A freguesia
de Moreira dista seis quilómetros da sede do concelho. Confronta com Pinheiros
e Cambeses, a norte, Parada, a nascente, Trute e Barroças e Taias, a sul e
Pias a poente. São seus lugares principais: Fundevila, Prados, Parentela, Pisco,
Pinheiral, Valterra, Cortinhas, Valinha , Almoriz, Outeirinho, Granja, Vila, Catelinha, Paço, Tomada, Outeiro, Tras-do-Rio, Venda e Cidade. Moreira existia
já como freguesia nos primeiros tempos da nacionalidade, registrando marcas
concretas dos anos de 1128 e 1308 — o primeiro, recordando o indómito D.
Afonso Henriques, e os outros dois a realçarem a ligação ao culto, ousado e
inovador D Dinis. De facto, a antiga freguesia, dividida em duas partes,
pertenceu, por metade, ao padroado real, devendo ter pertencido a outra parte a
D. Fernandes de Sotto Maior, bispo de Tui, por negócio de troca de terras com o
rei D. Dinis, em 1308.
Foi
posteriormente curato da apresentação do colégio da Companhia de Jesus de
Coimbra, até 1759, e, após a expulsão desta, ao tempo do Marquês de
Pombal, reverteu para a Universidade coimbrã, até 1834. Passou, mais tarde, a
reitoria e, depois, a abadia.
Ainda a respeito da história desta
freguesia, no livro "Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do
Tombo" diz textualmente:
«Em 1258, foi incluída na lista das igrejas do
bispado de Tui situadas no território de Entre Lima e Minho, elaborada por
ocasião das Inquirições de D. Afonso III. Era do padroado real. No catálogo das
mesmas igrejas, mandado elaborar pelo rei D. Dinis, em 1320, Santa Maria de
Moreira foi taxada em 70 libras. Em 1444. D. João I conseguiu do papa que este
território fosse desmembrado do bispado de Tui, passando a pertencer ao de
Ceuta, onde se manteve até 1512. Neste ano, o arcebispo de Braga
D. Diogo de
Sousa deu ao bispo de Ceuta a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo em
troca a de Valença do Minho. Em 1513, o papa Leão X aprovou a permuta. No
registo de avaliação dos benefícios eclesiásticos da comarca de Valença,
organizado entre 1514 e 1532. pelo arcebispo de Braga, Moreira rendia 33 réis e
3 pretos. Em 1546, quando da avaliação das mesmas igrejas, efectuada no tempo de
D. Manuel de Sousa por Rui Fagundes, vigário da comarca de Valença, Santa Maria
de Moreira tinha de rendimento 50 mil réis. Na cópia de 1580 do Censual de D.
Frei Baltasar Limpo, refere-se que o arcebispo tinha direito de apresentação na
metade sem cura desta igreja de Santa Maria de Moreira e o mosteiro de Sanfins
de Friestas na outra metade com cura. Foi, depois, curato da apresentação dos
padres da Companhia de Jesus, do Colégio de Coimbra. Até 1834, o vigário era
apresentado pela Universidade.»
A famosa
Festa do Linho é um acontecimento que projecta o nome de Moreira para fora dos
limites da sua geografia. “Apostando seriamente na preservação dos valores
culturais e artísticos da nossa terra e visando contribuir para o renascimento
de uma das mais belas tradições populares, em vias de desaparecimento, dadas as
motivações e as realidades do mundo actual”, a Casa do Povo do Vale do Gadanha
(fundada em 2 de Março de 1973) iniciou em 22 de Setembro de 1983 a organização
do concorrido evento.
Na festa
— que, desde então, se vem realizando, com êxito, anualmente — participam todas
as freguesias do vale, animando a noite com as suas danças e os seus cantares.
Cada uma delas faz questão em demonstrar uma das fases do ciclo do linho, até à
obtenção das maravilhosas peças — colchas e toalhas — que são expostas na Casa
do Povo, para deleite de participantes e visitantes.
No campo das
descobertas antropológicas e etnológicas, justifica referência especial o
chamado Esconderijo de Moreira, referenciado no estudo feito por F. Russel
Cortez, em 1951. Que diz: “Na freguesia de Moreira, confinante da Brejoeira, ao
levantar-se um muro de vedação, na bouça da Catelinha, foram encontrados vários
objectos de interesse arqueológico ou: 18 machados, de bronze, de talão e
duplo anel, juntamente com fragmentos doutros dois. É um testemunho que
comprova o uso destes utensílios e o conservadorismo das nossas populações castrejas, que, através das influências mediterrânicas, do norte e do centro da
Europa, conseguiram vincar uma personalidade ainda pouco conhecida e estudada.”
A
igreja paroquial é de construção relativamente recente. No seu interior
sobressai o altar-mor, muito trabalhado, todo em dourado.
Ladeando o arco cruzeiro, onde se vê um escudo de armas reais portuguesas,
existem dois altares que se evidenciam por serem mais esculpidos. Guarda ainda
os altares de Nossa Senhora da Natividade, das Almas e do Senhor dos Passos. Os
azulejos que cobrem parte das paredes internas do templo conjugam o branco, o
amarelo e o azul.
No lugar da Valinha situa-se a Capela de S. Bento, com interior e exterior recentemente
restaurados. Foi pertença de Manuel Ribeiro Moscoso.
A caminho do
lugar da Bouça, encontra-se um cruzeiro, em granito, ostentando a imagem do
Senhor dos Aflitos. Está coberto por um alpendre. Junto à igreja, um outro
cruzeiro, anterior ao ano de 1640, também em granito e coroado pela imagem de
Cristo crucificado.
A Casa da Quinta da
Torre pertenceu à família dos condes de S. Martinho. A pedra de armas é um
escudo oval esquartelado, do século XVII, no qual se lêem os nomes Castro,
Pereira, Soares e Magalhães.
A preponderância do sector
primário da economia local mantém-se actualmente. Este sector tem sido
alvo de dinamização, a qual é fruto das iniciativas de jovens agricultores que
têm investido preferencialmente na área da floricultura, na vinicultura
especificamente o vinho alvarinho.
Por sua vez, o sector secundário
tem, como principais actividades industriais geradoras de emprego, a
carpintaria, a mecânica, a
transformação
de pedras (especialmente granito), a pirotecnia e a panificação, sendo esta
última alvo de investimentos industriais registados nos últimos anos.
Relativamente ao sector terciário, é de referir que Moreira não dispõe de
serviços públicos ou outros. A população tem de se deslocar até à sede concelhia
de modo a deles usufruir. O parque comercial presente na freguesia apresenta
alguma diversidade de oferta, tanto ao nível do comércio alimentar, bem como não
alimentar a retalho. Na verdade, os habitantes de Moreira encontram na sua
freguesia os principais bens e produtos de consumo diário.
Parcas são as acessibilidades que servem
Moreira e que desempenham um papel crucial na tão importante mobilidade
populacional. Estas consistem na E.N. 101, em carreiras de transportes públicos
que se realizam diariamente e numa praça de táxis.
No capítulo referente às
infra-estruturas existentes, Moreira enfrenta alguns problemas que constrangem a
qualidade de vida da população, sobretudo no que diz respeito à inexistência da
rede pública de saneamento.
O sistema de recolha de lixo
cobre 100% de Moreira e realiza-se semanalmente por meio de contentores.
Sendo o equipamento colectivo,
destinado à revitalização social da freguesia como espaço comunitário vivo,
mediante práticas desportivas e actividades culturais e recreativas, um critério
fundamental para a análise da qualidade de vida local, é de indicar que Moreira
se encontra dotada de várias estruturas. No âmbito do desporto, a população
conta com campos de jogos, incluindo ténis, entre outros; já no que diz respeito
à dinamização cultural, a freguesia dispõe de uma biblioteca aberta ao público,
salão paroquial que assume as funções de um centro cultural, sala de
espectáculos, salão de festas e escola de música e outras artes. Indispensável à
animação destes espaços e à mobilização da população local são as colectividades
presentes: o Centro Social e Paroquial de Moreira e o Centro Desportivo
Recreativo e Cultural de Moreira.
A autarquia destaca ainda as
belas margens do rio Gadanha, onde se pode praticar a pesca desportiva, e o
Terreiro de Santa Luzia, com as suas vistas panorâmicas sobre o Vale do rio
Gadanha com os principais pólos de atracção turística a serem promovidos.
Todavia, Moreira não dispõe de
nenhuma estrutura hoteleira capaz de fazer justiça ao seu dinamismo cultural e à
sua enorme potencialidade turística.
( Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico das
Freguesias, e Freguesias Autarcas do Século XXI )
