recolha de lixo é feita duas vezes por semana.
Quanto
a equipamentos de utilização colectiva, a população dispõe de uma escola de
ensino pré-escolar pública, outra de ensino básico para o 1.º ciclo. Para os
restantes níveis de ensino depende de Ponte de Lima. A mesma situação de
dependência se verifica na área da saúde e segurança social, uma vez que,
para além de um jardim de infância nada mais existe na freguesia.
Para
as áreas de desporto, cultura e lazer a situação não é melhor. De notar que
entretanto a existência da Associação Cultural e Desportiva de Santa Cruz
cujas actividades se ressentem da falta de equipamentos e de apoio.
O
património edificado é relativamente importante, podendo citar-se a Igreja
paroquial com um belo Cruzeiro coberto, os Moinhos no rio Côvo, as margens do
rio Lima com uma bela praia fluvial, o Monte e Penedo do Castelo e as Quintas do
Paçal e do Luou (senhoriais). Uma nota final para o artesanato local
(pirotecnia, cerâmica e trabalhos em madeira) e ainda para as possibilidades de
pesca desportiva nas águas do rio Lima.
Todo
este património, devidamente aproveitado e dinamizado através da vertente turística,
bem poderia servir como um suporte económico da freguesia.
Fontes
consultadas: Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Freguesias- Autarcas do
Séc. XXI, Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos
Nacionais /Torre do Tombo.

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