A cerca de 4 quilómetros da sede do concelho ( vila de Monção) e
a ocupar uma área de cerca de 422 ha, Bela é formada pelos seguintes lugares: Lajinha, Arnado, Fraga,
Barbeitos, S. Bento, Avarento, Cruzeiro, Pereirinha, Aldeia, Giesteira, Cabo,
Devesa, Cima de Vila, Costa, Mato, Telheira, Marco, Bornaria, Burgo, Santa
Eugénia, Requeijo, Crasto, Pereiras, Carvalheda, Outeiro, Pousa, Quinta, Fonte e
Martizes. A norte está o rio Minho, a sul, Longos Vales, a nascente, Barbeita e
a poente, Troviscoso.
A
sua fundação resulta de uma resolução do Concílio de Trento (entre 1563 e 1578),
por fusão de duas paróquias: Santo André de Torre e Santa Eugénia de Barbeita,
ainda hoje com correspondência geográfica na Meia de Cima e na Meia de Baixo.
Ambas as paróquias tinham os seus tombos próprios — Santo André pertencia ao
couto de Longos Vales e Santa Eugénia era do couto de Barbeita.
Em 1578, último
ano conciliar, já frei Bartolomeu dos Mártires refere a igreja da Bela como uma
das que foram dotadas com relíquias de santos, conforme pedido dos padres
jesuítas, que aqui curavam.
O topónimo Bela
(do latim, vela, vigilia) deve revelar que a povoação era atravessada pela via
romana que ligava Braga a Ourense, por aqui existindo uma derivação que dava
acesso à vila de Monção, também no monte da Assunção é de crer que tenha
existido alguma torre de algum castro na medida em que nos limites de Bela com a
freguesia de Barbeita está o
Castro da Assunção
. Encontraram-se também no seu território vestígios de uma "vila" romana. E a
atestar a presença de povos muito antigos ficaram topónimos como Candos e Burgo.
No lugar de
Arnado, com referência de 1758, havia um cais fluvial que servia a ligação com a
Galiza por barco. A exploração da passagem era adjudicada em hasta pública,
pertencendo parte a Portugal e parte à Galiza.
A igreja
paroquial foi edificada entre os séculos XVI e XVII. As pedras usadas na sua
construção, bem como na de alguns altares e imagens, foram aproveitadas da
antiga igreja de Santo André aquando da sua demolição. A torre sineira ostenta a
data de 1827.
Os cruzeiros da
Via-Sacra, em granito, ligando a igreja à escola, são um conjunto a merecer
particular atenção.
A Capela de S.
Bento de Torre é antiga, mas foi totalmente remodelada em 1978. Aqui tem lugar,
no terceiro domingo de Julho, a festa maior da freguesia.
A Capela de
Santa Eugénia era a antiga paroquial da velha freguesia de Santa Eugénia e foi
também restaurada.
Bela foi berço de João da Cruz, eremita fundador do
Santuário do Bom Despacho em Cervães (Vila Verde, distrito de Braga). Era
oriundo da Meia de Cima e teve das relações da célebre família Abreu, de Merufe
(com propriedades nesta paróquia), que o teria levado para perto de Braga
(Pico), onde frequentou o seminário.
A igreja de Bela
figura no título das igrejas da comarca de Valença para o arcebispado de Braga,
redigido entre o ano de 1514 e a morte de D. Diogo de Sousa, em 1532, sob a
denominação de “Santa Oginha”. O rendimento deste benefício estimou-se então em
83 réis.
A história desta
igreja está, por conseguinte, muito ligada à do referido mosteiro de cónegos
regrantes de Santo Agostinho. Cerca de 1520, este mosteiro era da apresentação
do papa, tendo como anexas Barbeita e Santa Maria de Cales.
Em 1539, Paulo
III concedeu o priorado a D. Duarte, filho de D. João III. Por bula de Júlio III,
de 1551, o mosteiro foi anexado ao Colégio de Jesus de Coimbra, e com ele as
igrejas de Cambeses, Messegães, Pias e Sago. Após a extinção da Companhia, os
bens passaram para a Universidade de Coimbra, em cujo Arquivo se guarda muita
documentação deste mosteiro e da sua anexa bela.
Américo Costa
descreve-a como vigairaria da apresentação do Colégio de Coimbra, e depois da
Universidade.
( Fontes
consultadas: Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Inventário Colectivo dos
Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo e Freguesias
Autarcas do Século XXI).