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PORTUGAL: ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO - CONCELHO
DE MELGAÇO - FREGUESIA DE CASTRO DE LABOREIRO
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CASTRO DE LABOREIRO
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HISTÓRIA
A freguesia de Castro Laboreiro, localizada no
planalto com o mesmo nome, em plena serra, numa extensa área dentro do Parque
Nacional da Peneda-Gerês, dista vinte e cinco quilómetros da sede do concelho.
Confronta com terras da Galiza, a norte e nascente, Gavieira (Arcos de
Valdevez), a sul e poente e Lamas de Mouro, a poente.
O seu nome vem de duas palavras: Castrum, Castro — povoação fortificada pelo
povo castrejo, de raça celta, que, depois do seu nomadismo durante milhares de
anos nos planaltos, vivendo da caça e da pesca, e depois do pastoreio, se fixou
nos outeiros para ali viver em comunidade e se defender das tribos invasoras,
desde quinhentos anos antes de Cristo até ao século VI da era cristã: Laboreiro
— do latim "lepus, leporis, leporem, leporarium, lepporeiro, leboreio".
O Pe. Aníbal Rodrigues, num estudo sobre os dólmenes de Castro Laboreiro, a que
não faltam apontamentos poéticos, descreve Castro Laboreiro assim: "Constitui
uma região de extraordinária beleza, onde os seus vales amenos, os planaltos
extensos e a serra agreste se harmonizam maravilhosamente, dando à paisagem
cambiantes de rara grandeza. Banhada pelas águas cristalinas do rio Laboreiro e
embalada pelas maviosas canções da sua rápida corrente, é uma região bela, cheia
de microclimas, desde a terra fria que produz apenas batata, centeio e
pastagens, até à parte quente e ribeirinha, em que se cultiva toda a espécie de
cereais, fruta e vinhos."
Tem mais de 40 lugares, distribuídos pelas brandas e pelas inverneiras — que são
os lugares mais altos ou os mais baixos, onde o povo se resguarda do frio
intenso dos agrestes invernos ou do calor trazido pelos estios desabridos.
As brandas, nos lugares mais altos, são mais agradáveis e produtivas na época do
calor, servindo aos animais também melhores oportunidades de alimentação — é
assim uma espécie de casa comum de veraneio da população e gados da freguesia e
de visitantes vindos de fora. Aqui os principais lugares são: Vila, Várzea
Travessa, Picotim, Vido, Portelinha, Coriscadas, Falagueiras, Queima-delo,
Outeiro, Adofreire, Antões, Rodeiro, Portela, Formarigo, Teso, Campelo, Curral
do Gonçalo, Eiras, Padresouro, Seara e Portos.
As inverneiras, nas zonas mais baixas, servem de refúgio ao frio e estão
localizadas nos vales da freguesia. Os seus lugares: Bico, Cailheira, Curveira,
Bago de Cima e Bago de Baixo, Ameijoeira, Laceiras, Ramisqueira, João Alvo,
Barreiro, Acuceira, Podre, Alagoa, Dorna, Entalada, Pontes, Mareco, Ribeiro de
Cima e Ribeiro de Baixo.
É um ciclo que se repete há milhares de anos neste planalto elevado a uns mil
metros acima do nível do mar. Daqui se estabelece um longa linha de horizontes
com a vizinha Espanha (para onde se poderá seguir pela estrada da Ameijoeira).
O rio Laboreiro ajuda também à composição de todo um conjunto de extraordinária
beleza, serpenteando serra abaixo, até se juntar ao rio Lima. Ligando as suas
margens, permanecem as pontes que as várias civilizações que por aqui passaram
foram construindo ao longo dos tempos. São, segundo o citado trabalho do Pe.
Aníbal Rodrigues, "pontes romanas e românicas, da época da ocupação romana: a da
Cava da Velha (monumento nacional); e românicas, do século XII, como a de Dorna,
da Assoreira ou da Capela, de Varziela, das Cainheiras, da Vila, do Rodeiro, das
Veigas e dos Portos (estilo celta)."
De facto, a ocupação humana de Castro Laboreiro é comprovável até ao longo
passado de quatro ou cinco mil anos. Nesta região desenvolveram-se
sucessivamente duas grande culturas que atingiram um grau elevado de
civilização: a cultura dolménica e a cultura castreja. Aqui pode encontrar-se,
ainda hoje, mais de um centena de antas ou dólmenes (será talvez a maior
concentração peninsular de dólmenes pré-históricos); alguns menires; a
Cremadoura, a poente da Vila, onde se incineravam os cadáveres para serem
recolhidas as cinzas em vasilhames de barro (no Mesolítico); doze castros, de há
dois mil e quinhentos anos; pinturas e gravuras rupestres.
O Castelo de Castro Laboreiro, diz o povo ter sido obra dos mouros. Pinho Leal,
no seu "Portugal Antigo e Moderno", afirma mais certo ser atribuível aos
romanos. O Pe. Aníbal Rodrigues coloca-o, porém, no ano de 955, fundado por S.
Rosendo, governador do Val del Limia, desde Maio desse ano, por nomeação de D.
Ordonho III, rei de Leão. D. Afonso Henriques rodeou-o de muralhas e, nos
princípios do século XIV, quando caiu um raio no paiol de pólvora, que fez todo
o polígono ir pelos ares, D. Dinis ordenou a sua reedificação.
Castro Laboreiro foi vila e sede de concelho desde 1271 até 1855. Teve tribunal,
paços do concelho e cadeia, bem como alcaide e governador do castelo. Recebeu
foral, em Lisboa, a 20 de Novembro de 1513, conferindo-lhe o nome de Castro
Laboreiro. Tinha foral velho, dado por D. Afonso III, em Lisboa, a 15 de Janeiro
de 1271, que a elevava a vila, dando-lhe simplesmente o nome de Laboreiro. Um
dos seus privilégios, concedido por vários reis e confirmado por D. João V, era
o de não se recrutarem aqui soldados.
Esclarece, no entanto, o Pe. Aníbal Rodrigues: "Pertença do condado de Barcelos
até 1834, comenda da Ordem e Cristo desde 1319, Castro Laboreiro ocupou um papel
de grande relevo, quer na independência da Pátria quer na Guerra da Restauração,
desde 1640 a 1707. Defendida pelo seu inexpugnável castelo, manteve-se sempre
fiel ao ideário pátrio, sem nunca se vender ao estrangeiro. Desde 1136, data em
que D. Afonso Henriques visitou Castro Laboreiro, até ao presente, o povo
castrejo conservou-se sempre coerente consigo mesmo e de um portuguesismo a toda
a prova."
Era da casa de Bragança, que apresentava o reitor (que tinha de rendimento anual
seiscentos mil réis, e o seu coadjutor vinte alqueires de centeio e dez mil
réis, tudo pago pela comenda). A igreja foi primitivamente vigairaria da matriz
de Ponte de Lima, depois abadia do bispo de Tui, que D. João Fernandes de Sotto
Maior trocou, em 1308, com o rei D. Dinis.
No campo da monumentalidade construída, merecem finalmente destaque o
pelourinho, de 1560, que é monumento nacional, e a igreja matriz, imóvel de
interesse público, que foi construída primitivamente no século XII, em estilo
românico. O coro, a torre e a capela-mor datam de 1775 e ostentam o estilo
joanino ou de D. Maria Pia. Possui uma magnífica pia baptismal, do século XII, e
preciosas imagens, que abrangem um largo período que vem desde o século XIV até
ao século XVII.
Tratando-se de uma raça pura, dócil e altiva, os mundialmente famosos cães de
Castro Laboreiro são, desde o século VIII, motivo de orgulho do seu povo. É uma
raça mastim de grande porte, nativa desta região montanhosa.
Fontes
consultadas: Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Freguesias - Autarcas do
Séc. XXI, Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos
Nacionais /Torre do Tombo.
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