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PORTUGAL:  ALTO MINHO - DISTRITO DE  VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE MONÇÃO - FREGUESIA DE LONGOS VALES


            

LONGOS VALES


HISTÓRIA

  Longos Vales com uma área de cerca de 1204 ha,  encontra-se a cerca de seis quilómetros da vila de Monção que é a  sede do concelho a que pertence esta freguesia. Está a escassos quilómetros da margem esquerda do Rio Minho. Interpondo-se a norte desta freguesia a separando do rio Minho, estão as freguesias de Troviscoso e Bela a determinarem-lhe  os limites. A sul encontra-se a freguesia de Lordelo e Merufe, a nascente ainda Merufe e Barbeita,  e a poente Cambeses e Sago. Todas as freguesias citadas pertencentes também ao concelho de Monção. Os lugares principais de Longos vales são: Barradinho, Bouça, Carcavelos, Carvalhas, Casal, Castelo, Canles, Cavenca, Cesto, Corgo, Costa, Coutada, Couto, Côto, Doude, Guimil, Lavandeira, Mosteiro, Moulões, Nogueira, Outeiro, Paradela de Baixo e Paradela de Cima, Pereiras, Pocinha, Poldras, Porqueira, Real, Reguengo de Baixo e Reguengo de Cima, Samarão, Santa Tecla, Santo Amaro, S. Paio, Serzedo, Silvas, Souto Fiscal, Valverde, Várzea, Veiga, Velhas, Vidal e Vinhal.

        S. João Baptista de Longos Vales era vigairaria da apresentação do colégio da Companhia de Jesus em Coimbra, e depois da Universidade, no termo de Monção. Passou mais tarde a reitoria.

    Segundo Pinho Leal, o padroado apresentava o vigário, que tinha cem mil réis de rendimento.

    Dentro dos seus limites existem duas citânias: uma no antigo lugar da Cividade; em frente à antiga estrada romana Valadares – Arcos - Braga, e a outra no monte de S. Caetano.

    O seu nome — que também foi Longovares — poderá derivar de este ser um território de veigas e longos vales férteis.

    No reinado de D. Afonso III pertencia ao julgado da Penha da Rainha e couto do mosteiro de Longos Vales. No século XVI tinha já a actual circunscrição territorial.

    Aqui houve, de facto, um mosteiro de frades crúzios, fundado, segundo a tradição, por D. Afonso Henriques, em 1140, que lhe concedeu muitas rendas e privilégios, que os seus sucessores aumentaram. D. Sancho I (estando na cidade do Porto) coutou o mosteiro em 1197. Na carta de encoutamento diz que ‘lhe fez esta mercê pelo assinalado serviço que o prior D. Pedro Pires lhe fez em fundar à sua custa a torre e fortaleza da vila de Melgaço”.

    Com o tempo passou o cenóbio para o poder de comendatários, sendo o último D. Duarte, filho bastardo de D. João III, que morreu com 22 anos, em 11 de Novembro de 1542. O cardeal D. Henrique (depois rei) fez com que este mosteiro, dependências e rendas fossem dados ao Jesuítas, por bula do papa Júlio III, em 1551.

    A igreja, com o seu corpo reformado no século XVII, conserva a primitiva capela-mor românica, uma das mais personalizadas construções deste estilo em Portugal. E uma arquitectura potente, de fortes arcadas e grossas colunas, adossadas, enriquecida por variada e volumosa decoração tanto interna como externamente. Nos seus capitéis e na cachorrada, cheios de escultura, dominam os temas humanos e animalescos, como o do sagitário, o de bichas-mouras, o da cabeça de touro ou de animais lutando. Sobre um colunelo do arco-cruzeiro está esculpida a imagem de S. Pedro com a chave dependurada sobre o peito.

    No livro “ Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais / Torre do Tombo”, podemos ler na integra:

    «Como opina o Padre Avelino  Jesus da Costa, a freguesia de Longos Vales terá correspondido na sua origem a parte da paróquia sueva da diocese de Tui, denominada Lucoparre ou Loncoparre.

    Á  instituição visigótica ali existente sucedeu o mosteiro dos conegos regrantes de Santo Agostinho, fundado  pelo rei D: Afonso  Henriques.

    Cerca de  1199, D. Sancho I coutou o mosteiro em sinal de apreço pelos serviços que lhe prestaram o prior D. Pedro Pires  os seus cónegos. Construindo à sua custa a torre e fortaleza de Melgaço.

    Nas inquirições de 1258, em que se diz que o rei não detinha o padroado da igreja, estava enquadrada neste couto a freguesia de Santo André da Torre. Em 1371, D. Pedro confirmou-lhe os privilégios do couto.  Na relação das freguesias de Entre Lima e Minho, pertencentes à diocese  de Tui, que D. Dinis mandou elaborar em 1320, foi atribuída a este benefício eclesiástico a taxa de 100 libras.

    Na avaliação de que foi objecto em 1546, porém, o seu rendimento, juntamente da anexa Santa Eugénia de Barbeita é calculado em 180 mil réis, não incluídos os encargos com o sustento dos seus cónegos e prior.

    Por volta de 1520, o direito de apresentação  pertencia ao papa e tinha anexas Barbeita e Santa Maria de Cales.

    Em 1539, Paulo III concedeu o priorado a D. Duarte  filho natural de D.João, que faleceu em 11 de Novembro de 1543.

    Em 1551, o mosteiro foi anexado ao Colégio da Companhia de Jesus de Coimbra, por bula do papa Júlio III. Foram-lhe também anexadas as igrejas de Cambeses. Messegães, Pias e Sago.

    Passou então a vigairaria da apresentação deste Colégio até à extinção da Companhia. Os bens passaram depois para a Universidade de Coimhra».

  Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Freguesias- Autarcas do Séc. XXI, Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais / Torre do Tombo.

Mais informações no site      http://longosvales.planetaclix.pt/



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