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PORTUGAL:
ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE ARCOS
DE VALDEVEZ - FREGUESIA DE RIO DE MOINHOS |
Informação Sumária
Padroeira:
Santa Eulália.
Habitantes:
493 habitantes (I.N.E. 2001) e 522
eleitores em
31-12-2003.
Actividades económicas: Agricultura, pequena indústria e comércio.
Festas e romarias: Senhora das Dores (2º domingo de Agosto), S. Cipriano
(1º domingo de Outubro), Santo Amaro (15 de Janeiro), Santa Eulália e Festa das
Almas.
Património cultural e edificado: Igreja paroquial, Casa do Regueiro (c/
Capela da Senhora da Agonia) e Casa dos Barreiros.
Artesanato: Tecelagem.
Colectividades: Juventude Associada de Rio de Moinhos.
ASPECTOS GEOGRÁFICOS
Localiza-se a norte da sede do concelho e confina com as freguesias de Sabadim,
Aguiã, Rio Frio, Senharei e, do lado nascente, com o rio Vez
com uma área de 410 ha, dista da sede concelhia
cerca de 8 km para norte.
Seus lugares
são: Aldeia, Bairro Novo, Breia, Calvelo, Cem, Chedas, Cruz, Masdão, Monte,
Nogueiras, Pedregais, Pousada, Rebelo, Reboreda, Reduto, Riba Nogueira, Soutelo,
Torre, Vinha Nova.
Nos tempos
actuais, à entrada do séc.XXI, a análise demográfica da freguesia revela que o
seu crescimento populacional foi, nos últimos 18 anos, gradual.
A agricultura
continua a desempenhar um papel importante na economia local. Todavia, segue, na
sua totalidade, uma lógica de auto-subsistência.
A Junta
acrescenta que não se têm verificado iniciativas por parte de jovens
agricultores. A construção civil é a principal actividade industrial geradora de
emprego em Rio de Moinhos. Por último, o sector terciário marca a sua presença
unicamente pelo parque comercial existente, dado que serviços públicos e outros
se concentram em Arcos de Valdevez. Todavia, o comércio possui uma oferta pouco
diversificada, tanto a nível alimentar, bem como não alimentar a retalho.
A mobilidade populacional
é, actualmente, um dos vectores de desenvolvimento mais valorizados. Neste
âmbito, é de referir que parca e escassa são as acessibilidades que servem a
freguesia, as quais se resumem a uma EN e a carreiras de transportes públicos
que se realizam diariamente.
RESENHA HISTÓRICA
Situada na
margem direita do Rio Vez, é uma freguesia muito antiga, como o documenta a
toponímia dos seus lugares e o próprio orago Santa Eulália. Além disso, está
documentada como sendo uma das paróquias iniciais do Julgado medieval de Vale de
Vez.
Os viscondes de Vila Nova de Cerveira apresentavam o abade.
Pinho Leal, no “Portugal Antigo e Moderno”, relata que “é nesta freguesia a
Torre de Rio de Moinhos, que foi de Garcia Rodrigues Caldas, do Paço de Vascões,
e de sua mulher D. Leonor de Sousa”. Esta torre poderá estar relacionada com a
hoje conhecida como a Casa da Torre.
A Casa da Torre que poderá
estar, portanto, associada a essa torre medieval. Se é assim, esta terra, andava
nas relações duma das principais famílias nobres do Minho medieval.
Foi abade de Rio de Moinhos, António Dâmazo de Castro e Sousa, falecido
em 1876. Entre o extenso rol de distinções, consta como académico honorário da
Academia de Belas-Artes, sócio do Conservatório Real de Lisboa, sócio de mérito
da Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses, comendador
de número de Isabel, a Católica, grande oficial da Ordem do Nicham,
de Tunes, condecorado com os hábitos de diversas ordens religiosas, civis e
militares.
Segundo uma descrição da freguesia enviada em 1758 pelo abade António
Vicente de Brito ao vigário geral, aquele referia que “há no distrito da
freguesia as capelas de Nossa Senhora das Dores; no lugar de Masdão a capela de
Santo António; a capela de S. Sebastião, fora do lugar, no sítio chamado o
Monte, a capela de Nossa Senhora do Socorro; a capela vulgarmente chamada de S.
Cipriano, no lugar de Reboreda”. E dava conta da existência de vinte moinhos no
rio Vez, este sendo “fonte de abastecimento de trutas, bogas, escalos e
lampreias”.
Seguindo esta descrição, o jornal “Vida Local”, de Outubro de 1994, num
apontamento monográfico assinado por A. Lima, concluía que “relativamente à
capelas, apuramos a existência da de S. Cipriano, no lugar de Reboreda; a da
Senhora da Agonia anexa à Casa do Regueiro, propriedade dos herdeiros do
professor Manuel Dantas de Barros Lima; a de Santo António, situada junto à Casa
do Morgado do Monte, hoje pertencente a Maria das Dores; e a Senhora dos
Remédios anexa à Casa e Quinta de Barreiros.
Félix
Alves Pereira, historiador e estudioso de crenças populares, conta que na
freguesia de Santa Vaia (Rio de Moinhos) há uma imagem de S. Cipriano que o povo
banha na fonte do Castro quando necessita de chuva. Quando o povo deseja o sol,
leva o santo em procissão ao alto do castro e colocam-no sobre uma pia ou
escavação na rocha que lá existe, com a cara voltada para o lado do sol. Se
deseja chuva, a procissão dirige-se a uma fonte próxima situada nas abas do
referido castro, fonte que nunca seca, colocam-no sobre a tampa de pedra e o
padre ou outro gentílico, toma a água da fonte e banha com ela a imagem.”
Uma das figuras que mais se destacaram na freguesia foi a de António Rodrigues,
benemérito que mandou abrir a estrada 1301 por volta de 1950.
Pinho Leal diz sobre esta freguesia: é terra muito fértil em todos os
géneros agrícolas do pais, e cria muito gado de toda a qualidade, que exporta.
Nos seus montes ha bastante caça.
Com um património
edificado, civil e religiosos, do qual se destaca a Igreja Paroquial, as capelas
de S. Cipriano, no lugar da Reboreda, da Sr.ª da Agonia, anexa à Casa do
Regueiro, e a Casa e Quinta de Barreiros, com respectiva capela dedicada à Sr.ª
dos Remédios, com a sua praia fluvial do rio Vez e as suas belezas ribeirinhas,
com a possibilidade de praticar pesca desportiva, e com a sua ruralidade ainda
preservada por toda a freguesia, Rio de Moinhos tem potenciais que podem
sustentar um via de desenvolvimento e progresso local baseada no aproveitamento
turístico dos seus valores. No entanto, a freguesia não dispõe de nenhuma
estrutura hoteleira capaz de fazer jus a tais potenciais.
Ainda assim é
muito procurada, principalmente no Verão e durante as festividades principais
que se fazem à Sr.ª das Dores, no segundo Domingo de Agosto, a S. Cipriano em
Outubro ou a Santo Amaro, em 15 de Janeiro.
No livro Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais encontramos:
«A primeira referência a esta freguesia remonta a 1066, segundo informa o Padre
Avelino J. da Costa.
Em 1258, na lista das igrejas situadas no território de Entre Lima e
Minho, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, Santa Eulália de
Rio de Moinhos é citada como uma das igrejas pertencentes ao bispado de Tui.
Em 1320, no catálogo das mesmas igrejas, mandado efectuar pelo rei
D. Dinis, para determinação da taxa a pagar. Rio de Moinhos, então designada
"Santa Eolalie de Rivxo Molinorum", foi taxada em 65 libras.
Em 1444, D. João I conseguiu do papa que este território passasse a pertencer
ao bispado de Ceuta.
Mais tarde, em 1512, toda a comarca eclesiástica de Valença passou para o
arcebispado de Braga, recebendo em troca o bispo de Ceuta, D. Henrique, a
comarca de Olivença. Com a incorporação dos 140 benefícios eclesiásticos de
Entre Lima e Minho na diocese de Braga, D. Diogo de Sousa mandou proceder à sua
avaliação, sendo Rio de Moinhos avaliada em 200 réis e meio e 50 alqueires de
pão.
Em 1546, no Memorial de Rui Fagundes, mandado fazer no tempo de D. Manuel de
Sousa, rendia em conjunto com a sua anexa São Tomé de Aguiã 50 mil réis.
Na cópia de 1580, refere que Rio de Moinhos se dividia numa metade sem cura e
noutra com cura, sendo ambas da apresentação do visconde de Vila Nova de
Cerveira por confirmação que lhe fora feita.
Américo Costa descreve-a como abadia da apresentação "in solidum"
dos viscondes. Por seu turno, o seu abade apresentava o vigário da igreja de São
Tomé de Aguiã, que lhe estava anexa.
Em termos administrativos, a freguesia de Rio de Moinhos pertenceu a Ponte de
Lima, em 1839 e 1852, à de Arcos de Valdevez
( Fontes consultadas:
Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Inventário Colectivo dos Arquivos
Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo e Freguesias Autarcas
do Século XXI, Terra de Valdevez e Montaria do Soajo)

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