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PORTUGAL:
ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE
PONTE DE LIMA - FREGUESIA DE PONTE DE LIMA
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PONTE
DE LIMA
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HISTÓRIA
Ocupando uma posição geográfica privilegiada, com uma boa
rede de escoamento para os seus produtos, Ponte de Lima está, a bem dizer,
equidistante de todos os concelhos do distrito de Viana (ao qual pertence), e
encontra-se também nas proximidades dos concelhos do distrito de Braga. Ainda
mais a sul, a cidade do Porto está a cerca de 70 km. Para norte, a cerca de 60
km, Vigo na Galiza é outro mercado importante. A proximidade com o litoral, onde
o porto de Viana assume relevância para toda a região, tem sido factor
importante no desenvolvimento do concelho.
Os romanos, há mais de vinte séculos, já haviam descoberto
a importância destas terras ao fazer passar por Ponte de Lima a "via romana" que
ligava Braga a Astorga e Tui.
Pinho Leal em seu livro Portugal Antigo e Moderno do final do século
XIX, nos informa que esta via militar romana, foi aberta, ou reedificada, pelo
imperador Augusto César; pois assim o atestava um marco miliário, que se achou
enterrado em uma das margens do rio Cávado, quando se reedificou a ponte do
Prado. Tinha a seguinte inscrição gravada:
IMP.
CAESAR DIVI F. AUG. / PONT. MAXIMUS IMP. XV CONSUL / XIII. TRIB. POTEST.
XXXIV. PATER / PATRIAE BRAC. III ( O imperador César, feliz, augusto,
pontífice máximo, 15 vezes imperador, 13 cônsul, 34 investido do poder
tribunício, pai da pátria. Daqui a Braga, 4 milhas).
Conforme informa o autor, esta via foi construída ou reedificada no 11º
ano de nossa era, porque Augusto teve o seu 1º poder tribunício em Junho do ano
731 da fundação de Roma, que era já cônsul pela 9ª vez - e em Junho de 764,
principiou o seu 34º poder tribunício que terminou em Junho de 765, da fundação
de Roma. O ano de do nascimento de Jesus Cristo corresponde ao ano 753 de Roma.
Outros marcos miliários informam de reedificações efectuadas ao tempo do
imperador Tito Claudio e do imperador Adriano. Ainda a título de exemplo o autor
transcreve as inscrições que contem o marco achado em 1680, na margem esquerda
do Rio Minho, num sítio chamado Arinhos:
Ti
CLAUDIUS, CAESAR, AUG. / GERMANICUS PONTIFEX / MAX. IMP.V. COS. III TRIB.
/ POTEST III P.P BRACA XLII (O imperador Tito Cláudio, cesar augusto,
germânico pontífice máximo, cinco vezes imperador, cônsul três, e três do poder
tribunício, pai da pátria. Daqui a Braga 42 milhas). Foi pois reformada esta
via (no sítio indicado) no ano 43 da nossa era.
As origens da Vila levantam
algumas dúvidas. Uns dizem ter sido fundada pelos Gregos, em 1304 a. C. Outros
atribuem a fundação aos Túrdulos, em 500 a.C. de seguro sabe-se que é vila muito
antiga, no livro,” Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte
Arquivos Nacionais /Torre do Tombo”. está a seguinte informação que aqui se
transcreve na integra, “ Povoação antiquíssima e que ao tempo do Imperador
Romano Adriano em 114 a.C. chamava-se Forum Limicorum. Em 985, o Conde
Telo Alvites, na doação de Paradela ao mosteiro de Ante-Altares, refere outra
doação anterior, onde é citada a igreja de Santa Maria de Ponte de Lima. Em
1125, D. Teresa, concede-lhe o foral, no qual já se faz referência à feira. É a
vila e a feira mais antiga de Portugal. Em 1226 e 1228 há referências à igreja
de Santa Maria na vila de Ponte. No catálogo das igrejas, organizado em 1320,
foi taxada em 120 libras».
A esse respeito voltamos à informação de Pinho
Leal: «É povoação antiquíssima, parece que o seu primeiro nome foi Limia e era
cidade muito importante no tempo dos romanos, que lhe chamavam Forum Limicorum -
Praça dos Limios, os Limios eram uns povos que se estabeleceram nestas paragens,
uns 140 anos antes de Cristo.(...) Logo abaixo da ermida de Nossa Senhora da
Guia, perto da vila, no Monte dos Médos há vestígios de um castelo, e dizem que
foi neste sítio o assento da antiga Limia.
Outros dizem que esta cidade era no sitio da actual aldeia de Santo
Estevão de Geraz, o que não é verosímil. Talvez a que a antiga Limia não fosse
exactamente no mesmo lugar onde os romanos fundaram o Fórum Limicorum, mas com
certeza, eram sítios muito próximos.
Julga-se que a cidade romana foi fundada, ou reedificada, no tempo de
Bruto, isto é, uns 130 a 140 anos antes de Jesus Cristo (...) mas, depois de
exactas investigações, por homens competentes, veio ao conhecimento, que esta
antiga cidade, ou foi onde depois se fundou a primitiva capela de N. Senhora da
Guia, ou no sítio da actual Vila, ou muito perto.
(...)Tanto esta cidade como muitas da Lusitânia, foram arrasadas pelos
ferozes Godos, Vandalos, Suevos, etc., no princípio do século V; (...) de entre
todos estes cataclismos se distingue o de 997, ano em que o cruelíssimo
Al-Mançor califa de Córdoba, invadiu esta região,(...) repetiu as cenas de
atrocidades, que pouco antes dele, e no reinado de Ramiro III, tinham feito os
normandos.
Diz a história dos Godos, que estes bárbaros chegaram ao castelo de
Vermoim, no território de Barcelos, assassinando e destruindo tudo quanto
encontraram na sua passagem devastadora.
Expulsos os árabes, nem por isso Ponte de Lima se repovoou, perdendo até
o nome romano, e tornando a chamar-se Limia, e era o nome que tinha em 1125, e
que o foral de D.Teresa lhe dá.
Então todo este território era de um único proprietário, chamado
Sesnando Ramires, como consta daquele foral.
Parece, porém, que no meado do século XIII já se lhe dava o nome de
Ponte do Lima: porque Sandoval (igreja de Tuy, fl 1550, verso) cita uma
escritura existente no arquivo da colegiada de Valença, que é uma doação feita
por D. Afonso III, de Portugal, em 1262, à igreja de Tuy, e diz no final:
Facta carta apud Pontem Limiae
O mesmo nome lhe dá este monarca, em uma carta de privilégios ao couto
da Correlhã, datada em Lisboa, a 14 de Junho de 1268».
Ao lado da vila amuralhada vestida de granito, está a ponte medieval,
com os seus quinze arcos ogivais, soberba de formas. Esta ponte que deu o nome à
terra. Esta terra muito antiga que ostenta garbosamente o título da "vila mais
antiga de Portugal"
Em 4 de Março de 1125 recebe o primeiro foral, de D. Teresa, viúva do
Conde D. Henrique.
D.
Afonso II, em Guimarães, no mês de Agosto de 1217 confirma o foral e
aumenta-lhe os seus privilégios. Posteriormente em Lisboa D. Manuel dá-lhe novo
foral, no dia 1º de Junho de 1511.
A criação da "vila" a entrega do 1º foral, o estabelecimento da "feira"
e as sanções aplicadas " se (alguém) fizer mal aos homens que de qualquer terra
vierem à feira, tanto na ida como na vinda, pague sessenta soldos", são algumas
das intenções de D. Teresa em "fixar" mais gente na terra, inclusive,
estabelecendo que, das "terras rotas" (cultivadas) se pagasse o terço, das novas
rotas, um quinto, num claro estimulo aos lavradores para que cultivassem as
terras, a maior parte ainda "ermas" dos tempos da Reconquista.
E logo depois ficou marcada a história da "Vila de Ponte" pois, do lado
da margem direita do Rio Lima ( Arcozelo, Brandara, Calheiros, Refoios), ficaram
as "honras" e os "solares" da Ribeira Lima, na margem esquerda, os "reguengos" e
os "Coutos"( Arca, Correlhã, Feitosa).
Vai ser no entanto D. Pedro I, quem dá novo impulso à Vila.
Reconstrói-se a ponte, circunda-se a Vila de muralhas com nove portas e outras
tantas torres.
Nove portas significam nove caminhos e isso, diz bem, do centro de
comunicações que já naquele tempo era Ponte de Lima.
Refira-se que a "Feira" não mudou de local até hoje realizando-se sempre
no "areal".
Centenas de anos passados, em tempo de "Feiras Novas" ou de "Feiras
Velhas" é sempre uma "Santa Feira". Por isso, as Feiras Novas são, também, Dia
de Festa, Dia de Santo, Dia de Romaria. A não perder no 3º Domingo de Setembro.
No artesanato o povo de Ponte de Lima se representa através da arte em:
bordados, cestaria, cantaria, cerâmica, funilaria, instrumentos musicais,
luminárias, móveis, talha, pirotecnia, rendas, tanoaria, tamancaria, tecelagem,
rodilhas.
Rica de tradições, com um
património bastante preservado o povo de Ponte de Lima, bem merece os prémios
que vem recebendo com muito orgulho. Prémios resultantes da aposta que se
realizou no sector do turismo em geral. Oferecendo uma gama de opções no campo
da hotelaria e com destaque também no turismo de habitação, Ponte de Lima vem
acumulando vitórias. Em 1995 ganha o Grande Prémio Europeu de Turismo e
Ambiente, assim como Prémio Especial do Júri na Recuperação da Herança
Arquitectónica. Em 1994 recebe o Prémio de Honra no Concurso das Cidades e
Aldeias mais Floridas da Europa. Em 1993 e 1995 no Concurso de Limpeza Urbana
mais dois prémios.
Fontes
consultadas: Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal, Dicionário Enciclopédico
das Freguesias,” Inventário Colectivo
dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo”

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