Orbacém está a cerca de 16
km da vila de Caminha, a sede do concelho a que esta freguesia pertence, e
estende-se, em plena
serra de Arga, por uma área de aproximadamente 514 ha. Toda
esta área localizada no vale do rio Âncora, mais precisamente na margem direita
deste rio encantador e, entre as freguesias de Gondar e Dem, localizadas no seu
lado norte, tendo Riba de Âncora a poente, Amonde e Montaria (ambas pertencentes
ao concelho de Viana do Castelo) a nascente e, a sul, já na outra margem do rio
Âncora, novamente Amonde e Freixieiro de Soutelo (também esta freguesia
pertencente ao concelho de Viana do Castelo).
Desse passado já pouco resta, mas a Igreja
Paroquial atesta ainda esse tempo rural e enobrecido. Está situada numa linda
encosta, antes da Ponte de Tourim (Amonde) e tem à entrada do Adro, uma
interessante figura barroca que sustenta um curioso relógio de sol.
Apesar da ausência de serviços públicos e
outros, e apesar da escassez de estabelecimentos comerciais, ambas
determinantes da frequente deslocação da população residente à sede do concelho
ou a Vila Praia de Âncora, as viagens estão facilitadas pela existência de uma
E.N., e muito mais o estarão após a concretização do projecto que visa a
construção do I.C. 1 prevista para os próximos dois anos.
No âmbito da saúde e da assistência social, bem
como na área da educação, com excepção para uma escola primária, as carências
são enormes. Por isso, os habitantes de Orbacém têm de se recorrer dos
estabelecimentos existentes em outras localidades.
No capítulo das infra-estruturas básicas, a
rede pública de distribuição domiciliária de água já cobre 98% da área da
freguesia, mas o saneamento não está instalado e as águas residuais são tratadas
através de fossa séptica.
No que concerne à cultura e ao lazer, esta
freguesia está dotada de um Centro Social e
Cultural, com salão de festas e outras dependências, espaços por onde têm
passado actividades especialmente relacionadas com o folclore e reuniões de
convívio.
As tradições rurais por seu lado, estão muito
vivas e têm sido reanimadas, principalmente por iniciativa da Associação
Cultural e Recreativa “As Lavradeiras de Orbacém”.
À semelhança do que acontece com outras povoações concelhias, a paisagem que
envolve a zona ribeirinha do rio Âncora, as vistas que se observam do lugar de
Cabanas e a própria ruralidade, constituem os seus principais pólos de atracção
turística.
Ainda a respeito da história desta freguesia, no livro "Inventário
Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do
Tombo" diz textualmente:
«As referências mais antigas a Orbacém surgem em
documentos do século XII.
Não pertencendo o seu padroado ao rei, este
reservava, contudo, para si alguns direitos, como se pode verificar nas
Inquirições de 1258.
O direito de padroado pertencia ao bispo de
Tui, como se depreende da lista dos benefícios de Entre Lima e Minho, da Sé de
Tui, elaborada em 1258 e 1259.
Em 1320 pagava de taxa ao rei 60 libras e, em
1321, de acordo com o Censual do Cabido de Tui para o arcediagado da terra da
Vinha, dois quarteiros de cereais, uma libra de cera e procuração ao cabido.
Entre 1514 e 1549 esteve anexada à paróquia de
Meixedo, do concelho de Viana, rendendo as duas para a Miltra 50 mil réis.
No Censual de D. Frei Baltasar Limpo, Orbacém
pertencia ao mosteiro de São salvador da Torre que, nesta época, já estava
inserido na câmara arcebispal.
Competia a apresentação do seu abade ao Papa e
a Mitra alternadamente.
Refira-se, todavia, que na Estatística
Paroquial de 1862, Orbacém figura como vigairaria de concurso, da apresentação da
Mitra, passando, depois, a freguesia independente com o título de reitoria.
Em 1839 pertencia à comarca de Monção, em 1852
à de Viana do Castelo, e, em 1878, à de Caminha.»