|

PORTUGAL:
ALTO MINHO - DISTRITO DE VIANA DO CASTELO - CONCELHO DE ARCOS
DE VALDEVEZ - FREGUESIA DE ÁLVORA


Álvora
tem uma área de 497 ha e localiza-se a 10 km da sede do concelho, Arcos de
Valdevez. Contava com uma população de cerca de 420 habitantes em 1999. É
limitada a norte pelas freguesias de Portela e Anhões, esta última do concelho
de Monção e Loureda, a leste; a sul por Aboim das Choças, o rio Vez e as
freguesias de Sá e Vilela; e a oeste ainda pela freguesia de Aboim das Choças.
A freguesia de Álvora está situada num vale e abrange a serra da Anta, os montes
da Lagoa e do Crasto. Na serra da
Anta, que tem o seu topónimo derivado das
Antas aí existentes, ainda visíveis na freguesia de Anhões do concelho de
Monção, é possível que, nesta serra outras antas tenham existido, até porque
estes montes, onde se estende a freguesia de Álvora, são fartos os vestígios
arqueológicos. Assim é também o monte do Castro, onde existiu o Castro de Álvora.
O livro “Terra de Valdevez e Montaria do Soajo” o autor, Eugénio de Castro
Caldas, faz referência ao Castro de Álvora, com o seguinte parágrafo: «O
Castro de Álvora proporcionou a Carlos Aguiar Gomes a oportunidade de um estudo
pormenorizado, que publicou em Terra de Valdevez, de um espólio nunismático
romano que vai desde Augusto (27 a.C. 14 d.C.) até praticamente, às invasões
dos Bárbaros.»
A antiga freguesia de Santa Maria (Nossa
Senhora da Expectação) de Alvora era abadia da apresentação do ordinário (como
aconteceu com a freguesia anexa de Sá) no termo de Vale de Arcos, e era seu
donatário o visconde de Vila Nova de Cerveira. “Santa Maria de Álvora, abadia
do ordinário, metade com toda a renda de S. Pedro de Sá, importa ao abade
duzentos e cinquenta mil réis; e para a mesa arcebispal, com título de câmara
de Álvora, a outra metade que rende oitenta mil réis: tem noventa vizinhos e boa
pedra na Mourisca”.
A terra é fertilizada
pelo rio Rajado (“de pequeno curso e pouca quantidade de águas, por cuja causa
não é navegável. Tem alguns moinhos nesta freguesia e no lugar das Choças uma
ponte de cantaria”).
A freguesia é constituída pelos lugares de
Choças, S. Martinho, Casaldofe, Barbeitos, Fonte e Bouças (estiveram registados,
no passado, os “lugares de Barbeitães, Bouças, Casal Doufe, Choças, Fonte,
Ribeiro e S. Martinho”).
No lugar de S. Martinho
situou-se a capela de S. Martinho de Moimenta, que foi igreja paroquial, da
visita do arciprestado de Loureda. Algumas das pedras desta capela foram depois
transferidas para a capela da Senhora da Cabeça.
Grande parte das Choças
terá pertencido a esta paróquia.
A antiga freguesia de
“Sancti Martini de Moymenta”, citada nas inquirições de D. Afonso III, passou
depois para a de “Sancte Marie d’ Alvar”, como é designada nas mesmas
inquirições.
A igreja paroquial de
Álvora, edificada num ermo, foi reconstruída no século XVII. “Situa-se num sítio
denominado de Alvora donde toma o nome toda a freguesia, sem vizinhança
nenhuma”. É de uma só nave. O primeiro pároco de que há notícia é do abade João
Carlos Machado de Araújo, de 1782 a 1786.
No lugar de S. Martinho,
diz José Cândido Gomes em “Terras de Valdevez” ter existido a antiga Capela de
Valdevez de Moymenta, a qual foi igreja paroquial e da sua visita do arcebispado
de Loureda.
Refere “(...) Não sei
pois como é que os Corographos começaram a dar a Mey o appellido de Moymenta
quando Mey é mais moderna e no archivo do arciprestado de Loureda apparecem as
duas parochias bem distinctas.
Algumas pedras das minas
desta capela de S. Martinho foram por a Capella da Senhora da Cabeça, na
mesma freguesia”.
A capela da Senhora da
Cabeça, no cume do outeiro de Cacheiros, é local de festa e romaria anual, na
terça-feira a seguir à Páscoa.
A zona mais populosa da
freguesia é o lugar de Choças. O nome terá origem na estada, aqui, de um
exército de D. Afonso Henriques, que se terá acolhido sob umas “choças de
mísera aparência”. Estas choças terão sido construídas pelos espanhóis em
1128, pois a tradição diz que por aqui passou nesse ano D. Afonso VII, de Leão,
com o seu exército, que seria depois derrotado na Veiga da Matança, próximo da
vila dos Arcos de Valdevez.
Parte do lugar das Choças
pertence à freguesia de Aboim, e foi nessa zona que esteve aquartelado em 1643
o exército do visconde de Vila Nova de Cerveira D. Diogo Lima, encarregado de
socorrer a praça de Monção, sitiada pelos castelhanos, nas guerras da
Restauração.
A Quinta do Prego, também
designada de Palácio dos Pugas, é uma casa do século XVIII, sóbria, de dupla
escadaria e capela anexa, dedicada a Santa Quitéria. Foram seus últimos senhores
António de Lima Brito, que teve brasão de armas em 1805, e seu filho António de
Sousa Castro Prego.
Segundo os dados colhidos
junto da autarquia em 1999, não há desemprego, cerca de 70% das terras
cultivadas são de pequenas dimensões e destinam-se essencialmente ao autoconsumo.
Há referência a iniciativas de jovens agricultores, sobretudo na área da
viticultura. Os produtos principais que se retiram da terra são a batata, o
milho, o vinho, hortifrutos, feijão e forragens.
Há que referir
aqui, o nome de duas associações que têm desempenhado um papel relevante nas
áreas do desporto e da cultura. São elas a, “Associação Cultural e Recreativa Loureda-Álvora” e a “Associação de Caça e Pesca Extremo-Barbeitos”.
As belezas do rio Vez, as
suas praias fluviais de Medelo e da Azenha, a prática desportiva de caça e
pesca, o parque de merendas na Senhora da Cabeça e nos Fiais, assumem-se
igualmente como pólos de atracção turística e a merecer investimento por forma a
torná-los mais frequentados quer pelos habitantes de Álvora, quer por
visitantes. Esses melhoramentos no entanto, deveriam ser acompanhados por outros
mais básicos, mas igualmente importantes, como a melhoria das condições de
trabalho e emprego e principalmente, a implantação da rede de saneamento.
No livro,
"Inventário Colectivo dos Arquivos
Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo", pode ler-se na
integra:
«Os primeiros documentos que citam esta igreja
datam de 991 e de 1156, segundo informa o Padre Avelino Jesus da Costa. Era
denominada, nesses anos, "Alvari" ou "Sanctae Mariae de Alvar".
Na lista das igrejas situadas no território de
Entre Lima e Minho, efectuada por ocasião das inquirições de D. Afonso III, em
1258, Santa Maria de Álvora é citada como uma das igrejas pertencentes ao
bispado de Tui.
Em 1320, no catálogo das mesmas igrejas, mandado
elaborar pelo rei D. Dinis, para a determinação da taxa a pagar por cada uma
delas, "Sancte Marie d' Alva" foi taxada em 40 libras.
Em 1444, a comarca eclesiástica de Valença foi
desmembrada do bispado de Tui, passando a pertencer ao de Ceuta até 1512.
Em 1546, na avaliação que o arcebispo D. Manuel
de Sousa, mandou efectuar, Álvora aparece com um rendimento de 15 mil réis.
Era vigairaria da câmara arcebispal.
O Censual de D. Frei Baltasar Limpo, na sua cópia
de 1580, refere que a capelania de Santa Maria de Álvora era da "câmara da Mesa
Arcebispal".
Segundo Américo Costa, esta igreja foi abadia da
apresentação da Mitra, competindo ao seu abade o direito de apresentação da
anexa São Pedro de Sá.»
( Fontes consultadas:
Dicionário Enciclopédico das Freguesias,Inventário Colectivo dos Arquivos
Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo e Freguesias Autarcas
do Século XXI, Terra de Valdevez e Montaria do Soajo)
|