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PORTUGAL:
ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE MONÇÃO -
FREGUESIA DE SAGO
 
A Freguesia de Sago, com cerca
de quinhentos habitantes e uma área geográfica de aproximadamente 281 hectares,
localiza-se a
cerca de
cinco quilómetros da vila de Monção, a sede do concelho a que pertence,
tem como actividade económica e de subsistência, a agricultura e pecuária,
a vinicultura, o pequeno comércio e a construção civil.
Compreendendo os lugares do
Perral Sago de Cima, Pedregal, Pinheiros, Tola, Fundevila e Carvalhal, faz
confrontações com a Freguesia de Cambeses, a Norte e Poente, e com a
Freguesia de Longos Vales, a Norte e
Nascente. Com a Freguesia de Parada confronta pelo lado Sul.
É na história medieval que
Sago tem a parte mais importante do seu património cultural. A paróquia
andou inicialmente na protecção da nobreza da região, como atesta o
topónimo já perdido de Infantádego e a notícia de que existia aqui um
palácio, no séc. XIII.
De resto, a instituição é
talvez anterior ao séc. XII, e fazia parte do núcleo de paróquias
originais do julgado medieval da Penha da Rainha, estando os seus bens
sujeitos à anúduva, segundo as inquirições de 1258.
O Orago da freguesia é S.
Miguel, cuja festa em sua homenagem se realiza no dia 29 de Setembro.
Outras festas e romarias se
efectivam em honra e homenagem à Senhora da Ajuda e à festa do Senhor.
Do Património Cultural e
edificado, realce-se a Igreja Paroquial, que se destaca de quase
toda a freguesia, graças à estratégia da sua localização, a capela de Sto.
António, antiga e recolhida em local isolado e o Cruzeiro da
Independência, junto a um campo de futebol e perto da escola primária.
Em termos gastronómicos e
aliado ao culto de hospitalidade do Alto Minho, os enchidos de porco, o
cabrito assado no forno merecem a nossa referência.
A Associação Bovina do Vale de
S. Miguel é a principal colectividade desta freguesia.
Ainda a respeito da
história desta Freguesia, pode ler-se na íntegra no livro "Inventário
Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre
do Tombo" que diz textualmente:
Na
lista das igrejas situadas no território de Entre Lima e Minho, elaborada por
ocasião das Inquirições de D. Afonso III, em 1258, Sago, que se denominava "Zago",
é citada como sendo uma das igrejas do bispado de Tui.
Enquadrava-se no arcediagado de Cerveira.
No
catálogo das mesmas igrejas, mandado elaborar pelo rei D. Dinis em 1320, São
Miguel de Sago foi taxada em 30 libras.
Em
1444, D. João I conseguiu do papa que este território fosse desmembrado do bispado
de Tui, passando a pertencer ao de Ceuta, onde se manteve até 1512. Neste ano, o
arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, deu
ao
bispo de Ceuta a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo em troca a de
Valença do Minho. Em 1513. o papa Leão X aprovou a permuta.
Na
avaliação dos benefícios eclesiásticos da comarca de Valença, feita entre 1514 e
1532, Sago apresenta de rendimento 46 réis. Em 1546, foi avaliada em 30 mil
réis.
Na
cópia de 1580 do Censual de D. Frei Baltasar Limpo, a metade sem cura de Sago
era da colação do arcebispo e a outra, com cura, da apresentação de Sanfins de
Friestas.
Segundo Américo Costa, Sago foi depois vigairaria da apresentação do Colégio da
Companhia de Jesus de Coimbra e, mais tarde, da Universidade, passando por fim a
reitoria.
Lendas em
que se refere a Freguesia de Sago
O Outeiro Pedroso
Lá para os lados do Monte do
Castelo, na Freguesia de Sago, existia, como o próprio nome o diz, um castelo
onde moravam, em tempos antigos, os mouros. Quem morava à volta do local conhece
a «buraca da Moura», as pias onde os mouros se lavavam, e o morro que encima o
castelo, a que o povo chama de «Curunha do Castelo». Há quem diga que os mouros
subiam lá para cima com uma cometa, que tocavam quando avistavam alguém a
aproximar-se. Nessa altura, formavam-se grupos dos dois lados, e aquilo era
pedrada de todo o tamanho! Os mouros não deixavam lá entrar ninguém. Quando
queriam sair seguiam pela «buraca da Moura» até ao castelo da Lapela, por um
túnel subterrâneo. Alguns afirmam que esse túnel ia até à outra margem do Minho.
Com o tempo desapareceram todos e só por lá ficou uma moura, sozinha, escondida
na maior parte do tempo, aparecendo só pela manha, quando penteava os longos
cabelos ao sol.
Ora, dizia-se, a Moura escondia tesouros fabulosos, mas era preciso desencantar
a Moura e os tesouros para os conseguir trazer para casa. Sabiam os mais velhos
que era preciso levar lá um arado com galinhas cangadas! Só assim o tesouro
sairia de dentro dos penedos que se encontravam no castelo.
Um certo dia, uns homens da aldeia foram à mourama e levaram, ao cantar dos
galos, dois galos cangados com um arado. Subiram ao castelo nessa companhia, na
esperança de conseguirem o tão ambicionado tesouro da Moura. Os galos começaram
a cantar e, entre um barulho imenso, o penedo começou a abrir-se. Mas, de dentro
do penedo só saíam cobras! Quanto mais o penedo abria, maiores eram as cobras.
Os homens nem queriam acreditar no que viam. Cheios de medo, gritaram uns para
os outros:
- Valha-nos Jesus Cristo!
E o desabafo apresentou-se como ordem de fugida. Largando galos e todas as
pertenças, deram a correr para bem longe dali. Mais tarde, quando um mais
corajoso foi ver o resultado, encontrou o penedo bem fechado, como sempre
estivera no passado.
A Pedra Sobreposta
Sempre os homens se interrogaram das
formas e razões que justificam as posições dos muitos penedos que enfeitam os
montes destas terras. Como se colocaram uns em cima dos outros, em equilíbrios
de malabaristas? Se muitos não chegaram a qualquer conclusão o mesmo não se pode
dizer dos moradores de Sago.
A gente de Sago, diz que a Pedra
Sobreposta está naquela posição desde o dilúvio. Depois do pecado dos homens,
querendo Deus castigar o mundo das maldades, fez cair sobre a terra tal
quantidade de água que tudo foi levado pelas enxurradas. Nada conseguia fazer
parar as chuvas e as torrentes, que tudo arrasavam. Foi nessa ocasião que um
penedo muito grande, vindo com a água, ficou em cima de outro, e por isso lhe
chamam de Pedra Sobreposta.
Depois do dilúvio ficou ali para
sempre como memória, para que os homens não esqueçam o poder de Deus.
Fontes consultadas: Inventário Colectivo dos
Registros Paroquiais Vol.
2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo, Lendas do Vale do Minho, Dicionário
Enciclopédico das Freguesias.
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