« O
pinhal onde se encontra a anta, estende-se pelo delicioso vale, a que o rio
Âncora dá o nome, e não dista mais que um tiro de bala do pinhal da Barrosa, que
lhe está fronteiro, à vista.»
Na orla do pinhal há uma fábrica de telha, e,
segundo as informações do seu proprietário, a anta é conhecida por Cova dos
mouros.
Uma outra notícia, sofrivelmente confusa, é
verdade, queria que na anta tivesse aparecido um santo, que em tempos que já lá
vão sucesso que daria origem à denominação, que hoje tem o pinhal.
O monumento está muito arruinado. Ninguém se
lembra de o ter visto com a respectiva mesa; mas existe, existia pelo menos há
dois anos, o indivíduo que tinha aproveitado parte dos seus suportes para um
lagar.
A anta de Vile conserva ainda uma das pedras
traseiras, um suporte inteiro e outro traçado pelo meio; mas, apesar de estar
tão consideravelmente mutilado, nenhuma dúvida pode haver de que é monumento do
mesmo tipo, que a « A Lapa dos Mouros », suposto que de mais pequenas dimensões.
Em
compensação, a mamoa de Vile pode dizer-se perfeita, e mostra à última evidência
que cobria toda a anta. Hoje ainda a sua altura orça por três bons metros, e
atinge quase a extremidade do suporte, que ainda se conserva inteiro e no seu
primitivo lugar.
A anta de Vile teve com toda a certeza uma
galeria, de que actualmente não existe uma só pedra. A sua orientação era a
mesma que a da anta da Barrosa.
Contra a minha expectativa, a exploração deste terreno volvido e revolvido
produziu uma ponta de seta de quartzo branco, outra de sílex escuro de uma
delicadeza extrema, e uma machadinha inteira, de matéria pouco diferente da
encontrada na
«
Lapa dos Mouros ».
Um pedaço de xisto, mostrando visivelmente ter
servido de polidor ou afiador, pertence de certo à mesma época destes
instrumentos de pedra: não é a primeira vez que os tenho encontrado juntos.
Dentro da « Cova » há grande quantidade de
fragmentos de telha moderna, que para ali foram despejados com toda a
probabilidade da telheira próxima; mas entre eles aparecem outros muito mais
antigos e fazendo lembrar os que tenho visto nos altos dos montes, onde existiu
alguma velha capela, de que hoje nem alicerces existem. Esta particularidade
trouxe-me à memória a problemática tradição do Santo de Vile, não sendo
impossível que a anta, já sem mesa e coberta por um telhado, tivesse servido em
tempos antigos de nicho a qualquer santo.
Entre nós, que eu saiba, o caso seria novo; não
assim no estrangeiro; e o certo é que o nome de « pinhal do Santo de Vile » tem
por força uma origem lendária, e que não há por ali outra legenda, a não ser a
que se localiza na anta.
Verifica-se, portanto que Vile tem comprovada a
sua antiguidade, apesar disso, as Inquirições de 1258 não se lhe referem.
Referem-se sim a São Pedro de Varais. Fazia então parte, com Azevedo, do
território da paróquia de S. Pedro de Varais. A independência e constituição
como freguesia deverá ter ocorrido pelo ano de 1640.
A
Capela Românica de S. Pedro de Varais insere esta freguesia no contexto da
formação da nacionalidade. Nessa época, pequenas ermidas e capelas faziam a
defesa e protecção das populações assustadas e dizimadas pela guerra da
Reconquista Cristã.
As acessibilidades constituem um factor de
desenvolvimento local de inegável relevância. Neste âmbito, Vile é servida pelas
EN 13 e EN 305, por carreiras de transportes públicos regulares e diárias, e por
uma praça de táxis. Ao nível do transporte ferroviário, a freguesia dispõe, a
menos de 3 km de distância, de um apeadeiro.
A autarquia declara que, actualmente, a rede
pública de distribuição domiciliária de água, serve a totalidade da população de
Vile, sendo o abastecimento suficiente durante todo o ano. Vile não dispõe ainda
de rede pública de saneamento. As águas residuais são tratadas por meio de fossa
séptica.
O sistema de recolha de lixo, por sua vez,
abrange na íntegra a freguesia e realiza-se duas vezes por semana.
O sistema educativo que serve a população
resume-se a uma escola do ensino básico do 1.º ciclo. Alunos do 2.º e 3.º ciclos
e do ensino secundário frequentam as escolas sediadas em Vila Praia de Âncora, a
cerca de 2 km de distância. De igual modo, os estabelecimentos adequados à
prestação de assistência e cuidados médicos mais próximos, aos quais a população
recorre em caso de necessidade, encontram-se na vizinha freguesia já referida.
A rede de acção social é, por outro lado,
inexistente.
A população de Vile tem ao seu dispor, ao nível
do equipamento colectivo, um campo de jogos, centro cultural, sala de
espectáculos, salão de festas e escola de música e outras artes. A Associação
Cultural e Desportiva de Vile é a única representante do movimento
associativista, fundamental à dinamização sociocultural da freguesia, e tem
levado a cabo as principais actividades desta esfera.
Dos principais pólos de atracção turística,
tem-se a Capela românica de São Pedro de Varais, o Dólmen do Santo de Vile, a
Igreja de S. Sebastião, a Ermida de S. Ildefonso e os cruzeiros do Sr. dos
Desamparados e de S. Ildefonso. As vistas panorâmicas do Monte de São Pedro de
Varais, a ruralidade marcante da freguesia são outras referências a não serem
negligenciadas.
De clima agradável, próxima da praia e com um
ambiente rural influenciado pelo ar da montanha, Vile, vem sendo procurada para
fixação de residência ou local de segunda habitação.