PORTUGAL:  ALTO MINHO - DISTRITO DE  VIANA DO CASTELO -  CONCELHO DE CAMINHA - ILHA DE N. SRA. DA INSUA

            

ILHA DE N. SRA. DA INSUA


 

  Forte da Ínsua

 

Forte da Ínsua

                                                                                                   
A cerca de 200 m. da costa, a Ilha de Nossa Senhora da Insua, é de formação rochosa que se encontra situada a Poente, junto à  foz do rio Minho, em frente à Mata do Camarido.

Nela está construído o Forte da Ínsua cuja planta é em forma de  uma estrela irregular, formada por 5 baluartes, sobre embasamento saliente, de coroamento boleado e altura variável, atingindo nalguns pontos 2.80m, funcionando quase como quebra-mar das muralhas mais expostas, ou seja, as viradas a E. e a S. Fachada principal a NE. com entrada protegida por revelim, de muros em talude, rasgados superiormente por canhoeiras estreitas rectangulares, e com guarita facetada e cobertura em calote esférica no cunhal; a N. abre-se portal de arco pleno simples; no seu ângulo interior, rampas de acesso à guarita e canhoeiras. De ambos os lados, o revelim é protegido por muros mais baixos. Fortaleza de muros em talude, corridos em toda a sua extensão por moldura curva encimada por parapeito, interrompido nos cunhais dos 4 baluartes maiores por guaritas, de planta facetada e cobertura em calote esférica, assentes directamente sobre a moldura. A meio do pano de muralha do frontispício, rasga-se portal, de arco pleno sobre pés direitos, entre estrutura quadrangular em ressalto, sobre a qual assenta cornija e frontão triangular com 3 brasões no tímpano: as armas de Portugal e as do Governador. No lado direito tem inserida lateralmente lápide alusiva à construção. Na fachada virada a SO., balcão rectangular sustentado por mísulas e coberto por calote esférica rematada por bola. Interiormente é percorrida por larga plataforma, com pavimento de lajes, protegida por parapeito e com acesso junto aos 4 baluartes principais por escadas; junto às muralhas NE. e NO. desenvolvem-se os quartéis, depósitos e cozinha, muito arruínados, sem cobertura e fachadas rasgadas por janelas e portas de verga recta, excepto a do alinhamento do portal, onde é de arco pleno. Praça de armas reduzida, tendo ao centro e para S., com algumas paredes comuns à fortaleza, o convento, de planta composta por igreja, longitudinal composta, sacristia, claustro quadrangular irregular e outras dependências muito arruinadas. Igreja com portal de verga recta encimada por janela. Interiormente tem arco abatido em cantaria de suporte ao antigo coro-alto, arco triunfal pleno e cobertura em abóbada de berço. Claustro com alas de colunas jónicas assentes em murete e suportando entablamento.
Em 1378 - com o Grande Cisma do Ocidente, alguns religiosos galegos e asturianos, desgostosos por Castela apoiar o Papa de Avignon, deslocam-se para o Minho; 1392 - Breve de Bonifácio IX autoriza em Portugal religiosos Franciscanos, da Observância Menorita, na sequência do qual se devem ter iniciado as obras do convento de Santa Maria da Ínsua, tendo sido o seu principal impulsionador Frei Diogo Arias; 1462 - concessão de privilégios aos 2 pescadores que os transportavam; 1471 - obras de reedificação: construção de novas celas, melhoria da capela e retalho da casa, permitindo a entrada de muitos religiosos, entre eles Frei André da Ínsua, mais tarde Geral da Ordem; 1502 ou 1512 - visitado por D. Manuel; 1512 - visitado pelo Governador de Ceuta e Senhor de Caminha, D. Fernando de Menezes; 1548 - visitado por D. Luís, filho de D. Manuel; 1580 - ocupado pela armada galega, numa atitude de apoio à causa filipina; 1602 - atacado por corsários Ingleses; 1606 - saqueado por piratas Luteranos de La Rochelle; na sequência destes ataques, muitos religiosos abandonaram o convento; 1623 - o convento tinha apenas 2 frades; 1649 / 1652, entre - construção da fortaleza sob ordem de D. Diogo de Lima, Governador das Armas da Província do Minho, iniciando-se a partir daí uma difícil convivência entre os frades e a guarnição militar; 1653 - empossado o 1º Governador, Capitão Domingos Mendes Aranha; 1676 - ampliação do convento com construção em piso elevado de um dormitório de 5 celas; 1717 - D. João V oferece 200$000 rs para reedificação da igreja, com tecto de abóbada de pedra e coro-alto; 1765 - a fortaleza possuía 7 peças de bronze e guarnição de 10 homens; 1767 - fazem-se novas celas, sala do capítulo e retábulo do altar; 1793 / 1795 - obras de reparação, tendo os frades abandonado provisoriamente o convento, mas regressando alguns anos depois; 1807 - fortaleza ocupada por forças espanholas devido à 1ª Invasão Francesa; 1808 - Capitulou ( juntamente com Caminha ) perante o exército francês; 1831 - recolha ao Arsenal de Lisboa das peças inutilizadas; 1834 - extinção das ordens religiosas; 1861 - ocupado por destacamento de veteranos; 1886 - instalação de um foral; 1909 - nomeado o último Governador, Major Rodolfo José Gonçalves; 1940 - auto de entrega da fortaleza pelo Ministério da Marinha ao Ministério das Finanças; 1953 - envio de relação dos objectos existentes na capela, pelo chefe do farol da Ínsua à Capitania do Porto de Caminha; 1983 - fortaleza definitivamente entregue ao Ministério das Finanças; 1993, 20 Maio - Despacho conjunto dos Secretários de Estado da Cultura e das Finanças determina a desafectação do Forte da Ínsua ao IPPAR, manifestando o Instituto Politécnico de Viana do Castelo interesse nessa afectação.
De referir ainda que possui um poço de água doce, um dos 3 únicos do mundo situados no mar.

Fonte: DIRECÇÃO GERAL DOS EDIFÍCIOS E MONUMENTOS NACIONAIS