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PORTUGAL: ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO
- CONCELHO DE MELGAÇO - FREGUESIA DE FIÃES
 
Fiães dista sete quilómetros da sede do concelho. Confronta com Cristoval e Paços, a norte, o rio Trancoso (Espanha na outra margem), a
nascente, Lamas de Mouro, a sul, e Roussas, a poente.
Fiães ocupa uma área de 1185 hectares.
Compreende os seguintes lugares principais: Vila do Conde, Candosa,
Ladronqueira, Ferreiro, Jugaria, Soutomendo de Baixo e Soutomendo de Cima,
Pousafoles, Adedela, Faval, Balsada, Portocarreiro, Quingosta, Àda-Velha, Fulão,
Ervedal e Alcobaça.
A antiga freguesia de Santa Maria de Fiães era curato da apresentação do
convento de Fiães, cujo abade era pároco titular. Pertencia ao cabido do couto
de Valadares, passando, mais tarde, a reitoria.
Em 1839, Fiães aparece registada na comarca de Monção. Em 1878 está já na
de Melgaço.
São diversas as teorias sobre as origens do topónimo. O Pe. Aníbal
Rodrigues avança três: de feno, terreno onde se produzia muito feno; de
Fidelanis, gente de muita fé; ou de ‘terra de fiandeiras ou fiandeiros”,
cultivadores de linho e tecelões de teares caseiros.
Pinho Leal, por seu lado, defende que Fian, Fiãa, Fiaam, Ffia, Sfiãa
e Fiada é tudo o mesmo (no português arcaico) e significa vaso de
barro chato e redondo, a que depois se chamou almofia. Servia antigamente para
pagar certa medida de cereais e também de manteiga. Dezasseis fiães
faziam um alqueire.
Ainda segundo este autor, é provável que aqui se pagasse este foro, pelo
que então se diria terra de Fiães (ou que paga fiães). Ou que houvesse aqui
oleiros que fabricassem fians. Afian (em latim fiala) era quase da
forma de um alguidar e levava dois quartilhos.
Houve aqui um importante convento de frades beneditinos, antiquíssimo.
São bastante confusos os seus primórdios: frei António da Purificação pretende
que remonte ao ano de 870, logo ocupado pelos eremitas de Santo Agostinho, que
aqui ficariam até se integrarem na regra cisterciense; os beneditinos
contestam esta opinião e, pela pena de frei Leão de S. Tomás, avocam-se tal
prioridade, dando-no como fundado em 889; finalmente, o Pe. Carvalho da Costa,
indo mais longe, afirma que aparecem notícias sobre a casa já no ano de 851 (no
tempo de D. Ramiro II, de Leão, e de sua mulher, D. Patema).
Não há dúvidas, no entanto, que já era couto antes da fundação da nacionalidade,
pois D. Afonso Henriques confirmou-lhe esse privilégio em 1173 e isentou os seus
moradores de pegarem em armas e de servirem em quaisquer obras de fortificação,
excepto “em uma quadrilha de dezoito braços nos muros de Melgaço”.
Os reis seguintes mantiveram e, em muitos casos, aumentaram estas mercês.
Em 1730, as autoridades militares ordenaram um recrutamento no couto.
Imediatamente o abade recorreu para o general comandante da praça de Valença,
sendo atendido. Como, anos depois, nova tentativa se fizesse, D. João V
recomendou a anulação dessa diligência.
Constava que era o mosteiro mais rico das Espanhas. Recebeu valiosas
doações.
Tinha muitos bens e casais e grande número de coutos. Possuía foros no
Minho, Trás-os-Montes e Galiza, chegando a dispor de vinte abadias. “Desta
forma, podia manter oitenta frades de missa, além dos conversos” (Lionído de
Abreu, em “Silva Minhota”). Nesses tempos, quando se pretendia definir a sua
grandeza, dizia-se que, “depois de el-rei, não há senhor tão poderoso como o Dom
Abade de Fiães”.
A setecentos metros de altitude, num sítio ermo e recolhido, a igreja do
convento é, ainda hoje, a paroquial de Fiães. De raiz românica, sofreu muitas
alterações. É flanqueada por uma torre sineira quadrangular. De fachada baixa
e reforçada por quatro contrafortes, merecem destaque o recorte simples do
portal, levemente ogival, e três nichos com imagens que o encimam. Possui, no
seu interior, encostados à sua parede sul, alguns túmulos de cavaleiros-guerreiros, em pedra e ostentando as respectivas armas. Tem ainda um
interessante conjunto de imagens (do século XVI até aos séculos XVII e XVIII).
Indica-nos Pinho Leal que “A 1.500 metros de Fiães, se eleva majestosa a Serra
de Pernidelo, donde a vista se estende por um vastíssimo e formoso panorama. Ao
sopé desta serra se estende, numa distância de 6 km, a verde e fértil veiga de
Melgaço. Do alto da serra (em dia de céu limpo) vê-se grande parte das
povoações galegas, e a cidade de Orense, a 40 km...”
DOAÇÃO DE AFONSO PAIS E OUTROS AO MOSTEIRO DE
FIÃES EM 1157.
(por Bernardo Pintor)
No extremo norte
de Portugal, a raiar com Espanha, assenta a velha Freguesia de Fiães na encosta
do Pomedelo ou Pernidelo.
Do seu
antiquíssimo e célebre Mosteiro, sobranceiro à vila de Melgaço, resta a Igreja
Paroquial em estado muito precário de conservação e um montão de minas, entre as
quais, para cúmulo de desgraça (ó Céus! . . .) se construíram há anos currais de
gado.
Não vou hoje
historiar o passado glorioso desse importantíssimos Mosteiro de Beneditinos que
cedo receberam a reforma de Cister, mas apenas dar a conhecer o documento que
traçou os limites que a freguesia ainda conserva passados quase oito séculos.
Afirma-se que o
Mosteiro foi fundado pelo ano de 851 e depois arruinado. Ao certo não consegui
saber ainda da sua origem.
Sabe-se de
certeza que ele floresceu no século XII, sendio atribuída à generosidade de
Afonso Pais a sua restauração. De facto quem folhear o livro das datas do
referido Mosteiro, existente no Arquivo Distrital de Braga, encontra muitas
doações feitas pelo benemérito Afonso Pais.
Há porém um
documento importante para a História do Mosteiro de Fiães que não encontrei no
dito livro das datas.
As minhas mãos
veio uma cópia antiga. Trata-se da doação ao Mosteiro do território que
constitui a freguesia actual e que foi couto noutras eras. Nas Inquirições de
Afonso III alegaram o D. Abade, os frades e o sacristão que o Mosteiro tinha
couto delimitado por padrões (marcos de pedra) e que o tinham por doação de
fidalgos, mas sem carta de EI-Rei.
Com a
fotogravura do pergaminho em questão, apresento aos leitores a sua leitura
corrente e tradução. (ou seja apresenta-se a tradução desse documento que está
acompanhado de uma fotogravura)
TRADUÇÃO: «No início
tem o monograma usual xpistus=Cristo) Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e em
honra da beata Maria sempre Virgem e de todos os santos. Eu Afonso Pais
juntamente com meus irmãos e minhas irmãs Pedro Pais, Egas Pais, Fernando Pais,
Garcia Pais, Gudina Pais, Hónega Pais, Mór Pais, Maria Pais, Hónega Mendes, Mor
Mendes. Eu Oroana com meus filhos Pedro Nunes, João Gomes, Álvaro Sarracines
juntamente com meus irmãos e minhas irmãs. Eu Pedro Peres juntamente com meus
irmãos. Eu Nuno Dias juntamente com meus irmãos e minhas irmãs. Eu Rodrigo
Goterres com meus irmãos. Eu Fernão Ventre com meus irmãos. Gonçalo Peres com
seus irmãos. Fernando Nunes com seus irmãos, Pedro Soares com seus irmãos,
Fernando Nunes com seus irmãos, Pedro Nunes com seus irmãos. Fazemos documento
de segurança daquele monte que se chama Fenais, que nós resolvemos por vontade
própria doar aos servos de Deus, Abade João e sua congregação, tanto aos
presentes como nos que depois deles vierem e aí perseverarem na santa vida
beneditina ; possuam no para sempre por direito de herança por nossa doação,
pelas nossas almas e pelas almas de nossos pais, porque é breve a nossa vida.
Estabelecemos lhe limites a principiar em Penha de Ervilha, depois por Costa Má,
até Curro de Loba, partindo pelo rio Doma pelo vale Gaão, depois pelo outeiro da
Aveleira, a seguir pelo coto da
Aguieira e depois desde o Vidual até Penha de
Ervilha e fechou. Nós acima nomeados damos esta herança para exercer o culto de
Deus enquanto houver um homem que o faça. Se for retirada do culto de Deus cada
um receba o seu quinhão. Se vier alguém ou viermos nós, tanto da nossa família
como de estranhos, que queira violar esta nossa doação, seja excomungado e
condenado perpetuamente como Judas traidor do Senhor.
Por estes
limites que mencionamos concedemos (o monte) aquele Mosteiro que esta situado no
referido monte de Santa Maria. Nenhuma autoridade nem homem algum se atreva a
arrotear ou lavrar (neste monte) sem ordem dos mesmos frades. Eis a pena que nós
estabelecemos e outorgamos: restima a mesma herança em dobro ou com suas
melhorias e dois mil soldos para a Congregação. Reinando em Portugal o Rei
Afonso com sua mulher a Rainha Mafalda. Vigário particular do Rei Gonçalo de
Sousa. Na Sé de Tui o Bispo Isidoro. Senhor de Valadares Sueiro Aires. Era de
1195 no dia que é 14° das calendas de Setembro (19 de Agosto de 1157). Nós como
acima dissemos a vós Abade João com vossos Frades nesta escritura de segurança
por nossas mãos roboramos.
Como testemunhas
Sueiro, João, Pedro, Fernando, Munho. Pelo notário Pedro».
A tradição é
livre, porquanto há expressões más de traduzir à letra e o latim é
defeituosíssimo.
Da expressão
mons fenales, Montes Fenais (que produzem feno) deve vir a palavra Fiães, embora
se pretenda que ela vem de Fiam, medida antiga.
Os limites
traçados neste documento são os actuais. Penha de Ervilha redundou em Par
d’Ervilha. (Par é contracção de pera, pedra).
" Curro de loba,
é hoje de Lobo. O rio Doma que aparece várias vezes no livro das datas chamou-se
depois Várzea e hoje tem o nome de Trancoso. Frente a S. Gregório ainda há na
Galiza Puente Barjas, Ponte das Várzeas. Vale Gaão deve ser o monte Gonle perto
de Pousafoles.
Os restantes
nomes ainda existem.
Riba de Mouro
(Monção). 26-6-47
Bernardo Pintor
Inventário do Património Arquitectónico
Em
http://www.monumentos.pt
Informações
detalhadas acerca de:
►
Igreja de Fiães / Igreja de Santo André
►
Capela da Senhora do Alívio
Fontes consultadas:
Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Freguesias- Autarcas do Séc. XXI,
Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais
/Torre do Tombo, Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal,
Inventário do
Património Arquitectónico.

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