A freguesia de Luzio, estende-se em grande
parte pela serra da Anta. Ocupa uma área de cerca de 618 ha. Dista quinze
quilómetros da sede do concelho. Confronta com Trute e Lordelo a norte, Anhões a
nascente, as freguesias de Extremo e Álvora
(do concelho de Arcos de Valdevez) a
sul, e Portela (Monção), a poente. Divide-se em dois lugares principais: Luzio
(composto pelos pequenos lugares de Ínsua, Portal, Paço, Outeiro, Luzenças,
Pisado, Calastreiro e Trozinhos) e Leiradelo (subdividido por Igreja, Casbeiro,
Tola, Bouças, Beçada, Fonte e Casal).
Segundo alguns autores, o topónimo Luzio deriva
de lampião, luz.
Foi primeiramente do padroado real, mas em 1308
D. Dinis trocou-a por outra com D. João Fernandes de Sotto Maior, bispo de Tui.
Passou depois a ser padroado das freiras franciscanas de Monção e,
posteriormente (com a ida destas religiosas para o mosteiro da Conceição, em
Braga), dos arcebispos bracarenses.
Duas partes da freguesia eram couto, marcado,
anexo ao de S. Fins, no que tocava ao cível, e no crime pertencia a Monção.
Pagava à câmara desta vila vinte e nove mil réis de fumagens (antigo imposto
sobre as casas onde se acendia o lume), não estando sujeita a outras obrigações.
Os habitantes de Luzio estavam isentos da
prestação do serviço militar e de marcharem para a guerra. No entanto,
havendo a entre Portugal e a Galiza, corria por exclusiva conta dos Luzienses
defender o vau da Estaca, no rio Minho, abaixo de Lapela.
Cada morador pagava de reconhecimento ao
mosteiro de S. Fins, anualmente, quatro ovos, um cabrito, três dias de serviço
e dez réis em dinheiro. Os meios-fogos (aqueles cujo chefe é viúvo ou
solteiro), metade.
Quando aqui viesse o rei, o povo da aldeia,
obrigado a imposto especial de visita, dava-lhe uma vaca. Se o monarca trouxesse
o filho, então a desobriga era de vaca e meia.
A igreja paroquial de Luzio é muito antiga, em
estilo barroco. A Capela da Senhora do Desterro é simples, remontando a sua
construção a 1821. São aqui venerados Nossa Senhora do Desterro e S. Paio, com
festejos no último domingo de Julho.
No lugar de Leiradelo, a capelinha e as
alminhas em honra de Nossa Senhora de Fátima são de construção recente.
No livro “Inventário Colectivo dos Registros Paroquiais Vol.
2 Norte Arquivos Nacionais / Torre do Tombo”, pode ler-se na integra:
« Na lista das
igrejas situadas no território de Entre lima e Minho, elaborada por ocasião das
inquirições de D. Afonso III, em 1258, é citada como uma das Igrejas do bispado
de Tui. Era do padroado real.
No catalogo das, mesmas igrejas mandado
elaborar pelo rei D. Dinis em 1320. S. Veríssimo de Luzio foi taxada em 30
libras. Enquadrava-se no arcediagado de Cerveira.
Em 1444. D. João I conseguiu do papa que este território fosse
desmembrado do bispado de Tui. passando a pertencer ao de Ceuta, onde se manteve
até 1512. Neste ano o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, deu ao bispo
de Ceuta a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo em troca a de Valença do
Minho. Em 1513. o papa Leão X aprovou a permuta.
No registo da avaliação dos
benefícios eclesiásticos da comarca de Valença, organizado entre 1514 e 1532,
pelo arcebispo de Braga, “Luzio” rendia 42 réis.
Na avaliação das mesmas igrejas. elaborada no
tempo ele D. Manuel de Sousa (1545-1549) pelo, vigário Rui Fagundes, São
Veríssimo de Luzio é referida conjuntamente com S. Tiago de Anhões e a metade
sem cura de Santo André de Taias, não se registrando qualquer valor.
Na cópia de 1580 do Censual de D. Frei Baltasar
Limpo refere-se que São Verissimo de Luzio tivera anexas as igrejas de S.
Tiago
de Anhões e Santo André de Taias, então denominada de “Astães”. Mais tarde, o
Núncio Próspero de Santa Cruzada anexara por 10 anos a igreja de Luzio e S.
Tiago de Anhões ao mosteiro de freiras de S. Bento de Viana. Santo André de
Taias estava então anexada a Santa Maria de Abedim.
Segundo Américo Costa S. Veríssimo de Luzio
foi vigairaria da apresentação do mosteiro de S. Francisco de Monção e depois
do mosteiro da ela Conceição de Braga.
Em termos administrativos, a freguesia de Luzio,
fez parte, em 1755, da comarca de Viana e, em 1839, ela de Monção».
Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Freguesias -
Autarcas do Séc. XXI, Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte
Arquivos Nacionais / Torre do Tombo.