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PORTUGAL: ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO
- CONCELHO DE CAMINHA - FREGUESIA DE CAMINHA - MATRIZ |
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CAMINHA
- MATRIZ
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Informação Sumária
Padroeira:
Nossa Senhora da
Assunção.
Habitantes: Cerca
de 2500 habitantes e 1605 eleitores em 09-10-2005.
Sectores laborais:
Turismo e hotelaria, agricultura, pesca, comércio, indústria,
construção civil e serviços.
Tradições festivas:
Santa Rita de Cássia (Agosto), Senhora da Agonia (Agosto), Corpo de Deus
(Junho), Santos Populares (Junho) e Senhor dos Mareantes (Dezembro).
Valores Patrimoniais e aspectos turísticos:
Zona histórica com Torre do Relógio e demais área amuralhada, Igrejas
Matriz, da Misericórdia, de Sto. António e de Sta. Clara, capelas da
Sra. da Agonia e de S. João do Nicho, de Sto. António dos Esquecidos,
Chafariz do Terreiro, Casa das Pitas, e Casa das Leiras. Belezas
ribeirinhas dos rios Minho e Coura.
Artesanato:
Cobres
artísticos.
Valores gastronómicos: Sidónios
Caminhenses, Mocas, Sável, Arroz de Lampreia, Cabrito à Serra de Arga,
Caldeirada á Minhota, Cozido à Portuguesa, Bacalhau à Moda, Enchidos de
Porco.
Associativismo:
Santa Casa da Misericórdia de Caminha,
Sporting Clube Caminhense,
Casa de Repouso da Irmandade da
Confraria do Bom Jesus dos Mareantes, Assoc. de Dadores Benévolos de Sangue do Concelho
de Caminha, Assoc. dos Prof. de Pesca do rio Minho e Mar, Atlético Clube
de Caminha,
Núcleo Sportinguista do
Concelho de Caminha,
Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Caminha,
CaminhaJovem - Associação Juvenil de Caminha, Clube
de Andebol de Caminha, Clube de Caçadores de Caminha,
A Selva dos Animais Domésticos - Associação Protectora dos
Animais de
Caminha, Etnia, Rotary Clube
de Caminha
Feiras:
Todas as
Quartas-feiras e 1 de Novembro (anual).
Situada
no Alto Minho, no extremo Norte de Portugal, a 25 quilómetros da cidade
de Viana do Castelo (capital do distrito), a Freguesia de Caminha-Matriz
é a própria Vila de Caminha. A sua pequena área, cerca de 75 ha, é
desfrutada ponto a ponto face às potencialidades que dispõe. Este
espaço, quase todo a nível ribeirinho, compreende valores
inquestionáveis. Envolvida por barreiras naturais a estabelecerem os
seus limites estão: no sentido Norte e Poente o rio Minho; no sentido
Norte e Nascente o rio Coura, que em Caminha, desagua no rio Minho,
proporcionando à Vila cenários espectaculares. A Sul e Nascente, os
limites são estabelecidos com a Freguesia de Vilarelho, motivo pelo
qual, partilha com a Vila valores que encerram aspectos patrimoniais,
turísticos e culturais, relacionados com a zona amuralhada, com a linha
dos caminhos-de-ferro e também com a zona ribeirinha, na proximidade da
foz do rio Minho.
A Vila
de Caminha, também conhecida como sendo a “Bela Marinheira”, encontra-se
abrigada dos ventos pelo monte de Santo Antão, no lado português, e pelo
Monte de Santa Tecla, na Galiza, na outra margem do rio Minho, daí que
esta freguesia ofereça um clima agradável durante todo o ano,
considerando a sua localização, na área da região litoral norte em que
se insere. É, por tudo isso, uma terra de turismo servida por vias
rodoviárias, férrea e fluvial.
Com
tantos atractivos não é de estranhar que seja uma das partes, mais
importantes, de um verdadeiro “Mosaico de Paisagens” do concelho
caminhense.
Considerando o seu património edificado, é de referir: a zona histórica
com a sua zona amuralhada, merecendo destaque a antiga porta de Viana
que é a conhecida Torre do Relógio, a Igreja Matriz e a
Igreja da Misericórdia. Refira-se, ainda, a Igreja de Sto. António e a de
Sta. Clara, as Capelas da Sra. da Agonia e de São João, o Chafariz do
Terreiro, a Casa dos Pitas, a Casa de Leiras e os Paços do Concelho,
entre outros.
Relativamente às muralhas, sabe-se que são de fundação romana, tendo
sido ampliadas e reforçadas ao longo dos tempos. Nesse aspecto, é de
referir que a Torre do Relógio foi edificada no século XV. Em relação à
Igreja Matriz terá sido construída entre 1488 e 1556 e é um templo de
raiz gótica, com características manuelinas, que está desde 2000/2001
a sofrer reparações de grande envergadura, a fim de preservar tão valioso
monumento.
Muito
próximo da Vila, especificamente no Crasto do Coto da Pena, existem
ainda alguns vestígios de civilizações antiquíssimas. Como se sabe, todo
o Noroeste da Penínsular, com destaque para esta região, é rica de
património relacionado com um passado megalítico.
O
topónimo Caminha tem sido motivo de dúvidas acerca da sua origem.
Provavelmente, ao tempo do império romano, um cavaleiro galego de nome Caminio terá presurado e povoado Caminha, daí o topónimo. Outra hipótese
de trabalho, diz respeito ao facto de ter sido, esta localidade, um
condado de nome “Caput Mini” que, por corrupção do nome, derivaria para
Caminha. Outros autores, porém, ligam o topónimo ao tempo da
Reconquista, visto que nessa ocasião se atribuía às vilas, o genitivo do
fundador, o que resultaria em vila Camini.
Ainda,
acerca das muralhas de Caminha, o historiador Serra de Carvalho sustenta
que, as primeiras que a cercam, se tenham erguido sobre alicerces
romanos, dado que o seu contorno e perímetro (1.260 metros) as
identificam com a muralha romana típica do século IV.
Em 1275,
D. Afonso III escreve uma carta ao Juiz de Caminha, informando-o da
forma como há-de pagar os direitos reais. A vila é nessa altura terra
prometedora, e do seu porto partem barcos para diversas partes da
Europa. Ponto avançado na estratégia militar portuguesa na luta contra
castelhanos e leoneses, Caminha viu-se cumulada de honras e privilégios.
Em 24 de Julho de 1284, D. Dinis concede-lhe foral.
D. Dinis
concede-lhe foral, com as mesmas regalias da vila de Valença, e manda
aumentar e reparar as muralhas. Começa, entretanto, a apoucar-se o
movimento de navios no porto, e, a pedido dos Caminhenses, D. João I, em
21 de Abril de 1392, fê-la porto franco. No reinado de D. Afonso V, a
vila beneficia de isenções e prerrogativas que lhe vieram a dar um
decisivo impulso para a aceleração comercial. Porém, é justamente a sua
situação de fronteira que a vem a deixar despovoada. Para a repovoar, D.
Afonso V torna-a "couto dos homiziados", para aqui enviando reclusos e
criminosos. Esta medida é reforçada por D. Manuel I, em 1497, e mais
tarde, por D. João III. De referir que no século XV , Caminha
contava dez torres e quatro portas (da Vila, do Sol, Nova e do Marquês).
A 1
de Julho de 1512, D. Manuel confirma o foral velho de D. Dinis e ordena
a reconstrução do Forte da Ínsua, que visitou na sua ida para
Compostela.
Durante a Guerra da Restauração, a cinta defensiva foi profundamente
alterada e reformada. A Vila, isenta do senhorio dos Meneses, tornou-se
numa pequena praça de guerra mista — meia medieval, meia à Vauban —, com
circunvalação, fossos, contra-escarpas, redutos e revelins. Era
constituída por dois polígonos. Essa dupla cerca defensiva ainda existia
em 1875.
Na
fase final da guerra civil (em 23 de Março de 1834), Caminha foi
submetida por um golpe de surpresa dirigido por Napier, cujas forças
conseguiram desembarcar, pela calada da noite, em La Guardia. Proclamada
a monarquia constitucional, Caminha, como boa parte das praças-fortes do
Norte, esteve em poder dos absolutistas.
Uma
das actividades laborais mais importantes desde sempre se encontra no
sector da pesca artesanal, actividade que abastece de peixe do mar e do rio
os amantes dos frutos daí provenientes.
Caminha e a sua vida nocturna, tão procurada por pessoas de outras
paragens a se integrarem com as suas gentes, nomeadamente nos bares
locais.
Caminha, onde se caminha, à beira-rio, quer seja das margens do rio
Coura ou do rio Minho, vendo-se as suas águas a correr e observando-se as
gaivotas num vai e vem a sobrevoarem os barcos de pescas entre
as margens portuguesa e galega, com o mar a espalhar-se no horizonte.
Buscando o intercâmbio entre dois povos irmãos, lá está o ferry-boat a
proporcionar momentos impares e a mostrar, a quem chega ou a quem parte,
as belezas inconfundíveis de uma Vila sem igual.
São
os jardins bem cuidados a enternecer a alma de tantos que têm o
privilégio de conhecer esta "bela marinheira".
Caminha e a sua gastronomia, com variadíssimos pratos, mas, onde o
Cabrito à Serra D´Arga, o Arroz de Lampreia, o Bacalhau à Chico os
pratos de Sável e a doçaria (sidónios, mocas, pasteis de nata e outros),
são opções de destaque.
Ainda, a respeito da história desta freguesia, no livro "Inventário
Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre
do Tombo" diz textualmente:
«José Augusto Vieira, na sua obra "O Minho Pitoresco", tomo I, editada
em Lisboa em 1886, localiza em Caminha as freguesias de Vilarelho e
Matriz.
A
Antiga freguesia de Caminha foi abadia da apresentação da Casa de Vila
Real na primeira metade do século XVI. Nessa época, Caminha escolheu
para titular da sua igreja matriz a Senhora da Assunção.
Anteriormente fora sua padroeira a Senhora da Encarnação, cuja igreja se
situava fora de muros. O último abade da sua igreja paroquial foi D.
André de Noronha da referida Casa de Vila Real, a quem pertencia o
padroado. Passou mais tarde a reitoria, sendo o seu primeiro reitor
Baltazar da Nóbrega.
Até
1811 era vila da comarca de Valença, da provedoria de Viana. Em 1821,
faziam parte deste concelho as freguesias de Cornes, Sapardos, Covas e
Sopo, depois anexadas a Vila Nova de Cerveira. As três primeiras vieram
a desanexar-se em 1835 e, as restantes, só no ano de 1842. Em 1885
pertenciam a Caminha, além das freguesias do actual concelho, as de
Afife e Freixieiro de Soutelo, de Viana do Castelo.
Com
a extinção da comarca de Vila Nova de Cerveira, em 12 de Julho de 1895,
as freguesias de Covas, Gondarém e Sopo voltaram a ser anexadas a
Caminha. Só em 1898, sendo aquele concelho restaurado, estas voltaram a
integrá-lo. Vilar de Mouros esteve também anexada a esta freguesia
autonomizando-se dela em 1936 pelo Decreto-Lei 27424 de 31 de Dezembro.»
Fontes consultadas: Caminha e seu Concelho,
Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Freguesias-Autarcas do Séc. XXI,
Inventário Colectivo dos Registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais
/Torre do Tombo. Texto de: Carlos Alberto Mouteira Fernandes.

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