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PORTUGAL:
ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE
CAMINHA -FREGUESIA DE DEM
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Informação Sumária
Padroeiro:
S. Gonçalo.
Habitantes:
Cerca de 462 pessoas (I.N.E.2001).
Eleitores
Inscritos:
405
eleitores em 31-12-2003.
Sectores laborais:
Pequeno comércio, pequena indústria, agricultura e pecuária.
Tradições festivas:
Senhora das Neves (5 de Agosto), S. Silvestre(4 de
Agosto), e S. Gonçalo (1º Domingo de Junho).
Valores Patrimoniais e aspectos turísticos:
Igreja Paroquial, capelas da Senhora da Serra ou da Senhora das Neves, e de
Santa Luzia, cruzeiro paroquial.
Gastronomia:
Enchidos de porco, Cozido à portuguesa e cabrito à moda da Serra de Arga
Artesanato:
Tecelagem, linho e trajes “à lavradeira”.
Colectividades: Rancho Folclórico de Dem,
Grupo Juvenil de Dem
ASPECTOS GEOGRÁFICOS
Dem, estende-se por uma área de cerca de 649 ha.,
quase toda ela inserida na Serra de Arga. Aproximadamente 11
km, separam Dem da Vila de Caminha, a sede do Concelho. Esta
freguesia é mais nova do município caminhense.
Até à década de 60, pertenceu à Freguesia de Orbacém
e à Freguesia de Gondar, era respectivamente, Lugar de Dem (Freguesia de Orbacém)
e Lugar da Aldeia (Freguesia de Gondar)
das quais se desanexou por altura da sua elevação a freguesia, através do Decreto
Lei nº 48 590 de 26
de Setembro de 1968. São os principais lugares da Freguesia de Dem: Pedras
Frias, Carejos, Boucinha, Chã de Porto, Aldeia de Baixo e Aldeia de Cima. A
estabelecer os seus limites estão: a Norte, a Freguesia de Argela; a Sul, as
Freguesias de Orbacém e de Montaria (esta pertencente ao Concelho de Viana do
Castelo); a Nascente, a Freguesia de Arga de São João; e a Poente,
as Freguesias de Venade e de Gondar.
RESENHA HISTÓRICA
Apesar do seu estatuto de "nova freguesia" não se
pode deixar de considerar que, como território albergou civilizações muito
antigas que deixaram as suas marcas de ancestralidade, e a arqueologia o tem
comprovado, e os seus topónimos Alto do Crasto e Crasto do Germano assim o
determinam, como se pode verificar a seguir:
A Igreja
Paroquial

Construída em
1970, a igreja paroquial apresenta planta rectangular, com dois corpos nave e
capela-mor ligados por um arco triunfal de meia volta, apoiado na parede. A
sacristia fica do lado norte.
Romaria da
SENHORA DAS NEVES
(a SUA
LENDA)
Há muito tempo, vivia nas fraldas da Serra D'Arga, no local onde
hoje está a capela da Senhora da Serra, um pobre monge, metido na toca de um
sobreiro velho, fazendo penitência e rezando pelos pecados do mundo. Toda a sua
atenção ia para Deus, prometendo grandes privações ao corpo, na comida e na
bebida. Vivia o santo do frade sozinho, tendo como única companhia uma pequena
imagem de Nossa Senhora, que carregara consigo do convento de onde viera.
Todos os dias o frade confidenciava com a Virgem os seus
pensamentos e as suas orações. Havia-a colocado num altar improvisado dentro da
cavidade onde morava, para melhor a homenagear e louvar, confiando na sua
intercessão para conseguir a purificação total para si, e a salvação para os
homens.
Ora aconteceu que um dia, no maior pico do verão, no mês de
Agosto, o frade sentiu uma sede terrível que lhe afogueava a garganta. Bem
queria o pobre do frade aguentar a sede, dando assim testemunho da capacidade de
sofrimento e de penitência com que queria presentear continuamente a Virgem e
seu bendito filho. Mas era de tal forma quente o dia, que resolveu suspender a
dura renitência, para ir ali perto, junto de um fonte bem fresca, apagar a
secura que lhe afligia a garganta.
Quando regressou ao seu poiso, notou, com extrema surpresa, que
a Virgem já lá não estava! Entristecido e aflito, pensou logo que a Virgem o
tinha abandonado, por não ter resistido à sede. Ajoelhou-se com o rosto por
terra, e suplicou à Senhora: - Ó Virgem, Santa Mãe de Deus! Perdoai a minha
falta de sacrifício! Por amor do vosso Santo Filho, meu Salvador, não me
abandones!
Nisto, ouviu um grande estrondo! Temeroso do poder de Deus,
tapou o rosto com as mãos, até que o silêncio voltou. Levantou lentamente a
cabeça e olhou então para o alto. O sobreiro estava desfeito e envolto em
brancura! Era a imagem da Virgem rodeada de neve, fitando-o com extrema doçura!
E se aquele era um dia esbraseado de Agosto, logo se transformou em dia fresco e
acolhedor, que nem a mais suave Primavera.
Vendo tão grande milagre, pegou o frade na imagem da Senhora, e
aí lhe construiu um lindo nicho de pedra para a colocar. A partir daquele dia
começou a chamar-lhe Nossa Senhora das Neves!
A Capela da
senhora das neves
A capela da Senhora da Serra,
ou Senhora das Neves é um dos santuários mais
característicos do concelho de Caminha. Situa-se no cume da Serra por cima das
Freguesia de Argela e Venade pelo lado poente e, pelo lado oposto, por cima da
Freguesia de Gondar. Oferece a todos um panorama deslumbrante, pondo à
vista o estuário do rio Coura com o rio Minho, ali no seu encontro junto à vila de Caminha.
É digno de se observar as aldeias portuguesas e galegas numa e na outra margem
do Minho.
Património
Como patrimónios da freguesia, encontra-se a Igreja
Paroquial a Capela de Santa
Luzia, situada no lugar de Carejos, os nichos e alminhas situados junto à
igreja e a já referida Capela da Senhora das Neves.
Arqueologia
insculturas na costa do Carvalho
O P. Artur Coutinho, que quando paroquiava esta
freguesia, descobriu num penedo, situado na costa do Carvalho, uns sinais
característicos.
Visitado o local estavam esses sinais, ainda
bem conservados! Foram fotografados e os relatórios publicados no Notícias de
Viana (Ano I, 4a série Nº,°
12).
O penedo de
configuração redonda, medindo, na parte superior, no sentido nascente-poente
6,80 m de diâmetro e no sentido norte-sul 5 m. É de granito granulado, de cor
esbranquiçada. A partir da base vai aumentando de volume, atingindo na parte
mais bojuda um perímetro de 25 m.
Há, pelo
menos duas séries de insculturas. Um conjunto é fácil de identificar e quase
todas elas se referem a manifestações antropomórficas; o outro conjunto, muito
delido, embora se note bem, não é fácil individualizá-lo.
Além dos
antropomorfos, há outros sinais como podomorfos, suásticas, fossetes, etc.
A poucos
metros deste penedo, na direcção do poente, foram descobertas em 1983, por um
grupo de estudantes do Liceu de Viana, sob a orientação do P. Artur Coutinho,
outro conjunto, sendo uma figura facilmente identificada como serpentiforme.
Castro do Germano
Fica situado no centro da
freguesia, a uns 800 m a sudeste da igreja paroquial, numa pequena elevação, no
lugar de Boucinha. Para nascente, levanta-se a costa do Carvalho, onde existem
vestígios pré-históricos. A poente, estende-se uma paisagem rude, entremeada de
campos de cultivo, casas e pinheirais. Ao fundo, na linha do horizonte,
divisam-se, de maneira difusa, os montes galegos, fronteiriços a Caminha.
O castro do Germano está
limitado a nascente, pelo regato do Cubanco, a sul e poente pela estrada
municipal e a norte, pelo caminho de servidão. A altitude eleva-se a mais de 300
m.
Não se notam vestígios de
muralhas ou de fossos. Do lado nascente, como é terreno declinado, a altura do
castro eleva-se à mesma altura do terreno adjacente. Seguindo na direcção
sul-poente, o relevo vai-se acentuando, até atingir um talude bastante íngreme,
do lado norte.
É possível que as defesas do
castro fossem formadas por taludes.
Foi recolhido bastante
espólio, numa prospecção feita há anos: mós redondas, pedras de vários feitios,
uma delas exibindo um simulacro de inscrição não identificada; restos cerâmicos,
pedaços de tégula, etc.
Alto
do Crasto
Está este montículo, na
confluência da estrada que vai para Gondar e para a Montaria. Apesar da
configuração do monte nos sugerir a existência dum castro, não se encontraram
quaisquer vestígios ou indícios de construções ou de testemunhos cerâmicos.
No entanto, aqui fica o topónimo
para que algum investigador mais apurado possa estudar, se achar tarefa fácil e
rentável, no campo científico, é claro.
Etnografia
O sino dos mouros
Na Costa do
Carvalho existe um penedo a que chamam igreja dos .mouros.
Segundo nos
informou uma velhinha, trata-se de um local onde os mouros vinham dizer missa.
Esse penedo tem dois sinos — um de ouro e outro de peste. Se alguém, um dia,
tentar rachar o penedo, para encontrar o sino de ouro e o achar, efectivamente,
ficará rico; mas se, em vez deste, lhe surgir o de peste, ficará tudo empestado.
É curioso que num
penedo, situado mais abaixo uns metros, onde existem também sinais rupestres,
andaram lá a tentar rachar o penedo, talvez com essa intenção, já que pedra
melhor e detalhe mais fácil não falta junto da povoação.
FEITICEIRAS
Também não
faltaram, noutros tempos, nesta freguesia. Há a Cruz de Valdante. Perto dela,
apareciam as feiticeiras com fachoqueiras. Se alguém se atrevia a incomodá-las,
nas suas reuniões, atiravam-lhe com as fachoqueiras à cara e partiam a rir em
estrídulas gargalhadas.
COISAS DO OUTRO MUNDO
Coisas do
outro mundo e procissões dos defuntos só as fica a ver o indivíduo cuja madrinha
tenha omitido algumas palavras no credo, no dia do baptismo.
Mal da inveja
Quando este
mal se manifesta, fazem-se defumadouros, segundo o rito da Serra d'Arga : num
caco põem arruda, palhas alhas, incenso, etc., e vão colocá-lo numa encruzilhada
de noite.
Rancho Folclórico
Foi fundado
no ano de 1955 pelo Dr. Alfredo Moreira, professor de muitas gerações de alunos,
teve uma vida muito activa este agrupamento folclórico.

Inventário do Património Arquitectónico
Em
http://www.monumentos.pt
Informações
detalhadas acerca de:
►
Santuário da Senhora das Neves / Santuário da
Senhora da Serra
( Fontes consultadas: Caminha e seu
Concelho, Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos
Nacionais/Torre do Tombo e Freguesias Autarcas do Século XXI )
e
Lendas do
Vale do Minho
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