São seus lugares
principais: Merim, Tarendo, Bogadela, S. Tiago, Cabo, Ponte do Mouro, Bairro
Alto, Abeção, Padreiro, Araújo, Souto e Tola.
A povoação assenta
estruturalmente na forma tradicional da aldeia minhota, que dispõe as suas
edificações concentricamente em volta de um sinal construído ou espacial — a
igreja, o cruzeiro, o largo, a eira —, mas com alguma dispersão provocada pelas
parcelas privadas que envolvem as construções e permitem realizar alguma
agricultura de subsistência.
Pertenceu ao antigo
termo da Penha da Rainha e já aparece mencionada, com a sua igreja, em documento
do século X. Foi honrada com um couto, em 1225, de que resultou em morgadia
local. Pinho Leal afirma que eram seus senhores os Azevedos do Faial, da
freguesia de Abade do Neiva.
Barbeita ostenta um
valioso património arquitectónico e histórico.
A igreja paroquial
constitui, no seu todo, um belo espécime dos fins do século XVII. Feitos com
granito da região, tanto o retábulo mor como os dois laterais, no topo da nave,
são de um beleza extraordinária. Lourenço Alves assim a descrevia: “de planta
rectangular, é formada por dois cornos nave e capela-mor ligados, na
intersecção, por um arco triunfal de meia volta, com impostas, sobre pés
direitos.
Feitos de granito da
região, tanto o retábulo mor, como os dois laterais, no topo da nave, são duma
beleza extraordinária.
Executados segundo os
cânones barrocos, apresentam colunas salomónicas que se prolongam no ático, bem
ornadas com folheados, flores-de-lis pintadas, etc.. Na edícula central do
altar-mor está a imagem do Padroeiro transfigurado e nas laterais os apóstolos
S. Pedro e S. Paulo, todas de granito e de feição barroca. A entrada do
presbitério, podem ver-se dois serafins do mesmo material e do mesmo estilo,
segurando cornucópias.
A poucos metros de
distância, por norte, fica a Capela de S. Tiago, que mais parece um nicho ou
oratório, quinhentista, com um pórtico elegante.
A Capela de S. Félix,
sítio de concorrida romaria, tem um pequeno adro murado com escadas a descerem
para a velha estrada real e dois portões para onde se estende um amplo terreiro
arborizado, com um coreto.
No alto do monte da
Assunção, além de um castro parcialmente escavado e de uma rica panorâmica sobre
a área envolvente, dominando completamente o vale médio do Minho e o vale
terminal do Mouro, existe uma excelente capela do terceiro quartel do século XVI.
O Castro da Assunção,
no lugar do Castro ou Buraca da Moura, possui três linhas de muralhas, duas
completas e uma terceira ainda não completamente delimitada. Tem habitações
circulares, com e sem vestíbulos, duas “ruas”, pátios lajeados e outras
estruturas proto-urbanas. De entre o espólio encontrado em quatro campanhas de
escavações arqueológicas destacam-se a cerâmica, objectos em bronze e em ferro,
pedras decoradas, milhares de sementes de várias plantas e gravuras rupestres.
À Capela da Senhora da
Assunção, situada em lugar aprazível, há quem atribua uma fundação original
algures pelo século XII, sucedendo a uma ermida mais humilde. De planta
rectangular e forma comunial, com decoração variada, em rosetas, malgas de borco,
tudo muito ao gosto do romântico do Alto Minho, à excepção das cabeças de anjos,
já de inspiração renascentista. Na verdade, mais parece uma igreja românica, do
românico rural alto minhoto. É possível que os artífices estivessem ainda
dentro duma tradição românica, embora os desenhos já fossem do gótico final,
ou talvez tivessem optado por uma solução mista.
A antiga estrada, que
de Monção ia a Valadares, cruzava o rio Mouro nesta freguesia na celebrada
ponte medieval — a Ponte do Mouro. Documentalmente sabe-se que existia já pelo
menos em 1386 uma ponte neste local. É que foi aqui que, nesse ano, se realizou
o histórico encontro de D. João 1 com o duque de Lencastre, pretendente ao
trono de Castela. Então se ajustou também o casamento do rei português com D.
Filipa, filha do duque. A ponte velha que hoje se pode observar data de 1627 e
foi feita por Amaro Francisco, por oitocentos e oitenta mil réis. Trata-se de
uma construção em granito, de um só arco, com pavimento em cavalete.
A taxa de actividade atribuída à freguesia,
pelo INE em 1991, era de 35,6%, sendo a média concelhia de 42,6%. A população
empregada foi, de igual modo, nesse ano, calculada em 380 trabalhadores, dos
quais 42,4% eram absorvidos pelo sector primário, 17,4% pelo sector secundário e
40,3% dedicavam-se ao sector terciário. A preponderância da agricultura na vida
económica local é, ainda hoje, visível. Relativamente ao sector secundário, é de
mencionar que este tem sido revitalizado pelos investimentos industriais dos
últimos anos realizados na serralharia e na produção do vinho Alvarinho.
Inúmeras são as principais actividades deste sector geradoras de emprego. Destas
destacam-se o beneficiamento de pedras, a construção civil e a carpintaria. O
parque comercial existente apresenta alguma diversidade de oferta, sobretudo no
que diz respeito ao comércio não alimentar a retalho. A população adquire na sua
freguesia os principais bens e produtos de consumo quotidiano, imediato ou não,
de que necessita.
A mobilidade populacional um dos factores
primordiais do desenvolvimento local, deve-se necessariamente considerar o tipo
de acessibilidades que estão ao dispor da população. Neste aspecto, Barbeita é
servida por praça de táxis e carreiras de transportes públicos que se efectuam
diariamente.
Barbeita dispõe de uma rede pública de água e
de um sistema de recolha de lixo que abrangem a totalidade do território da
freguesia. A inexistência da rede pública de saneamento coloca, evidentemente,
problemas a serem resolvidos dado que as águas residuais têm sido submetidas a
tratamento por meio de fossa séptica.
A rede escolar existente, resume-se a um
estabelecimento de ensino pré-primário do 1.º ciclo e a uma escola pública do
ensino básico do 1.º ciclo, servida por refeitório. Alunos do 2.º e 3.º ciclos e
estudantes do ensino secundário frequentam as escolas sediadas em Monção, a 7 km
de distância. O cenário respeitante à área da saúde não é melhor. A farmácia
mais próxima situa-se a 2 km de distância na vizinha freguesia de Ceivães. Já a
acção e solidariedade social tem como estruturas presentes um jardim de
infância, uma lar da 3.ª Idade e um centro de dia.
O equipamento colectivo de Barbeita
restringe-se à esfera da cultura e do lazer, e é composto pelo serviço de
biblioteca itinerante, sala de espectáculos, salão de festas e escola de música
e outras artes. As colectividades existentes e que utilizam estes e outros
espaços para a dinamização de Barbeita são o Futebol Clube Barbeitense e o
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Barbeita.
Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico das
Freguesias, Freguesias-Autarcas do Séc. XXI, Inventário Colectivo dos registros
Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo.