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PORTUGAL:
ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE
CAMINHA - FREGUESIA DE MOLEDO |
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Informação Sumária
Padroeiro:
S. Paio.
Habitantes
e eleitores
Inscritos:
Cerca de 1500 habitantes e 1175 eleitores no ano de 2008
Sectores laborais:
Agricultura
e pecuária, construção civil, turismo, recolha de sargaço e comércio.
Tradições festivas: Senhora ao
Pé da Cruz, (1º domingo de Agosto), Festa do Senhor (último domingo de Setembro)
e S. Sebastião (20 de Janeiro).
Valores Patrimoniais e aspectos
turísticos:
Capela da Senhora ao Pé da Cruz, Capela de Santo Isidoro, Capela de Santa Ana,
Cruzeiro e Igreja Paroquial, Praia de Moledo, Pinhal do Camarido, Monte do Sino de
Mouros e Monte de Crasto.
Gastronomia:
Enchidos de porco.
Colectividades:
Assoc. dos Amigos de Moledo, Assoc. Columb. De Moledo, Assoc. Moledense de
Instrução e Recreio, Ínsua Clube de Moledo e Centro Cultural e Desportivo de
Moledo.
ASPECTOS GEOGRÁFICOS
A Freguesia de Moledo tem,
aproximadamente, uma área de 765 ha e dista cerca de 3 Km da vila de Caminha, a
sede do Concelho a que pertence. Faz limite, a Norte, com a Freguesia de
Cristelo; a Nascente, com as freguesias de Azevedo e de Venade; a Sul, com a
Freguesia de Vila Praia de Âncora e a Poente, com o Oceano Atlântico.
RESENHA HISTÓRICA
O topónimo Moledo,
significa pequeno monte de pedras, uma alusão ao aspecto geral do solo. A sua
constituição geomorfológica é bastante variada, com a serra, a Sul e a Nascente,
onde se sobressai o monte de Facho em frente à Capela de S. Isidoro. O monte de
Facho, assim se chamou, por ter aí ter havido, em tempos idos, um sinal para os
mareantes. A freguesia explana-se no sopé da
encosta formando uma concha que a
protege na defesa dos ventos do Norte pelo pinhal do Camarido e pelo monte de S.
Tecla, na Galiza. Desde meados do século passado, quando o turismo interno
começou a ganhar vulto, sobretudo o veraneio à beira-mar, a parte rural, a que
se chama propriamente a freguesia, paralisou um pouco dando, lugar ao
desenvolvimento urbano da praia, que contribuiu, em parte, para a economia e a
notoriedade da freguesia.
Havia em Moledo
dois tipos de locomoção dos moinhos de moer grãos de milho e trigo, os de vento
e os de água, quase todos eles desaparecidos ou reconstruídos em habitação.
Havia cinco ou seis
moinhos de vento junto ao mar dos quais existe memória fotográfica e que alguns
eram deslocalizados por juntas de bois, pois tinham umas rodas grandes que
dariam mobilidade aos moinhos conforme os ventos que se pretendiam certos.
Os moinhos a água
funcionavam junto ao rego das Preces, sobretudo localizados em Prado e Fulão,
pois produzia-se nesses tempos bastante linho, dando azo a muitos fiados e
espadeladas à moda do Alto Minho.
Em tempos afastados
havia camboas que eram formados por pedras encravadas na areia em meia-lua,
virada à Terra, que serviam para apanhar peixe, quando vinha a baixa-mar.
O associativismo,
em Moledo, teve o seu início em 1648 com a constituição da Confraria de Santo
Isidoro.
Em 1731 é fundada a
Irmandade das Almas, que ainda hoje existe, sem desvios nem desvirtuamentos dos
seus princípios.
A Irmandade do
Senhor ou Santíssimo Sacramento, da qual apenas se conhece como data provável da
sua fundação, o que consta da Provisão Regia de quatro de Maio de 1816, que dava
o direito de receber o produto da arrematação do Sargaço do Portinho do Senhor,
direito esse extinto em 1914. Estas Irmandades deviam obrigação à Junta de
Paróquia a quem prestavam contas
anualmente. Foram criadas, ainda, as Irmandades
do Coração de Jesus e do Coração de Maria, esta constituída em 1962,
desconhecendo-se a data da constituição da do Coração de Jesus.
Após a implantação
da República em 1910, foi constituída em Moledo, a primeira Associação Cívica e
Cultural, denominada, Centro Republicano, que teve a sua sede no salão da casa
de João Silva.
A A.M.I.R.-
Associação Moledense de Instrução e Recreio, fez a sua inscrição no Governo
Civil de Viana do castelo, em 1933, sendo seus principais fundadores: João
Afonso Rodrigues da Costa, conhecido por "João das Iscas", Manuel Joaquim Amorim
(comerciante na Rua Manuel Cerqueira), Januário Moreira "alfaiate", Alfredo
Moreira, conhecido por "Linholas", Américo Rocha, Artur Júlio Fernandes Fão.
Durante muitos
anos, a alma mater da A.M.I.R., foi o Senhor João Silva.
Em 1950, fixava-se
em Moledo, António Pedro, homem de Teatro, Poeta, Escritor, Pintor, Ceramista,
Critico de arte e Jornalista, deu algum contributo a A.M.I.R. quando ensaiava a
peça de Teatro "O Leão da Estrela". António Pedro que veio a ser presidente da
direcção com o apoio de João Silva.
No campo das
tradições, havia a tradição da missa do galo que desapareceu, durante a qual
colocavam dois galos na tribuna, batendo-lhes as palmas para cantarem quando o
sacerdote entoasse a glória.
Os Clamores
constituíram uma tradição religiosa muito importante tendo caído em desuso.
A queima do Judas,
em Sábado Santo, as fogueiras de S. João e de S. Pedro, com o consequente roubo
dos carros de bois, as missas das "obradas" no dia seguinte ao enterramento do
defunto.
Em relação ao
passado histórico, mais distante, não é difícil encontrar, no litoral moledense,
vestígios do homem da pré-história, encontrando-se facilmente testemunhos da
passagem do homem, na rude tarefa de colher alimentos, servindo-se de seixos
rolados que talhava com perícia invulgar.
Era com estes
instrumentos rudimentares que arrancava dos penedos o marisco para a sua
alimentação, ou custava os animais e as planta de que carecia.
Da cultura
asturiense, é fácil colher, à flor da terra, picos, bem como percutores e pesos
de rede.
A primeira
referência histórica a esta freguesia encontra-se nas Inquirições de D. Afonso
III em 1258.
O Rei apenas
detinha uma quarta parte da Igreja, com os seus rendimentos.
Diz que João Nunes
de Cerveira comprou o quinhão de uma mulher que era herdeira doutra quarta
parte, por a ter aforado ao rei, da qual ela e os seus herdeiros pagavam renda.
Nesta época, a
igreja paga ao Rei, pela quarta parte que lhe cabia, um maravedi, pelo S. João.
Do restante pagava contributo ao bispo de Tui a quem pertenciam as outras
partes, do qual está de um documento da lista das Igrejas e Diocese de Tui
elaborado entre 1258 e 1259 no qual Moledo pertencia ao bispado de Tui.
Também se diz, nas
mesmas inquirições, que o rei possuía um casal de reguengo no sítio do Loureiro,
recebendo por ele a terça de todas as colheitas.
Em 1320, a renda
apurada à Diocesse de Tui era de 95 libras. O Censual da diocese de Tui para o
arcediagado da Vinha elaborado em 1321, atribui a Moledo o rendimento, para a
Sé, de um quarteto de trigo e procuração. Nesta época Cristelo pagava mais no
censual de D. Diogo de Sousa, mandado fazer entre 1514 e 1532, a freguesia de
Moledo não aparecia, como quase todas as freguesias de Caminha, estava na posse
do Marques de Vila Real.
Em 1545-1549,
Moledo estava integrado na comarca eclesiástica de Valença e rendia 40 mil réis.
Segundo o Censual
de D. Frei Baltazar Limpo, entre 1551-
1581, Moledo estava
dividida em três partes, quanto ao seu rendimento. Uma parte para o Marquês de
Vila Real, as outras para o
benefício, uma com cura e outra sem cura d`almas.
Esta freguesia
passou por herança, para os duques de Caminha até 1641, em que o último duque de
Caminha foi enforcado por traição, sendo-lhe confiscado todos os seus bens, que passaram
para casa do Infantado.
Em 1706 era
padroado da casa do Infantado, detendo o direito de apresentar pároco, e o seu
rendimento cifrava-se em cem mil réis.
A Ordem de Cristo,
também, detinha dois prestimónios sobre o rendimento do benefício, com noventa
mil réis cada um.
A casa do Infantado
foi extinta em 18 de Março de 1834, sendo incorporados os seus bens e
rendimentos e foros, no património nacional.
A via-férrea
aparece em 1878 e a estrada nacional, hoje estrada velha em 1857. Em 1916
abre-se a Rua Senhora ao Pé da Cruz numa tentativa de ligar a freguesia à praia
um aglomerado populacional em constante crescimento, iniciado no século XIX pelo
moledense António Manuel Alves do Casal. O grande impulsionador do
desenvolvimento da praia de Moledo foi Dr. Arnaldo de Sousa Rego, aquando
Presidente da Câmara Municipal de Caminha.
Quando em 1919, foi
proclamada a monarquia do Norte, Moledo não ficou insensível.
Como o governo
republicano enviasse uma divisão naval para o Norte do país, a Junta Governativa
do Reino, estabeleceu postos de defesa em Afife, Âncora e Moledo, vindo para
este último uma força da infantaria nº 6 sob o comando de um tenente, que se
instalou no antigo hotel e casa da pensão de Moledo do Minho, mais conhecido
pelo hotel D. Cândida onde estabeleceu quartel.
Em princípios de
Fevereiro de 1919 a Marinha de Guerra bombardeou a estação de Âncora.
No dia seguinte,
pela tarde, Moledo sofreu um ataque durante 40 minutos, pelos navios de guerra
com pontarias certeiras, devido a encontrarem-se a bordo marinheiros de Lanhelas
que conheciam a região.
Ainda, a respeito da
história desta freguesia, no livro "Inventário Colectivo dos Arquivos
Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo" diz textualmente:
«Nas Inquirições de
D. Afonso III, esta freguesia é já mencionada, figurando na relação das igrejas
pertencentes à diocese de Tui, elaborada entre 1258 e 1259.
Na lista das igrejas
mandada fazer por D. Dinis, em 1320, para apuramento de taxa, Moledo ficou a
pagar à coroa 95 libras. Para o cabido da Sé de Tui, em 1321, pagava um
quarteiro de trigo e procuração para o arcediagado da Vinha, como se depreende
do Censual. Entre 1545, Moledo encontrava-se inserida na comarca eclesiástica de
Valença, com um rendimento aproximado de 40 mil réis.
Pertencia, em 1839,
à comarca de Monção, em 1852, à de Viana do Castelo e, em 1878, à de
Caminha. »
( Fontes consultadas: Caminha e seu
Concelho, Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos
Nacionais/Torre do Tombo e Freguesias Autarcas do Século XXI )

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