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PORTUGAL:
ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE MONÇÃO -
FREGUESIA DE ANHÕES
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 Anhões, situado no coração da serra da Anta,
dista quinze quilómetros da sede do concelho e ocupa uma área de 724 ha.
Confronta do Norte com Lordelo e Trute; do Nascente com Longos Vales e Merufe,
do concelho de Monção; do Sul com Sistelo, Loureda, Alvora e Portela, do
concelho de Arcos de Valdevez; do Poente com Luzio do concelho de Monção. São
seus lugares principais: Vilar, Aldeia, Redolho, Tomo, Outeiro, Carvalho,
Campo, Rigueiro e Cividade.
Nesta freguesia está o ponto mais alto do
concelho, no sítio conhecido por Castelo do Mendouro, onde se pode ainda
encontrar sepulturas célticas (antas).
Concordam a toponímia e a arqueologia em
atribuir a sua fundação e primeiro povoamento a épocas muito distantes.
No Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol.
2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo, pode ler-se textualmente:
«Nas relações das igrejas de Entre Lima e Minho,
pertencentes à Sé de Tui, organizadas em 1258 e depois em 1320, não vem
mencionada a igreja de São Tiago de Anhões. Na avaliação dos mesmos benefícios
eclesiásticos da comarca de Valença, a que o arcebispo primaz D. Manuel de Sousa
mandou proceder em 1545, figura como fazendo parte da igreja de São Veríssimo de
Luzio, juntamente com metade da de Santo André de Taias. No Censual de D. Frei
Baltasar Limpo, que respeita ao período compreendido entre 1551 e 1581, a igreja
de São Tiago de Anhões era anexa à de Luzio. Como se refere no mesmo documento,
Anhões juntamente com São Veríssimo de Luzio veio a ser anexada ao mosteiro de
freiras de São Bento de Viana por 40 anos no tempo do Núncio Próspero de Santa
Cruzada. Segundo os autores passou, mais tarde a vigairaria da apresentação das
freiras do mosteiro de São Francisco de Monção. Em 1758, no Relatório dos
Párocos, o direito de apresentação competia à Mitra. Na Estatística Paroquial,
respeitante ao ano de 1862, há indicação de que o pároco desta igreja era
apresentado pelo mosteiro da Conceição de Braga, para onde as freiras de São
Francisco de Monção tinham sido entretanto transferidas. Segundo o Padre
Cardoso, Anhões esteve sujeita no secular às justiças de Monção e no
eclesiástico às de Valença.»
É nesta freguesia que o rio Gadanha, de grande
importância para todo o concelho, tem as suas duas nascentes: uma, abaixo da
Anta, em Portela da Anta, no local de Lamego, e a outra no monte das Forcadas,
no sítio de Tedão. No sítio da Fisga, junto ao lugar de Vilar, os dois fios de
água, até ali desirmanados, acabam por abraçar-se, engrossando, à uma, o caudal
do rio.
Nas margens do Gadanha, paraíso procurado por
pacientes pescadores de trutasmariscas, sobrevivem ainda alguns moinhos, e nas
matas da freguesia abunda a caça, com belos exemplares de veados, javalis,
coelhos e lebres ou perdizes.
Espalhadas pela aldeia, preservam-se ainda
algumas, poucas, genuínas casas típicas minhotas, rurais, de dois pisos e em
granito, com magníficos canastros.
A igreja de Anhões, situada no lugar mais fundo
da freguesia, é de construção simples, com três altares: o altar-mor, o do
Coração de Jesus e o de Nossa Senhora de Fátima.
A Capela do Senhor do Bonfim foi construída em 1868 e a sua torre em 1958.
No altar-mor pontificam as imagens de S. Mamede e S. Caetano. Os outros altares
estão dedicados ao padroeiro e ao Imaculado Coração de Maria. O templo foi
dourado e pintado, entre Maio e Junho de 1967. Os dois coretos do adro, em pedra
e cobertos, datam de 1921 e 1922. Há ainda um pequeno oratório para celebração
de missa campal.
Nas encostas da serra da Anta estão as Alminhas
da Calçada. O nicho, com a marca de 1908, é em granito e protege uma pintura
representando Santo António, Cristo Crucificado e o Anjo Gabriel.
A pequena população de Anhões, ensaiando
embora alguma diversificação, vive quase exclusivamente da agricultura e
pastorícia e das remessas dos emigrantes, não havendo praticamente família que
não tenha no estrangeiro um ou mais membros, uma boa parte na Suíça.
Uma aldeia
eminentemente rural, Anhões vive quase exclusivamente da agricultura e da
pastorícia. Assim, cerca de 65% da população trabalha pequenas terras para
auto consumo e apenas 5%, médias propriedades com uma certa rentabilidade. Os
campos produzem sobretudo a batata, o milho, o centeio, forragens, vinho e
hortifrutos. O sector primário tem registado algum investimento, devido
sobretudo a iniciativas de jovens agricultores na área da pecuária. Não existe
qualquer actividade industrial na freguesia.
Conforme
informação da Junta de Freguesia não há desemprego e aqui não pode deixar-se de
referir a emigração como um dos factores que de certo contribuem para esse
facto.
No campo dos
transportes, a circulação rodoviária é assegurada diária e regularmente por uma
carreira de transportes públicos e uma praça de táxis. Um posto de correio
itinerante garante diariamente a distribuição domiciliária da correspondência.
Como tantas
outras freguesias, Anhões está dependente de Monção ao nível de serviços
públicos e outros.
Modesto é também
o comércio alimentar e não alimentar local, que apenas fornece os bens de
primeira necessidade.
Em Anhões existe uma rede pública de distribuição domiciliária de
água, proveniente de nascente e que é suficiente todo o ano. Não há rede de saneamento e as águas residuais são depositadas em
fossas sépticas. A recolha do lixo, que cobre 60% da freguesia, é feita em
contentores e uma vez por semana.
No que diz
respeito ao ensino, o equipamento escolar de Anhões é composto por uma escola
pública de ensino básico do 1.º ciclo. Os alunos dos restantes escalões
escolares têm de deslocar-se a Monção.
O sistema de
assistência médica da freguesia não conta com qualquer estabelecimento de saúde
pelo que, tendo em atenção a distância a que se encontra a sede do concelho, são
sentidas grandes carências da população neste sentido.
A este propósito,
um dos autarcas considera que um dos problemas mais graves e que mais afectam o
futuro da freguesia, é precisamente a falta de uma extensão de saúde ou de um
posto médico mais próximo. Acrescenta ainda que a sede da Junta de Freguesia tem
instaladas as infra-estruturas necessárias para o Centro de Saúde, mas devido à
falta de médicos e sobretudo à falta de apoio político, a questão continua por
resolver.
Na área do
desporto, o panorama também não é muito animador, pois não existem
infra-estruturas que incentivem as práticas desportivas e apenas é posta em
destaque a “Associação de Caça Desportiva do Bonfim”. No campo da cultura e do
lazer a freguesia está dotada de uma sala de espectáculos, local destinado à
realização de várias actividades e um salão de festas.
O património
cultural e edificado de Anhões é constituído pela Igreja Paroquial, Mosteiro e
Capela do Senhor do Bonfim que constituem um dos pontos fortes de atracção da
freguesia. Há ainda que fazer referência à beleza da paisagem, destacando as
margens do rio Gadanha, da nascente deste rio, o turismo rural na Serra d’Antas,
o seu parque de merendas e as vistas panorâmicas observadas de toda a freguesia.
No artesanato, sobressaem os trabalhos de tecelagem em linho e lã.
Apesar deste
interesse turístico, a freguesia possui apenas uma unidade de turismo em espaço
rural. A Junta de Freguesia chama a atenção para as características da zona em
que a povoação de Anhões está inserida e para as suas condições excelentes que
poderiam ser aproveitadas em prol do turismo rural.
Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico das
Freguesias, Freguesias-Autarcas do Séc. XXI, Inventário Colectivo dos registros
Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo.

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