A Freguesia de Trute dista dez
quilómetros da sede do concelho. Tem uma área de 471 ha. Confronta com Parada, a
norte, Lordelo, a nascente, Luzio, a nascente e sul, Portela, sul, e
Barroças e Taias e Moreira, a poente.
São seus lugares principais: Sande,
Tariz, Souto, Roriz, Vilar, Cruzeiro, Outeiro, Outeiro Ferro e Trás-Souto.
Como paróquia, aparece já mencionada
nas Inquirições de 1258.
Era abadia da apresentação dos
Palhares, que tinham duzentos e trinta mil réis de rendimento.
Pinho Leal, diz sobre os Palhares
que "Estes padroeiros", bem como a sua progenitora, a imortal Deu-la-Deu
Martins, procedem de D. Ero, Conde de Lugo, e de D. Rodrigo conde de Monterroso
(ambos na Galliza) D. Ero, vivia no tempo de D. Affonso Magno."
Em Trute, na Torre dos Palhares,
solar e quinta da família, nasceu a heroína nacional Deuladeu Martins. Deuladeu
Martins, esta figura lendária da história nacional do séc. XIV tal como a sua
vizinha Inês Negra de Melgaço, celebra a resistência popular às invasões vindas
de Castela. Neste caso, Deuladeu, a senhora da Casa de Palhares, num acto de
coragem atirou para fora das muralhas de Monção, os últimos pães que deveriam
alimentar os soldados nacionais. Os sitiantes castelhanos, julgando que a praça
não carecia de meios de sustento, bateram em retirada.
Por este território passava a antiga
estrada real dos Arcos, junto a Santo Estêvão.
Ainda a respeito da história desta
A
primeira referência conhecida a esta freguesia encontra-se na doação que D.
Teresa fez à Sé de Tui "quinque casalia in Truite cum tota voce regia", em 1125.
Na lista das igrejas situadas no
território de Entre Lima e Minho, elaborada por ocasião das Inquirições de D.
Afonso III, em 1258, é citada como uma das igrejas pertencentes ao bispado de
Tui.
Em 1320, no catálogo das mesmas
igrejas, mandado elaborara pelo rei D. Dinis, para o pagamento de taxa, Santa
Eulália de Trute foi taxada em 80 libras. Enquadrava-se no arcediagado de
Cerveira.
Em 1444, D. João I conseguiu da papa
que esta território fosse desmembrado do bispado de Tui, passando a pertencer ao
de
Ceuta, onde se manteve até 1512. Neste ano, o arcebispo de braga, D. Diogo de
Sousa, deu ao bispo de Ceuta a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo em
troca a de Valença do Minho. Em 1513, o papa Leão X aprovou a permuta.
No registo da avaliação dos
benefícios eclesiásticos da comarca de Valença do Minho, feito no tempo de D.
Manuel de Sousa (1545-1549) por Rui Fagundes, vigário da comarca de Valença,
Santa Eulália de Trute rendia 40 mil réis.
Na cópia de 1580 do Censual de D.
Frei Baltasar Limpo, Santa Eulália de Trute é descrita como sendo da colação do
arcebispo, a metade sem cura, e da apresentação de padroeiros leigos, a outra
metade com cura.
Segundo Américo Costa, foi abadia da
apresentação dos Cordeiros e, depois, dos Palhares, seus descendentes.»
Cerca de 300 pessoas habitam na
freguesia.
A freguesia continua no entanto a
ter uma preponderância grande no sector agrícola.
As acessibilidades são
fundamentalmente baseadas na E.N. 101, na qual circulam os principais
transportes rodoviários regulares e diários. À excepção de alguns serviços de
mecânica, de construção civil e do pequeno comércio alimentar a retalho, pouco
mais está disponível na área da freguesia, pelo que, a dependência em relação a
Monção é notória.
Nos aspectos turísticos para além
das belezas ribeirinhas do rio Gadanha, têm-se as vistas panorâmicas observadas
sobre o Vale o Gadanha e o Vale do Minho com paisagens a se perderem num
Horizonte de extrema beleza.
Na gastronomia temos o cabrito
assado no forno, o vinho alvarinho, ou outros verdes tintos ou brancos, e a
aqueles valores gastronómicos típicos do alto minho.
Em termos de artesanato, o
linho tem aqui o seu ponto mais alto onde se destacou ainda recentemente
na " Feira de Artesanato de Trute ". Vale a pena registrar aqui esta canção
representativa deste artesanato:
Canção do Linho
Ó
linho, Ó linho
Se o meu amorzinho, vier ao
linhar,
Digo-lhe baixinho, muito
segredinho, lhe quero falar.
Quem me dera ser o linho,
que vós na roca fiais.
Quem me dera tantos beijos,
como vós ao linho dais.
Ó
linho, Ó linho,
Que belo destino tens para
nos dar.
Amor e carinho, beleza do
Minho, toalha de altar.
O linho vai acabado, na
derradeira manada,
Rapazes do ripadoiro, vinde
dar a camisada.
Ó
linho, Ó linho
Se o meu amorzinho, vier ao
linhar,
Digo-lhe baixinho, muito
segredinho, lhe quero falar.
Quem me dera ser o linho,
quando ele bota a chore,
Quem me dera que tu fosses,
o meu primeiro amor.
Ó
linho, Ó linho,
Que belo destino tens para
nos dar.
Amor e carinho, beleza do
Minho, toalha de altar.
Venho vos mostrar Senhor,
este trabalho do linho,
Para cobrir o nosso pão,
que vêm a ai pelo caminho.
( Fontes consultadas: Dicionário
Enciclopédico das Freguesias, Freguesias Autarcas do Século XXI, Inventário
Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do
Tombo. )
